Professor Igor Daltro estipula os assuntos de Direito Administrativo em que costumam cair com mais frequência em provas elaboradas pelo Cebraspe.

Na última semana, o Cebraspe venceu os dois processos licitatórios e será a banca organizadora do concurso para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, com 400 vagas distribuídas em sete carreiras: auxiliar de necropsia, técnico de necropsia, investigador, inspetor, perito legista, perito criminal e delegado. A definição deverá ser publicada em breve no Diário Oficial do Estado.

Sabendo, agora, quem será o organizador desse certame, cabe aos concurseiros se prepararem com base no perfil de provas elaboradas pelo Cebraspe. No caso, específico da prova de Direito Administrativo, que costuma ser muito explorada em certames anteriores de investigador, por exemplo, é importante buscar o que mais é cobrado em exames administrados por essa empresa.

Como a presença do Cebraspe em um concurso da Polícia Civil fluminense é uma novidade, é importante usar como referência as provas administradas pela banca em outros concursos voltados para a área de segurança pública.

Para essa missão, convocamos o professor Igor Daltro, que leciona Direito Administrativo nos curso da Degrau Cultural. O docente preparou uma série de gráficos, em que trazem a porcentagem de assuntos cobrados de Direito Administrativo pelo Cebraspe, em concursos voltados para órgãos de segurança pública. Para construir esses gráficos, ele trouxe à tona os seguintes tópicos:

1 - O Cebraspe nunca organizou os concursos da Polícia Civil do RJ, logo, eliminamos o perfil da banca neste concurso específico;

2 – Porém, não se pode ignorar a referência dos últimos concursos do órgão, afinal de contas, mesmo tendo o perfil específico da banca que o elaborou, há sempre a possibilidade de ter surpresas no edital;

3 - O foco recai sob a análise da banca em questão, feito sob as seguintes premissas:

  • Perfil da banca em concursos públicos da segurança pública de forma ampla (englobando agentes penitenciários, por exemplo) - Gráfico 1;
  • Perfil específico para segurança pública de forma estrita (somente polícia) - Gráfico 2 e 3;
  • Perfil específico em concursos de polícias com o modelo de múltipla escolha - Gráfico 4 e 5;
  • Perfil da banca em concursos públicos recentes da área policial (modelo certo e errado e de múltipla escolha, senão a amostragem seria pequena) e a divisão de acordo somente com os temas que estavam no último edital da PC-RJ - Gráfico 6 e 7;
  • Perfil da banca nos cenários acima considerando as provas para o cargo de delegado e sem considerar as provas deste cargo;
  • Foram desprezadas as questões anuladas e desatualizadas.

Confira os Gráficos completos abaixo:

Toda essa análise do professor Igor Daltro foi baseada no livro “Como passar em provas e concursos”, de William Douglas, conhecido como "guru dos concursos públicos”. O autor menciona em seu livro que “se você treinar, poderá descobrir o que o examinador vai preferir, quais são suas estratégias, ‘cascas de banana’ e prioridades. Não é uma atividade de adivinhação, é pensar interativamente, é ser inteligente, é colocar sua capacidade intelectual e sua técnica a serviço de seus objetivos”.

Uma das técnicas de estudo descritas por Douglas e utilizada por Daltro é a intitulada “Descobrindo o que vai cair”, também chamada de “Método Mãe Dinah”. Com base nesses gráficos e algumas perguntas feitas pelo mesmo professor, podemos concluir que:

- A diferença entre a distribuição de temas nas provas de delegado e dos demais cargos não são tão significativas, em contrapartida há mudança de distribuição dos temas nos últimos anos;

- Apenas cinco temas correspondem a algo em torno de 50% das questões da banca no últimos anos;

- Ato administrativo é o tema de predileção da banca;

- Como grande novidade, licitação Pública. Nos concursos da segurança pública considerando todas as bancas o tema não possui grande destaque, porém, com a banca em análise assume condição de protagonismo e é o 2º tema mais cobrado pela banca nos últimos anos em concursos de modelo de múltipla escolha. Se somado a contratos administrativos (mesma lei para ambos os temas) giram na casa dos 20% das questões;

- O tema estatuto, em uma amostragem de 11 anos, era o mais cobrado pela banca e, embora tenha diminuído nos últimos anos, ainda é um dos mais relevantes;

- Improbidade administrativa, que sempre esteve entre os mais cobrados da banca, e poderes da Administração compõem o top 5;

- Temas habitualmente relevantes e de grande incidência em outros concursos, como organização administrativa, responsabilidade civil do Estado e serviços públicos possuem baixa incidência nos últimos anos;

- Temas como bens públicos, desapropriação, terceiro setor e outras leis de licitações são raríssimos;

- Se a lei 12.527/11, a lei de acesso à informação, pintar no seu edital, há grandes chances de uma questão sobre o tema e eu apostaria em uma questão;

- Nos últimos concursos da corporação tivemos uma boa distribuição das questões. As estatísticas se sustentam e a tendência é não termos surpresas.

Na avaliação do professor Igor Daltro, a utilização desse gráficos é importante aos concurseiros “porque representam a incidência de questões da banca na seara de concursos da segurança pública”, e que devem nortear na maratona de estudos. Por fim, ele orientou como deve ser a preparação dos candidatos aos sete cargos da Polícia Civil do Rio de Janeiro daqui para frente:

“Entendo que os candidatos devem destinar mais tempo para estudo teórico e devem fazer mais exercícios sobre estes temas, porém, jamais negligenciar os demais temas, mas apenas conferir mais atenção e ênfase”.

 

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