Ex-aluno da Degrau Cultural compartilha o método de preparação que o ajudou a ser aprovado no concurso da Polícia Civil do Rio de Janeiro e em mais três estados.
Não existe uma fórmula pronta para ser aprovado em concurso público. Mas buscar inspiração nas estratégias de estudos de quem já conquistou a tão sonhada carreira pública pode ser um bom caminho. Ainda mais em quem já obteve aprovações para a Polícia Civil de quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Este é o caso de Nelson Miguez, que atualmente é oficial de cartório da Polícia Civil RJ. Ex-aluno da Degrau Cultural, ele conta que iniciou sua preparação um ano antes da prova e, ao longo desse período, chegou a estudar até 10 horas por dia, por meio de curso presencial e videoaulas, além de fazer uso de materiais de PDF.
Nelson lembra que uma das suas estratégias de estudo foi se dedicar mais às disciplinas que menos gostava. “Isso foi de muita importância, pois comecei a pontuar muito nessas matérias que, para mim, eram difíceis por serem ‘chatas’. Com isso, consegui outras aprovações na Polícia Civil de outros estados, tais como agente e escrivão em Santa Catarina (2017), escrivão em Mato Grosso do Sul (2017) e agente e investigador em São Paulo (2018).”
Para quem vai participar do concurso para a Polícia Civil-RJ, a recomendação de Nelson Miguez é para que oiniciem os estudos o quanto antes. “A principal falha é deixar para estudar em cima da hora, após a publicação do edital. Os concursos estão cada vez mais concorridos. Quanto mais cedo começar a estudar, melhor”, afirmou.
Formado em Educação Física, Miguez recomenda também que os futuros candidatos do concurso da Polícia Civil-RJ não negligenciem o teste de aptidão física (TAF). Segundo ele, a preparação para o TAF aconteça em paralelo aos estudos para a prova objetiva. “O índice de reprovação na avaliação física é muito grande, chegando a 40%, com base em alguns concursos que realizei.”
Na entrevista que pode ser vista a seguir, Nelson Miguez conta um pouco mais sobre a sua preparação para o concurso de oficial de cartório, aberto em 2013. O policial fala ainda sobre o dia a dia de um policial civil e aponta as vantagens de se trabalhar na corporação. Confira:
Degrau - Como foi a sua preparação à época do concurso da Polícia Civil-RJ?
Nelson Miguez - A preparação foi árdua. Estudei aproximadamente um ano antes da prova da Polícia Civil-RJ. Fiz curso presencial e estudei por videoaulas e materiais em PDFs. No início, dividia meus horários de estudos com o trabalho de personal que fazia, tendo em vista que naquele momento não poderia abrir mão de trabalhar para somente estudar. No entanto, alguns meses depois, consegui me manter somente estudando. Eu aproveitava o dia inteiro para os estudos, cumprindo uma carga de aproximadamente 10 horas por dia. Meu planejamento mudava constantemente durante a semana, pois sempre havia alguns compromissos para realizar, porém desenvolvi alguns métodos de estudos para poder chegar à aprovação no cargo como, por exemplo, me dedicar mais às disciplinas que menos gostava. Isso foi de muita importância, pois comecei a pontuar muito nessas matérias que, para mim, eram difíceis por serem ‘chatas’. Com isso consegui outras aprovações na Policia Civil de outros estados, tais como agente e escrivão em Santa Catarina (2017), escrivão em Mato Grosso do Sul (2017) e agente e investigador em São Paulo (2018).
Fez muitos sacrifícios e renúncias para estudar para o concurso?
Sem dúvidas. É muito difícil conciliar uma vida social com a vida de concurseiro. A dedicação tem que ser total, não dá para ser ‘meia boca’. Lembro de inúmeros aniversários de amigos que não pude comparecer, além dos barzinhos aos finais de semana que não pude ir. Todo esse esforço era para estar 100% focado no meu objetivo.
Todo o esforço valeu a pena? O que mudou na sua vida depois que ingressou na Polícia Civil?
Vale muito a pena. É a realização de um sonho. A vida muda completamente, nos sentimos realizados por inteiro. Poder fazer o que ama não tem preço.
Além da estabilidade e remuneração, na sua visão, quais são os atrativos de ser um policial civil?
Além da estabilidade e remuneração, a Polícia Civil te proporciona uma família, somos um só. Temos uma estrutura ótima para poder trabalhar e exercer a função investigativa e operacional da melhor forma possível, com o objetivo de fornecer resultados à sociedade que tanto precisa de nós.
Na sua visão, quais falhas não podem ser cometidas por aqueles que pretendem participar do próximo concurso da Polícia Civil-RJ, que está programado para ser aberto até julho?
A principal falha é deixar para estudar em cima da hora, após a publicação do edital. Os concursos estão cada vez mais concorridos. Quanto mais cedo começar a estudar, melhor. Além disso, é imprescindível ter um acompanhamento de um monitor que vai orientar a melhor forma que se deve estudar, além do melhor caminho a percorrer para ter desempenho alto no menor tempo.
Deixar para iniciar os treinos para o teste de aptidão física (TAF), após a aprovação na prova objetiva, é uma falha que, na sua visão, não pode ser cometida? Viu muitas pessoas sendo reprovadas nesta etapa exatamente porque não deram a atenção devida?
Com certeza, outro erro é não se preparar com antecedência para os testes físicos, que não são fáceis. Logo, é de suma importância separar uns minutos do dia para se exercitar e realizar as atividades físicas. O índice de reprovação na avaliação física é muito grande, chegando a 40%, com base em alguns concursos que realizei. Então, não deixe para a última hora os exercícios físicos.
Como é o dia a dia de um oficial de cartório? Na prática, as atividades são praticamente as mesmas de um investigador e inspetor, cargos que serão oferecidos no próximo concurso da Polícia Civil-RJ? Como é a jornada de trabalho?
Sim, na prática, o inspetor, o oficial de cartório (ambos de nível superior) e o investigador (nível médio) realizam as mesmas atividades comuns em uma delegacia de polícia, apesar de haver distinção de atribuições na legislação vigente. A jornada de trabalho é dividida basicamente em plantão ou expediente, sendo a carga horária do plantão 24hx72h e o expediente com carga de 40 horas semanais.
Você já passou por alguma situação desagradável ou até mesmo de perigo e que o fez pensar se deveria ou não continuar sendo policial civil?
A vida do policial no Estado do Rio de Janeiro não é fácil, é atenção o tempo todo. Tive algumas operações policiais e situações cotidianas que me marcaram muito. Em uma delas estava dirigindo meu veículo, no meu dia de folga, quando tomei a decisão de mudar meu trajeto, entrando em ruas laterais, para evitar um confronto com marginais que estavam realizando um arrastão na rodovia. Situação dificílima e que me marcou muito, pois nunca sabemos quando o perigo se aproxima. Também, em diversas vezes, já presenciei situação difíceis no meu cargo de policial civil, porém não passou na minha cabeça em desistir. Tenho muito orgulho da minha profissão e sei dos perigos que ela me proporciona, porém jamais pensei em abandonar o cargo ou a instituição.
Você acha que para ser um policial civil é preciso ter um perfil específico? Quais características deve ter alguém que pretende trabalhar na área policial?
Sem dúvidas, controle emocional e vocação para o cargo.
Como foi o seu curso de formação à época? Durou quanto tempo?
Meu curso de formação na Acadepol durou em torno de quatro a seis meses, aprendemos diversas técnicas e teorias para desenvolvermos o melhor trabalho na instituição, além da prática operacional que adquirimos em casos de conflitos e abordagens policiais de diversas formas.
A Polícia Civil-RJ investe bastante na capacitação e formação de seus policiais? São oferecidos treinamentos e capacitações constantes?
Sim, a Polícia Civil, por meio da Academia de Polícia, disponibiliza diversos cursos de especialização e de aprimoramento para capacitar e reciclar cada vez mais nós Policiais Civis.
Quais são seus planos para o futuro na Polícia Civil-RJ?
Desempenhar o melhor trabalho possível na Instituição, entregando para a sociedade resultados positivos e assegurando/preservando os direitos constitucionais dos cidadãos, os quais são violados todos os dias.




