Com o edital do concurso Polícia Federal já divulgado e o da Polícia Rodoviária Federal em vias de ser liberado, os concurseiros que acompanham o blog certamente já estão com os estudos a todo o vapor.


Pensando nisso, elaboramos um texto destrinchando os pontos principais de cada concurso e dando dicas valiosas para quem fará os concursos da PF ou da PRF – ou até mesmo os dois ao mesmo tempo. Para nos ajudar nessa missão, batemos um papo com o nosso professor de Leis Penais Especiais e agente da PF, Rodrigo Varela.


O concurso PF


Segundo o professor Varela, é fundamental que, antes de qualquer coisa, o aluno leia atentamente o edital do concurso. Afinal, antes de se jogar qualquer jogo, é preciso conhecer bem as regras. "Muitos candidatos são eliminados por problemas de entendimento do edital relacionado a datas, documentações, regulamento das provas, etc", alertou.


Os concursos para papiloscopista, escrivão e agente da Polícia Federal são compostos basicamente pelas mesmas etapas: prova objetiva, prova discursiva (texto dissertativo de 30 linhas), exame de aptidão física, avaliação médica e avaliação psicológica. Ao cargo de escrivão, especificamente, se acrescenta apenas uma prova prática de digitação.


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As provas objetivas para os três cargos são divididas em três blocos divididos em: bloco I, de 60 questões, bloco II, de 36 questões, e bloco III, de 24 questões. Os temas abordados nos blocos I e II são comuns aos três cargos. O que se modifica de fato entre as provas são as disciplinas do bloco III. Veja os temas cobrados em cada prova na tabela abaixo:



Bloco I

Bloco II

Bloco III

Agente

Língua Portuguesa; Noções de Direito Administrativo; Noções de Direito Penal; Noções de Direito Constitucional; Noções de Direito Penal e de Direito Processual Penal; Legislação Especial; Estatística; Raciocínio Lógico

Informática

Contabilidade Geral

Papiloscopista

Arquivologia; Biologia; Física; Matemática

Escrivão

Contabilidade Geral; Arquivologia



No que diz respeito às disciplinas de Direito, Varela traz boas novas para os candidatos. “As leis cobradas foram modificadas, até por uma questão de praticidade. Tiraram muitas leis que não interessavam para a prática do trabalho policial e deixaram as que realmente faziam diferença, de interesse da carreira”.


Contudo, se o aluno pretende focar quase que exclusivamente nas matérias de legislação, é melhor ir mudando o planejamento. Segundo Varela, o espaço dado a matérias como contabilidade geral e informática é muito maior em relação concursos anteriores e o aluno que não distribuir muito bem seu tempo de estudo dificilmente obterá um resultado final satisfatório.


Em relação aos critérios de avaliação e notas, a prova da PF segue o padrão de Certo e Errado da banca Cebraspe (que organiza este concurso). Cada acerto garante 1,00 ponto, cada questão sem marcação significa 0 pontos e cada questão errada anula um acerto (ou seja, -1,00 ponto). Estarão eliminados na fase objetiva do concurso os candidatos que:


- Obtiverem nota inferior a 6,00 pontos no bloco I

- Obtiverem nota inferior a 3,00 pontos no bloco II

- Obtiverem nota inferior a 2,00 pontos no bloco III

- Obtiverem nota inferior a 48,00 pontos no conjunto dos três blocos da prova objetiva


Concurso PRF

O edital do próximo concurso para agente da PRF ainda não saiu, por isso é difícil confirmar ou negar mudanças em relação ao concurso passado. Contudo, Varela não acredita em grandes mudanças na parte de Direito. Tomamos como base o edital do último concurso.


Na ocasião, o concurso foi dividido em nas seguintes etapas: prova objetiva de conhecimentos gerais, prova objetiva de conhecimentos específicos, prova discursiva (texto dissertativo de 30 linhas), exame de capacidade física, avaliação de saúde, avaliação psicológica, investigação social e (ou) funcional e Avaliação de títulos.


A prova objetiva de conhecimentos gerais teve 50 questões, enquanto a de conhecimentos específicos teve 70. A primeira prova contemplou as disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, Noções de Direito Constitucional, Ética no Serviço Público e Noções de Informática.


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A prova de Conhecimentos Específicos, por sua vez, cobrou Noções de Direito Administrativo, Noções de Direito Penal, Noções de Direito Processual Penal, Legislação Especial, Direitos Humanos e Cidadania, Legislação Relativa ao DPRF e Física Aplicada a Acidentes Rodoviários.


Vale ressaltar que no âmbito do Direito, segundo Varela, a carga de conteúdos é consideravelmente maior, não só por não haver indicativo das reduções de conteúdo feitos no atual concurso da PF, como também pelas legislações específicas que o agente rodoviário deve dominar.


A banca organizadora do concurso é mesma que está responsável pelo atual concurso da PF, o Cebraspe (à época, Cespe-UnB), o que significa que o sistema de Certo e Errado foi o mesmo. Os critérios de eliminação do candidato por nota foram:


- Nota inferior a 10,00 pontos na prova objetiva de conhecimentos básicos P1

- Nota inferior a 21,00 pontos na prova objetiva de conhecimentos específicos P2

- Nota inferior a 36,00 pontos no conjunto das provas objetivas


Para quem pretende fazer os dois concursos


Os leitores mais atentos (ou concurseiros mais experientes) já devem ter notado diversas semelhanças entre os dois concursos. Não foi só impressão.


Por serem duas corporações policiais de nível federal e terem utilizado a mesma banca nos últimos concursos, existem muitas semelhanças entre as provas de ambas as provas para agente, principalmente no que diz respeito ao conteúdo de Direito.


Tendo em vista esta situação, muitos concurseiros se interessam por se dedicar aos dois concursos simultaneamente. Para nosso professor, é uma meta bastante viável.


“As matérias do Direito basicamente são equivalentes. A divergência entre os dois editais geralmente está em alguns conteúdos específicos: matemática, física e leis de trânsito, por exemplo, caem na PRF. Já na PF, a parte de contabilidade é muito presente. O grosso do restante das matérias, incluindo os direitos, é basicamente o mesmo. Por isso costumamos dizer que quem faz um concurso, consegue fazer o outro”