Professor Márcio Peixoto lista os sete erros que podem minar as chances de aprovação no concurso de investigador da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Se você está se preparando para o concurso de investigador da Polícia Civil, é bom você se policiar, literalmente, com algumas atitudes que podem custar a aprovação. Como esse deverá ser um dos cargos mais disputados no concurso PC-RJ, vale a pena ficar atento a este post. Afinal, a carreira de investigador é a única na corporação que exige o nível médio. Além disso, a última seleção aconteceu há 16 anos.
Para ajudar os futuros candidatos, o professor Márcio Peixoto, que leciona Direito Penal e Processo Penal na Degrau Cultural, listou sete erros que grande parte dos concurseiros costuma cometer durante a preparação e que devem ser evitados por aqueles que sonham em se tornar investigador da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Confira:
1 – Ficar intimidado com o número de vagas do edital
“É natural que o aluno fique intimidado com o número de vagas disponibilizado no edital. Ele fica ali se questionando: ‘Quantas pessoas vão participar do concurso?’ Apenas um exemplo: estão abertas 50 vagas, será que eu consigo, será que eu não consigo? E isso, para alguns concurseiros, vai desanimando, quando, na verdade, na maior parte das vezes, independentemente do tipo de estado, até mesmo em âmbito federal, principalmente, quando se trata de segurança pública, costumam chamar mais pessoas do que aquela indicada no edital. Isso é apenas uma precaução, qualquer administrador trabalha dessa forma. Ele acredita, de repente, que poderá contratar 500 agentes, mas a partir do momento em que ele coloca 500 vagas no edital, o concurso fica vinculado àquele número. Por questão até de prudência, o gestor público coloca no edital um quantitativo um pouco abaixo, para evitar eventuais problemas. Quando eles conseguem uma brecha orçamentária para chamar mais indivíduos, eles colocam exatamente mais pessoas para aquele determinado concurso".
2 – Não elaborar uma estatística dos assuntos mais cobrados nos últimos concursos
“Ao contrário do que se pensa a respeito dos assuntos cobrados nas disciplinas dos últimos concursos, independentemente do tipo de banca a ser contratada pela administração pública, o especialista que faz a prova é previsível. Ele não é um gênio, é uma pessoa que tem costume de seguir um padrão. Quais foram os assuntos mais cobrados, por exemplo, em Direito Constitucional? Pega as últimas quatro ou cinco provas, não só daquele estado, mas de diversos estados, aí se faz uma estatística. Por exemplo, em Direito Constitucional, todas as provas, caíram Poder Executivo, mais especificamente assuntos como impeachment. Pega-se Direito Administrativo e vai se perceber que assuntos como Administração Direta e Indireta sempre caem no concurso. E aí é preciso pontuar de que forma isso cai no concurso. Dessa forma, você chegará a um padrão. Você terá uma coluna vertebral ali, que vai servir de base para os desdobramentos de outras questões, que vai ajudá-lo a garantir, pelo menos, 60% de uma prova, pois são assuntos repetidos, eles não se modificam".
3 – Não resolver questões de prova
“Fazer questões de prova é essencial. Até reforça os erros mais cometidos, pois quando você faz muito exercício, automaticamente você consegue ter uma diretriz. Talvez, não tão precisa quanto ao erro de número 2, mas você consegue perceber que em um tipo de assunto o erro é muito corriqueiro. Você percebe também que até as pegadinhas para o exercício de prova são as mesmas. Quem costuma elaborar a prova segue um padrão e não o modifica muito. Então, a quantidade de exercícios, além de dar segurança, já prepara o candidato para a hora específica da prova. Ele aprende a ganhar tempo para responder as questões, inclusive aquelas um pouco mais complexas, como de interpretação de texto, que demandam um pouco mais de tempo”.
4 – Não ter um estudo ativo
“Normalmente, muitos concurseiros não se utilizam do estudo ativo. Mas o que seria esse estudo ativo? Na hora de aprender determinado assunto, o interessante não é você apenas escutar o professor, apenas fazer aquela leitura mental de um texto. Vale a pena pegar um assunto, de média ou alta complexidade, e procurar explicar esse assunto para um amigo ou para um grupo. Evite apenas o estudo de forma passiva. Tente reproduzir o que você aprendeu, ainda que seja para você mesma, olhando para o espelho de casa. Imagine-se como se fosse um professor, mesmo que esteja sozinho. Assim, você vai habituar seu cérebro a pensar de forma diferente e passará a utilizar outros sentidos. Dessa forma, quando ocorrer uma questão que exija um raciocínio um pouco mais rebuscado, você já está acostumado a raciocinar conforme o examinador quer".
5 – Tratar o colega de curso ou estudo como concorrente
“Quando o concurseiro passa a tratar quem está a sua volta como concorrente, ele tem ali uma limitação de informações, acaba pegando apenas aquelas informações que foram disponibilizadas pelo professor ou que buscou na internet. É diferente quando você está estudando com três, quatro pessoas, em prol de um objetivo comum. De repente, ele aprende uma nova forma de raciocínio, obtém um tipo de informação ou livro de um outro autor, com outra abordagem, que ele não tinha acesso. A troca de informações maximiza o estudo do concurseiro”.
6 – Estudar o que mais gosta ou o que é mais fácil de aprender
“É natural que o candidato se identifique com determinada disciplina e, com isso, ainda que inconscientemente, ele dedique mais tempo para o estudo daquele assunto ou matéria específica. É natural também que ocorra o contrário, ou sejam quando não se entende bem determinado assunto ou que o considere chato, o aluno o deixe de lado. Mas de repente, aquele assunto chato é justamente o assunto que, de repente, o aprovaria. Não adianta é ficar ali batendo, por exemplo, no nosso caso da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, apenas em Processo Penal. Língua Portuguesa, por exemplo, poderá representar 30%, 40% da prova. Gostando ou não gostando, é o que mais costuma cair. Ou seja, não tem jeito. Vai ter que dar um jeito de gostar da disciplina de Português. No caso de Informática, por exemplo, quem não é da área têm uma certa dificuldade em entender vários aspectos dessa ciência, mas que é de extrema importância. Dificilmente você consegue ver um concurseiro que acerte mais de 60%, 70%, das questões de uma prova de Informática. Então, aquele cara que atingir um percentual de 80% levará uma boa vantagem.”
7 – Abandonar as atividades físicas
“Concurso na área de Segurança Pública possui várias fases. Certamente, é natural que o candidato foque na prova objetiva, que é a primeira fase para os cargos de investigador, inspetor e demais cargos do concurso da Polícia Civil. É preciso focar mesmo nessa primeira fase, por que ninguém vai para a prova física se não for aprovado nela. Entretanto, a segunda etapa não tranquila. Requer outro tipo de estudo, outro tipo de preparação. Então, ficar na inércia no aspecto físico não é interessante. Não estou aqui para dizer para o sujeito ir para a academia e ficar oito horas por dia e dedicando-se uma hora para o estudo específico de uma determinada disciplina. Tudo tem que ser feito dentro de uma razoabilidade".
Outras questões envolvendo o concurso de investigador da PC-RJ
Professores sempre recomendam aos futuros candidatos que usaram o último edital como referência para a preparação. No entanto, o último concurso para investigador da Polícia Civil-RJ aconteceu em 2005. Neste caso específico, ele continua sendo uma boa referência de estudos?
Para o professor Márcio Peixoto, a melhor opção é utilizar como referência o edital do concurso para oficial de cartório, realizado em 2013. Embora o edital para papiloscopista seja um pouco mais recente (2014), na visão dele, algumas disciplinas são bem diferentes do que costuma ser cobrado em outros cargos, como o de investigador, por exemplo.
No que tange especificamente à disciplina de Direito Penal, o professor recomenda que os futuros candidatos a investigador procurem dar atenção especial aos seguintes temas: teoria do crime, crimes em espécie (homicídios), leis extravagantes, Lei Maria da Penha, crimes contra patrimônio, crimes contra a administração pública.
Já em Processo Penal, Márcio Peixoto diz que os alunos devem ficar atentos a assuntos relacionados ao Inquérito Penal e suas características, bem como ação penal pública (condicionada e incondicionada), competências, impedimentos, suspensões no âmbito das repartições policiais e no âmbito do judiciário e tipos de provas.
Se você quer obter mais dicas de preparação para o cargo de investigador, cuja remuneração é de R$5.740,38, continue acompanhando o site da Degrau Cultural. Nos próximos dias, serão publicadas mais dicas e orientações do professor Márcio Peixoto.




