Prestes a abrir um novo concurso para a área de apoio, Universidade Federal do RJ está há 101 anos contribuindo para o país nas áreas de educação, cultura, ciência e tecnologia.
Um dos concursos mais aguardados nesse final de ano é o que destinará 160 vagas para diversos cargos técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os principais cargos desse concurso são o de assistente em administração (com 63 vagas), engenheiro, enfermeiro e médico em diversas especialidades. Aqueles que obtiverem a aprovação no concurso ingressarão numa das universidades públicas mais antigas e mais importantes do Brasil e também do mundo.
Afinal de contas, ela é considerada a Segunda Melhor universidade do Brasil, a terceira da América Latina, e possui cinco áreas de estudo entre as 100 melhores do mundo (antropologia, arqueologia, arquitetura/ambiente construído, estudos de desenvolvimento e línguas modernas).
Além desses feitos consideráveis, a UFRJ tem tido um papel importante no desenvolvimento de vacinas e tratamentos que combatem a infecção pela Covid-19. Mas antes de olhar para os trabalhos presentes, vamos voltar para o passado e lembrar como se deu a origem da UFRJ, 101 anos atrás.
Fundação
No dia 7 de setembro de 1920, dois anos antes do Centenário da Independência do Brasil, o Governo Federal instituiu o Decreto n.º 14.343, que determinou a criação da Universidade do Rio de Janeiro (URJ). Ela foi constituída a partir da reunião de três escolas criadas no início do século XIX, assim que Família Real e a Corte Portuguesa desembarcaram no Brasil, então colônia lusitana:
- Escola de Engenharia (criada a partir da Academia Real Militar, em 1810);
- Faculdade de Medicina (criada em 1832 nas dependências do Real Hospital Militar, antigo Colégio dos Jesuítas);
- Faculdade de Direito (criada, em 1891, pela fusão das faculdades de Ciências Jurídicas e Sociais e da Faculdade Livre de Direito da Capital Federal).
Durante o período colonial, eram proibidas por lei a criação de universidades e cursos superiores no Brasil, sendo que os filhos das elites colonial e imperial se dirigiam às universidades europeias, principalmente a de Coimbra, para concluir os estudos em áreas como Direito e Medicina.
Porém, na prática, a reunião de estabelecimentos numa universidade só não implicou numa aproximação de relações e troca de saberes necessários à existência do “espírito universitário”. O projeto só saiu do papel mesmo a partir de 5 de julho de 1937, quando a Lei n.º 452 reorganizou e transformou a URJ em Universidade do Brasil (UB).
Nela foram incorporadas diversas unidades e institutos já existentes, nas áreas de Química, Filosofia, Ciências e Letras, Metalurgia, Música, entre outras. Na época, previa-se a incorporação de institutos colaboradores como o Museu Nacional, que abrigava um grande acervo de artefatos e elementos das áreas de Ciências Naturais e Antropologia. Vale lembrar que, em setembro de 2018, o Museu Nacional sofreu um grande incêndio que destruiu quase a totalidade do acervo ali existente.
O objetivo da criação da Universidade do Brasil era receber os alunos considerados os melhores do país, que ingressariam à instituição mediante critérios rigorosos de seleção.
Somente na década de 1960, no auge da Ditadura Militar, a instituição passou a ser intitulada como “Universidade Federal do Rio de Janeiro”, devido a Lei n.4.759 que padronizava o nome das instituições universitárias federais e escolas técnicas federais da União mais a identificação da Unidade da Federação.
A partir dessa lei, foram vinculadas unidades e institutos em centros que, até hoje, estruturam a UFRJ:
- Centro de Ciências da Saúde (CCS);
- Centro de Letras e Artes (CLA);
- Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH);
- Centro de Ciências da Matemática e da Natureza (CCMN);
- Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE);
- Centro de Tecnologia (CT).
Onde a UFRJ está presente ?
Atualmente, a instituição está sediada na capital fluminense, onde se encontra a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão. É ali onde está abrigado, entre outros centros de ensino e pesquisa, o Parque Tecnológico, o Hospital Universitário, a Escola de Belas Artes (EBA) e o maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina: o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe).
A UFRJ também está endereçada no campus da Praia Vermelha (bairro de Botafogo) e nos munícipios de Duque de Caxias e Macaé. Por fim, é de responsabilidade da UFRJ, além do já citado Museu Nacional, o Centro de Ensino Hélio Oiticica, Escola de Enfermagem Anna Nery, a Faculdade Nacional de Direito, o Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (Hesfa), o Observatório do Valongo, entre outros.
É nesses centros em que a UFRJ forma mais de 53,5 mil profissionais nos cursos de graduação, egressos através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a partir das notas obtidas no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM). Inclui-se nesse grupo de acadêmicos da UFRJ 15,7 mil estudantes que fazem pós-graduação em 200 cursos de especialização lato-sensu, 130 de mestrados acadêmico e profissional e 94 de doutorado.
Já o corpo de profissional da UFRJ conta com 4.218 docentes, 3.611 técnicos-administrativos que atuam em hospitais e 5.542 técnicos-administrativos nas demais unidades da UFRJ, segundo revelou a pró-reitora da UFRJ, Luzia Araújo, em entrevista a Degrau Cultural. Ainda são 1.863 projetos pedagógicos na extensão universitária, com atividades artísticas e cursos para a população carente.
Importância da UFRJ na saúde pública
Durante as comemorações do Centenário da UFRJ, em setembro de 2020, a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, falou acerca da adaptação que a universidade precisou fazer em relação às pesquisas cientificas voltadas para o Coronavírus:
“Nós não tínhamos nenhum grupo de pesquisa trabalhando com coronavírus na UFRJ. Nenhum. E temos agora mais de 120 projetos de pesquisa em coronavírus em menos de 6 meses. Isso é a característica de uma instituição de pesquisa, ela responde rapidamente às demandas da sociedade”.
Antes das vacinas chegarem até à população em geral, a UFRJ esteve trabalhando na democratização de um teste sorológico que custa 20 vezes menos em comparação aos testes que são comercializados em farmácias e hospitais particulares. A partir de estudos da própria instituição, surgiu um soro produzido por cavalos para tratamento da covid-19, em que se constatou a produção de anticorpos neutralizantes até 100 vezes mais potentes do que o plasma de pessoas, até então, recuperadas da doença.
E futuramente, assim que for testada e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), poderá surgir uma nova vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela própria universidade: a UFRJvac. De acordo com os pesquisadores do projeto, essa vacina é produzida a partir da proteína recombinante, que utiliza uma cópia da proteína que recobre a superfície do vírus, técnica semelhante à utilizada em vacinas como a da hepatite B, do papilomavírus humano (HPV) e de uma vacina recombinante contra a gripe. Segundo a professora Leda Castilho, a tecnologia que está sendo desenvolvida na produção da nova vacina “é facilmente aplicável a outras variantes do coronavírus e a outros vírus também”. Porém, precisará investigar qual variante terá maior circulação entre humanos para definir a direção das pesquisas de novos imunizantes.
Toda essa trajetória de 101 anos reforça a importância da UFRJ no cenário das políticas públicas do Brasil voltadas para as áreas básicas da população (Saúde e Educação). Dessa forma, um novo concurso público para a área administrativa e de saúde se faz necessário para que a UFRJ prossiga com seus trabalhos e pesquisas, de forma qualificável.
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