Gabriel Silva de Oliveira foi aluno Degrau e hoje está aprovado na unidade de elite da PM-RJ

Gabriel Silva de Oliveira foi aluno da Degrau Cultural no curso preparatório para o Concurso PM-RJ e hoje está prestes a realizar seu sonho, de atuar no Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Mas a PM-RJ não foi o primeiro concurso no qual Gabriel conseguiu ser aprovado. Na época em que começou a estudar com a Degrau Gabriel era gari da Comlurb.

Gabriel tentou concursos cinco vezes, passou para a Comlurb, mas não estava satisfeito, então continuou estudando em busca do seu verdadeiro sonho: entrar para o Bope. Essa vontade de fazer parte da elite da PM-RJ começou quando ele ainda era um menino, morador do Morro do Urubu, em Pilares, na Zona Norte do Rio. As operações do Bope na comunidade sempre fascinaram o menino, que acompanhava atento e curioso a movimentação dos policiais no local.

O caminho percorrido até a aprovação

Atualmente Gabriel está a um passo de concretizar seu sonho de criança. O rapaz, hoje com 31 anos, conta que percorreu um longo e tortuoso caminho: trabalhou numa loja de jogos em um shopping, foi gari da Comlurb, entrou para a Polícia Militar e, só no fim do ano passado, foi aprovado no curso da unidade de elite da PM, onde aguarda só a disponibilidade de vaga para ser convocado.

Para Gabriel,  Bope é o melhor batalhão do Brasil. A principal coisa que ele desejava era ter essa realização profissional. O jovem diz considerar o Bope a excelência do serviço de segurança pública; o topo da profissão. Ele diz ter consciência de que a polícia não vai resolver tudo sozinha, mas que pode conseguir amenizar a situação da violência e minimizar os efeitos negativos dela para a população. E ele pretende fazer parte disso.

Gabriel estudava com as aulas do curso presencial e apostila, e estudava sozinho em casa todos os dias. Segundo ele, sua maior dificuldade foi a falta de tempo para estudar e o cansaço, já que tinha que trabalhar pesado durante o dia. Ele disse ainda, que procurou o curso para orientá-lo e ajudá-lo a evoluir nos estudos.

O que me fez procurar a Degrau foi a necessidade de evoluir nos estudos, pois não estava conseguindo avançar sozinho. Conheci a Degrau pela internet e alguns conhecidos já haviam indicado. O curso fez total diferença na minha aprovação, porque a partir do momento que iniciei o curso eu descobri uma nova forma de estudar e com base no edital. 

No curso do Batalhão de Operações Especiais, que durou 45 dias, Gabriel aprendeu teoria e prática de operações especiais e ações táticas. O jovem foi um dos 22 provados entre os 50 que ingressaram. Enquanto aguarda ser chamado para integrar a Tropa de Elite da PM-RJ, o soldado Oliveira, como é conhecido na corporação, dá expediente na UPP da Rocinha, na Zona Sul do Rio, onde é lotado há quatro anos.

O menino do Morro do Urubu, no começo da vida adulta, viu sua casa ser demolida por estar em área de risco. As famílias foram removidas para outros bairros, como Realengo, pra onde foram os parentes do soldado. Gabriel, no entanto, continua em Pilares, mas fora da comunidade, onde mora com a noiva, sua principal incentivadora.

Mas nem sempre foi assim. Foi dentro de casa, quando ainda morava com os pais, que ele enfrentou as primeiras resistências à vontade de virar policial. Era puro receio de uma família zelosa. Mas o desejo de realizar o sonho de criança falou mais alto, e, sem comunicá-los, fez o concurso para a PM em 2014. Segundo o soldado, quando falou para a família que tinha passado no cocnurso da PM-RJ foi um susto. Mas hoje todos respeitaram sua decisão e o apoiam.

A palavra acomodação nunca fez parte do vocabulário do rapaz. Na loja de games, um dos primeiros empregos, começou como atendente, passou a conferente, supervisor e, por fim, gerente. Mas o rapaz ainda não estava satisfeito. Em busca da estabilidade profissional e financeira, passou a estudar para concursos públicos. Em 2009, foi aprovado no Concurso Comlurb. Foram quase seis anos na gerência de Madureira, onde passou por varrição de ruas, roçadura de grama e coleta de entulhos. Ele lembra com orgulho desse período e diz que o trabalho na companhia que lhe garantiu o condicionamento físico tão importante para a nova missão:

Sempre tive um grande carinho pela Comlurb. Participo das confraternizações até hoje. Foi um momento de crescimento e transição na minha vida.

A primeira grande emoção da vida de Gabriel foi quando ele entrou, como aluno, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), em Sulacap. Ele chegou como Gabriel e saiu como soldado Oliveira. Era o início da realização do sonho de criança.

O jovem idealista e de voz mansa defende uma polícia de proximidade, que é aliada da população. Ao falar de seu maior desafio até hoje na Rocinha, uma favela gigantesca com mais de cem mil moradores, ele recorre não a um confronto com bandidos, mas a um episódio recente, em que ajudou a salvar vidas de uma família, incluindo dois idosos, que estavam presos numa casa em chamas. Sua guarnição, que estava próxima do local, chegou antes dos bombeiros e fez o resgate das vítimas.

Já os momentos de maior tensão foram vividos em 2017, período em que a comunidade enfrentou um conflito pelo controle de drogas, que resultou numa intervenção militar:

Mesmo assim a gente não desanima. Já sabia dos perigos e os riscos da profissão. Nessas horas, a vocação fala mais alto e não nos deixa desanimar.

E os sonhos continuam. Além de casar e ter filhos, Gabriel quer concluir a faculdade de Direito, que trancou no 5º período por não conseguir mais arcar com as pesadas mensalidades. O garoto que fez ensino fundamental e médio em escola pública chegou a cursar até o 4º período de Administração na Universidade Santa Úrsula, antes de migrar para o Direito.

Na época tinha bolsa integral, mas perdeu o benefício quando a universidade fechou as portas. Como para o soldado Oliveira o céu é o limite, quem pensa que ele vai parar por aí quando ingressar no Bope está enganado. De acordo com ele, dentro do Bope tem várias especializações, como resgate de reféns, snipers e outras coisas que ajudam o policial a se diferenciar.

E para os concurseiros que estão estudando agora, Gabriel deixa um recado:

Quem está tentando passar agora eu aconselho a não desistir, porque tudo é questão de preparação. Procure ajuda para evoluir nos estudos! Concurso não é fácil, mas também não é impossível. 

Matéria no Jornal Extra: https://extra.globo.com/noticias/rio/ex-gari-realiza-sonho-de-entrar-para-bope-realizacao-profissional-24636608.html

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