Segundo a professora Fernanda Santos, as provas de Língua Portuguesa organizadas pela banca Cebraspe costumam focar nos conteúdos gramaticais.

Língua Portuguesa costuma ser a matéria que mais reprova nos concursos públicos. Logo, todo o cuidado é pouco com ela. Para ajudar na preparação dos candidatos a técnico judiciário do concurso TJ-RJ, a equipe de reportagem da Degrau Cultural entrevistou a professora Fernanda Santos para dar dicas e orientações de como estudar a disciplina, bem como apontar os assuntos com mais chances de serem cobrados na prova do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Segundo Fernanda Santos, que leciona na Degrau Cultural, nas provas elaboradas pelo Cebraspe (organizador) há um leve predomínio das questões de gramática. “De acordo com o perfil das provas anteriores feitas pela banca, normalmente, 60% da prova é direcionada para a gramática e 40% para as questões relacionadas à interpretação e à compreensão de textos”, disse a professora, que acredita que serão cobradas dez perguntas de Língua Portuguesa para técnico judiciário.

No que tange à parte textual, a professora diz que é fundamental o candidato dominar tipologia textual, mecanismos de coesão textual (principalmente, referenciação e conjunções) e semântica vocabular. “No que se refere à gramática, reescrita de frases, crase, concordância verbal, colocação pronominal, substituição/uso do pronome relativo, pontuação e valor semântico da conjunção são assuntos muito importantes e bastante explorados.”

Veja mais dicas para a prova de Português do Concurso TJ-RJ na entrevista a seguir:

Degrau Cultural - Os concurseiros costumam se preocupar muito em estudar as disciplinas ligadas ao Direito, sobretudo em concursos para tribunais, muitas vezes deixando Língua Portuguesa um pouco de lado. Isso é um dos maiores erros que devem ser evitados para quem se prepara para o TJ-RJ?

Fernanda Santos - Certamente, um dos grandes erros do concurseiro é enfatizar determinadas matérias em detrimento de outras. Estatisticamente, Língua Portuguesa é uma disciplina que apresenta um elevado índice de reprovação em concurso público. Por isso, requer atenção especial, estudo aprofundado e direcionado para o formato e os temas principais cobrados pela banca CEBRASPE/CESPE, além de metodologia adequada. 

A prova do TJ-RJ não será no modelo tradicional do Cebraspe, de "certo" e "errado". Será uma prova de múltipla escolha, com cinco opções de resposta (A, B, C, D e E). A senhora acha que isso facilitará a vida do candidato? Até que ponto a alteração da forma de apresentação da questão pode alterar o nível de cobrança do Cebraspe?

De acordo com a minha experiência, é comum o aluno se sentir mais seguro com o formato múltipla escolha. Entretanto, devido à diversidade de assuntos explorados nas alternativas das questões, trata-se de uma prova mais complexa, pois, no mesmo enunciado, cobram-se diferentes aspectos linguísticos e semânticos.

Português faz parte do conteúdo de Conhecimentos Básicos, que incluem também as matérias de Legislação Especial, Ética no Serviço Público e Direito das Pessoas com Deficiência. Quantas você acredita que serão destinadas à disciplina de Língua Portuguesa?

Acredito que serão dez questões direcionadas para a Língua Portuguesa.

As provas de Português do Cebraspe costumam equilibrar bem os conteúdos de interpretação de texto e gramática? Qual sua avaliação?

De acordo com o perfil das provas anteriores feitas pela banca, normalmente, 60% da prova é direcionada para a gramática e 40% para as questões relacionadas à interpretação e à compreensão de textos.

Quais são os assuntos de Português que você acredita que têm mais chances de serem explorados na prova de técnico judiciário?

Para as questões direcionadas ao texto, é fundamental o concurseiro dominar tipologia textual, mecanismos de coesão textual (principalmente, referenciação e conjunções) e semântica vocabular. No que se refere à gramática, reescrita de frases, crase, concordância verbal, colocação pronominal, substituição/uso do pronome relativo, pontuação e valor semântico da conjunção são assuntos muito importantes e bastante explorados.

O TJ-RJ divulgou o edital em 28 de fevereiro do ano passado e, até agora, o concurso não foi retomado. Até que ponto ter tanto tempo assim para estudar é bom para os candidatos? Como evitar que alguns concorrentes não relaxem com os estudos, ainda mais dentro desse cenário de tensão com a pandemia?

Estamos diante de uma situação muito delicada e atípica para o mundo dos concursos. No entanto, é importante que o concurseiro encare esse momento de forma positiva, já que poderá lapidar e aprofundar os conhecimentos, realizar turmas de simulados e de questões, traçar melhor as estratégias, o cronograma e o planejamento de estudos. Não se pode esquecer, também, da importância do equilíbrio emocional. Por isso, é fundamental reservar um tempo para fazer algo de que goste e para estar com pessoas pelas quais nutre apreço.

Quais outras dicas e orientações pode deixar para os candidatos, sobretudo aqueles que vão concorrer a uma vaga de técnico judiciário?

É o momento de avaliar a estratégia de estudo adotada e fazer os ajustes necessários (planejamento, cronograma, autoavaliação, motivação, metas, revisão dos conteúdos, estudo de banca). Em Língua Portuguesa, é muito comum o enunciado da questão solicitar correção gramatical (=aspectos linguísticos da norma culta) e o sentido original do trecho (=manutenção da coerência). Nesse caso, o concurseiro precisa estar muito atento para o comando da questão. Vale considerar, também, que, normalmente, a banca pode selecionar três textos mais curtos, dois textos ou um texto mais longo. Geralmente, o gênero textual mais recorrente em provas anteriores é o jornalístico (editorial, artigo de opinião, reportagem, notícia). No entanto, é preciso pensar na diversidade de textos que fazem parte da nossa comunicação.

 

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