Falta de manutenção da estrutura da unidade é uma das consequências do incêndio que matou três pessoas no Hospital de Bonsucesso. Baixo número de servidores é outro problema a ser resolvido pelo Ministério da Saúde.
O Prédio 1 do Hospital Federal de Bonsucesso foi atingido por um grande incêndio que teve início na manhã da última terça-feira, dia 27 de outubro. Até o momento em que esta notícia foi publicada, três pessoas, sendo duas pacientes com Covid-19 morreram em decorrência do incêndio. As chamas foram controladas por volta das 11h30 pelo Corpo de Bombeiros. Porém, mais de 24 horas depois, ainda se encontra uma coluna de fumaça saindo do prédio.
O Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência no Estado do Rio (Sindsprev RJ), o Sindicato dos Médicos do Rio, associações e conselhos profissionais já denunciavam a precariedade da estrutura de um dos principais hospitais federais do Estado:
“Foi uma tragédia anunciada. Além de o hospital não possuir rampa de acesso, as mangueiras e hidrantes não funcionavam, o que dificultou ainda mais a retirada dos pacientes e o combate ao fogo. Importante lembrar que, durante as transferências, uma paciente de 42 anos, internada com Covid, veio a falecer. Tudo isto é produto da irresponsabilidade dos governos, que nos últimos anos pouco se importaram com as vidas de servidores e pacientes", apontou Sidney Castro, diretor do Sindsprev RJ.
Leandro Monteiro, comandante-geral do Corpo de Bombeiros, declarou que o hospital possuía duas notificações e dois autos de infração junto à corporação e que já havia alertado sobre esse problema ao diretor do hospital: “É muito difícil, quase impossível, interditarmos um hospital com aproximadamente 600 leitos”, concluiu o comandante-geral.
DPU também apontava irregularidades
A Defensoria Pública da União (DPU) apresentou um relatório, em abril deste ano, elaborado com o auxílio de uma equipe de engenheiros e com o apoio do Ministério da Saúde, em que já indicava deficiências no combate a possíveis incêndios, entre eles:
- Precariedade no sistema de prevenção e combate a incêndio;
- Inexistência de plano aprovado pelo Corpo de Bombeiros;
- Falta de sistema de detecção de fumaça e sprinklers, que são os componentes que soltam água em caso de incêndio;
- Hidrantes do prédio desativados e com mangueiras danificadas;
- Transformadores Superaquecidos;
- Equipamentos de segurança obsoletos;
Outro diretor do Sindsprev RJ, Rolando Medeiros, declarou que o sindicato já havia denunciado, mais de uma vez, as irregularidades no Hospital Federal de Bonsucesso e criticou a postura do Ministério da Saúde sobre esses problemas:
“O que aconteceu em Bonsucesso nesta terça-feira foi a prova disso, mostrando que o governo pouco se preocupa com a situação de uma importante unidade de saúde como aquela, que atende milhares de pessoas de todos os pontos do Rio de Janeiro. Continuaremos denunciando e exigindo investimentos no SUS”.
Quadro reduzido de servidores é outro problema na unidade
Se não bastassem os problemas estruturais, o Hospital de Bonsucesso registra um quadro de funcionários insuficiente para atender a demanda de pacientes. O Ministério Público Federal (MPF) havia protocolado, no ano passado, um pedido para assegurar a presença de médicos nos serviços emergenciais, nas especialidades necessárias, mediante escala de serviço que deverá ser apresentada pela Direção-Geral da unidade.
Dois anos antes, a MPF ajuizou uma ação civil pública contra a União, obrigando-a a promover um novo concurso público para o provimento de cargos efetivos, a fim de substituir todos os profissionais temporários. Mas isso não ocorreu. Em 2019, o DPU realizou um levantamento em que se constatou um déficit total de 10 mil profissionais em todas unidades geridas pelo Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.
Apesar da necessidade urgente de servidores efetivos, o Ministério da Saúde optou por lançar em maio de 2020 um edital com 4.117 vagas temporárias a serem distribuídas nas nove unidades federais do Rio de Janeiro, para diversos cargos. Porém, essa seleção é alvo de denúncias de irregularidades por parte do Sindsprev RJ que aponta uma possível exclusão de cerca de 70% dos servidores que estão atualmente nesses hospitais, entre outros problemas apontados no processo em si.
No dia 15 de outubro, o Presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei no 14.072 que permite a prorrogação dos contratos de trabalho de mais de 3 mil servidores temporários para que continuem a atuar nas unidades federais fluminenses até o dia 31 de dezembro.




