A migração do presencial para o online mudou a rotina de estudo de uma geração inteira de concurseiros e, com ela, criou um conjunto de hábitos que parecem produtivos, mas nem sempre são.

Assistir à aula deitado, com o celular ao lado, é diferente de assistir sentado, com caderno aberto. Acelerar o vídeo para "ganhar tempo" é diferente de simplesmente correr contra o conteúdo sem processá-lo. E é justamente nesse território, entre o que parece estudo e o que é estudo de verdade, que mora boa parte das dúvidas de quem optou por um curso preparatório online.

Vale lembrar, antes de tudo, que "estudar online" hoje engloba dois formatos bem diferentes: a aula gravada, que o aluno assiste quando quiser, e a aula ao vivo, transmitida em horário fixo, com interação em tempo real com o professor. Cada uma tem uma lógica própria de aproveitamento.

Para o diretor pedagógico do curso DEGRAU CULTURAL, Marco Brito, o problema raiz de quem não rende no online tem nome: modo passivo. "O aluno liga o vídeo, e o cérebro entende aquilo como entretenimento. É a mesma postura de quem assiste a uma série. Só que aula não é série, pois exige participação ativa. E é exatamente essa participação que, para alguns alunos, costuma faltar", explica.

A seguir, sete orientações práticas para transformar a tela do computador em uma sala de aula de verdade.

1 – Trate a aula como um compromisso com hora marcada

O primeiro erro, segundo Brito, começa antes mesmo de a aula começar: tratá-la como algo para "assistir quando sobrar tempo". No presencial, existe uma estrutura natural, tais como horário fixo, colegas, professor presente. No online, essa estrutura precisa ser criada pelo próprio aluno. "Isso exige mais organização, não menos", diz.

A recomendação do diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL é reservar um horário fixo no cronograma (se possível, o mesmo em que a aula seria dada ao vivo) para recriar artificialmente a disciplina que o presencial oferece de forma natural.

2 – Aula ao vivo ou gravada? Se possível, combine as duas!

Esse é o ponto em que os dois formatos se diferenciam mais. A aula ao vivo tem uma vantagem embutida: impõe horário e interação, o que reduz naturalmente a tentação do modo passivo. Neste formato, é possível tirar dúvida na hora, acompanhar o raciocínio do professor em tempo real e sentir o peso simbólico de "estar na aula", mesmo em casa. Para quem tem dificuldade de disciplina, costuma ser a opção mais segura.

Já a aula gravada exige mais autogestão, mas compensa em flexibilidade: pode ser pausada, retomada e encaixada em horários incomuns, o que ajuda muito quem tem rotina de trabalho instável. "Não existe formato superior, existe o que se encaixa melhor na rotina de cada aluno. O problema começa quando o aluno escolhe pela comodidade e não pela disciplina que ele sabe que tem, ou não tem", pondera Brito. “O ideal, quando o curso oferece as duas opções, como é o caso da DEGRAI CULTURAL, é usar a aula ao vivo para o primeiro contato com o conteúdo e a gravação para revisão pontual”, completou.

3 – Nunca termine a aula sem ter produzido nada

Segundo Brito, o sintoma mais claro do modo passivo é terminar o vídeo sem ter escrito, grifado ou resolvido absolutamente nada. "Se o aluno chegou ao fim da aula e o caderno dele está do jeito que estava antes, a aula não cumpriu a função. Pode até ter sido assistida, mas não foi estudada."

A orientação do especialista é pausar em momentos estratégicos para anotar e refazer o raciocínio do professor com as próprias palavras, o que vale tanto para gravada quanto para ao vivo, ainda que, nesse último caso, seja preciso anotar rápido e revisar o trecho depois, já que não dá para pausar a transmissão.

4 – Não use a aula como "som ambiente"

Um erro recorrente, segundo o direto pedagógico da DEGRAU CULTURAL, é deixar a aula rodando em segundo plano enquanto se faz outra coisa — no trajeto para o trabalho, em alguma tarefa doméstica. "Isso não é estudo, é exposição ao conteúdo. E existe uma diferença enorme entre ouvir falar de matéria e aprender matéria", diz.

Para ele, esse hábito costuma vir de boa intenção (já que o aluno quer aproveitar cada minuto do dia), mas produz uma falsa sensação de progresso. "A pessoa acha que 'já viu' aquele assunto. Na hora da questão, percebe que não reteve quase nada."

5 – Ajuste a velocidade certa para cada momento da preparação

A velocidade usada para assistir à aula, ajuda ou atrapalha? Trata-se de uma das dúvidas mais comuns entre alunos de curso online, e a resposta de Brito é direta: depende do momento, não existe regra fixa.

"Para uma primeira aula, sobre um assunto totalmente novo, acelerar demais é imprudência. O cérebro ainda está construindo o raciocínio, e correr atrapalha justamente a parte mais importante: entender a lógica, não só ouvir a informação."

Já em revisões, o cenário muda: rever uma aula em velocidade maior — 1,5x ou até 2x — pode ser produtivo, desde que o conteúdo já tenha sido compreendido antes. "Na revisão, o objetivo não é entender pela primeira vez, é reativar a memória. Aí sim, velocidade ajuda a otimizar tempo sem prejudicar o aprendizado."

O alerta do especialista é para quem usa a velocidade acelerada como atalho para "vencer" o cronograma sem, de fato, aprender. "Tem aluno que acelera a aula toda para dizer que 'terminou o curso'. Terminou de assistir, não de aprender."

6 – Resolva questões na mesma sessão de estudo

Para Brito, a aula é o ponto de partida, não o ponto de chegada. "Quem trata a aula como ponto de chegada não avança." A recomendação é sempre resolver uma leva de questões sobre o trecho recém-assistido, de preferência no mesmo dia. Isso vale tanto para quem assistiu à aula gravada quanto para quem participou da transmissão ao vivo, já que o conteúdo tende a esfriar rápido se não for testado logo.

7 – Elimine as distrações antes de apertar o play

Por fim, o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL lista um checklist simples que, segundo ele, todo aluno deveria fazer a si mesmo antes de começar: "Tenho caderno e caneta em mãos? Estou em um ambiente sem barulho ou interrupção? Decidi de antemão que vou pausar a aula sempre que precisar anotar ou refazer um raciocínio?”.

Embora este último ponto seja mais fácil de aplicar na aula gravada, também pode ser simulado na ao vivo, com pausas mentais e anotações rápidas para revisar depois. "Se a resposta para as três perguntas for sim, a aula vai render. Se for não, o aluno só vai passar o tempo — e tempo, nessa fase da vida, é o recurso mais caro que existe", resume Brito.

Vídeo do YouTube · toque para carregar