Faltando praticamente dois meses para a prova do concurso TJ RJ, a preparação em Língua Portuguesa se torna decisiva — especialmente diante do perfil exigente da banca FGV (Fundação Getúlio Vargas) nesta disciplina.
Para ajudar os candidatos a técnico judiciário nesta reta final, a professora Tatiana Rodrigues, referência na disciplina, fez um raio-x completo do estilo da organizadora, apontando os assuntos mais recorrentes nas avaliações e a melhor forma de direcionar os estudos até 1º de fevereiro.
Segundo ela, compreender o modo como a FGV elabora seus enunciados e saber identificar os padrões de cobrança da banca é tão importante quanto dominar o conteúdo em si.
“O Português cobrado pela banca FGV é muito peculiar. Cobra-se não só o entendimento objetivo, mas uma compreensão que depende do conhecimento de mundo para se alcançar”, destaca.
Leia também – Concurso TCE RJ auditor: preparativos serão retomados
Nesta entrevista à reportagem da DEGRAU CULTURAL, a professor Tatiana Rodrigues detalha por que o Português pode ser o grande diferencial para quem busca uma vaga no concurso para o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e explica por que o treino de provas anteriores, especialmente das mais recentes, é uma estratégia inegociável.
A professora também comenta como a FGV tem estruturado suas questões, quais temas merecem atenção redobrada e que erros podem comprometer o desempenho do candidato. Veja a seguir:
DEGRAU CULTURAL – Acha que a disciplina de Língua Portuguesa será o ‘fiel da balança’ no concurso para técnico judiciário do concurso para o TJ RJ? Será a matéria que mais vai pesar para a conquista ou não de uma vaga?
Tatiana Rodrigues – O Português cobrado pela banca FGV é muito peculiar. Cobra-se não só o entendimento objetivo, mas uma compreensão que depende do conhecimento de mundo para se alcançar. A gramática é bastante cobrada e as pessoas sequer percebem devido à maneira de a banca elaborar os enunciados. O Português é sempre um diferencial enorme, mas, para concursos da banca FGV, é ainda mais importante. Quem não treina as provas anteriores na prática dificilmente terá chance.
Qual a melhor forma de estudar Língua Portuguesa para o concurso do TJ RJ, sabendo que a prova está agendada para o dia 1o de fevereiro? Quais as melhores estratégias de estudo, na sua visão, para serem implementadas ao longo desse período?
É necessário treinar as provas anteriores. Sugiro treinar as mais recentes primeiro (de 2025 até 2020). Assim, o candidato terá uma visão dos vários modelos de provas da banca e ter contato com questões que se repetem. A banca literalmente copia questões inteiras de concursos anteriores e as repete. Treinar as provas da banca é importante para qualquer concurso, mas, para a FGV, isso é uma urgência que deve ser colocada no planejamento, ou o candidato, de fato, não terá chance.
O concurso do TJ RJ teve organização do Cebraspe. Agora, a banca é a FGV. Na sua visão, vale a pena o candidato resolver a última prova ou é melhor ele focar apenas em provas anteriores da FGV?
As bancas, em Língua Portuguesa, não se pautam no cargo ou no órgão. Elas se baseiam simplesmente no próprio estilo de cobrança. Cebraspe e FGV são bancas com particularidades e formas de cobrar diferentes. A essa altura do campeonato, treinar provas de uma banca que não seja a FGV, com tantas provas da banca disponíveis, é perda de tempo e falta de estratégia. É necessário se acostumar com a maneira singular de a banca cobrar os conteúdos. E só o contato com as provas anteriores trará isso.
Qual é o perfil de prova da FGV e quais são os principais cuidados que os candidatos do concurso TJ RJ devem tomar ao fazer a avaliação de Língua Portuguesa desta banca?
Ultimamente , têm sido raras as provas da banca com textos grandes e muitas questões sobre o mesmo texto. A banca distribui diversos textos curtos pela prova, às vezes um texto pequeno em cada questão, o que exige compreensão variada sobre diversos tipos textuais. O grande desafio da prova de Português da FGV é o candidato entender o que está sendo pedido no enunciado. Isso gera o equívoco de acharem que a banca não cobra conteúdo gramatical, ou que tem uma compreensão textual indecifrável, o que não é verdade. É o treino de provas anteriores, de preferência com orientação de um professor que conheça a banca, que faz os enunciados serem traduzidos pelo candidato.
Das 20 questões da prova, quantas acredita que serão de interpretação de textos? E quantas de gramática?
A banca cobra uma gramática contextualizada e uma compreensão textual que depende de domínio gramatical e técnico. Ou seja: é difícil separar questões unicamente gramaticais ou unicamente interpretativas. Os dois conteúdos se unem na maioria das questões, de forma que é necessário domínio dos dois conteúdos.
Em relação à parte textual, o que a FGV vem explorando mais em suas provas e que você acredita que vai ser cobrado no concurso para técnico do TJ RJ?
É importante que o candidato domine tipologia e gêneros textuais, estratégias de manipulação (sedução, intimidação, tentação e provocação), silogismo, além de referenciação e semântica de conectivos; estrutura comparativa e explicativa.
Já em relação à parte gramatical, o que priorizar nos estudos?
Verbos; uso dos pronomes pessoais, indefinidos e relativos; crase; pontuação; orações reduzidas e desenvolvidas; fatos da Língua Portuguesa; adjunto x complemento.
Quais dicas finais você pode deixar para os candidatos, de forma que eles possam ter um excelente desempenho no concurso como um todo e não apenas em Língua Portuguesa?
O mais importante: a constância (nunca parar de estudar, ou os conteúdos são esquecidos), constantes revisões (não adianta avançar e não voltar, ou os assuntos não são fixados) e treinar muitas e muitas questões e provas anteriores. Na hora da prova, você vai enfrentar uma... prova! É isso que faz as chances, de fato, acontecerem. Além disso, perdoe-se pelo que não fez até aqui e faça o melhor que pode a partir de agora, sem parar. Vai dar certo.
Vídeo do YouTube · toque para carregar



