Federação Nacional de Policiais Federais ressalta a importância de contratar psicólogos na corporação para suprir a falta de profissionais.
A Campanha Setembro Amarelo é o mês dedicado à conscientização à depressão, que se não receber a devida atenção pode culminar no suicídio do indivíduo. E é refletindo sobre esse problema que a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) está mobilizando a corporação para importância de se contratar mais psicólogos.
A Fenapef declarou que o suicídio ainda é tratado como tabu entre os servidores e comandos das forças de Segurança Pública no Brasil, porém, acendeu-se o sinal de alerta sobre esse problema na categoria. Nos últimos cinco anos, 50 servidores da PF, a maioria deles de policiais federais, cometeram suicídio.
Um agravante maior para essa situação, segundo a Fenapef, é a ausência de um programa de prevenção e enfrentamento aos casos de suicídios, em especial para quem já enfrenta problemas de saúde, pois o que existe, atualmente, é uma norma interna entre os órgãos da Segurança Pública estabelecendo que recolhida a arma para quem é afastado da corporação por problemas de saúde ligados à psiquiatria. Apesar dessa medida, a Fenapef avalia que ela pode aumentar ainda mais o estigma de quem está enfrentando esse problema.
Polícia Federal enfrenta déficit de psicólogos
Perdendo tantos profissionais brilhantes e capacitados pela depressão que a Fenapef criticou a falta de profissionais especializados para prestar atendimento aos servidores da PF. Em 2019, a corporação solicitou concurso para essa carreira ao Ministério da Economia, que fora rejeitado.
E segundo informações passadas pela federação, atualmente a Polícia Federal possui apenas 15 psicólogos, um número insuficiente vide o tamanho da corporação. O presidente da Fenapef, Luís Boudens, declarou que caso ocorra uma modificação no número de vagas ou cargos para o próximo concurso da corporação, autorizado extraoficialmente, as chances para haver vagas de psicólogo são bem expressivas em função da grande pressão da categoria:
“Há pesquisas internas mostrando que metade dos agentes tem ou teve sintomas de depressão. A luta vem de muitos anos e demanda da direção que se criem mecanismos para identificar o perigo e tratar os policiais, evitando essas mortes, mas é muito difícil”, complementou Boudens.
PF solicitou cinco vagas para o cargo de psicólogo, em junho
A Polícia Federal confirmou, no mês de junho, que encaminhou ao Ministério da Economia pedido para abrir 1.508 vagas para cargos da área policial e administrativa. Dentre os vários contemplados, o cargo de psicólogo está entre eles. Porém, se esse pedido for aprovado, deverão ser abertas apenas 05 vagas para a função, ou seja, claramente insuficiente segundo o diretor jurídico, Flávio Werneck:
“Nos últimos anos tivemos um significativo aumento no número de suicídios na PF. Isso se deve à falta de uma política de gestão de pessoal. Temos uma atividade que é considerada a segunda mais estafante do mundo”.
Cargos na área policial contemplados no pedido
Cargos na área administrativa contemplados no pedido
- 21 vagas de administrador, 349 vagas de agente administrativo, 08 vagas de arquivista, 10 vagas de assistente social, uma vaga de bibliotecário, 09 vagas de contador, 03 vagas de economista, 03 vagas de enfermeiro, uma vaga de engenheiro, 04 vagas de estatístico, uma vaga de farmacêutico, 65 vagas de médico, uma vaga de nutricionista, 11 vagas de odontólogo, 13 vagas de Técnico em assuntos educacionais e 03 vagas de técnico em comunicação social.




