Aprovados no atual concurso da Polícia Federal formam comissão, com o objetivo de cobrar por mais nomeações além das 1.500 vagas imediatas.

O Concurso da Polícia Federal, aberto no fim de 2020, oferece um total de 1.500 vagas imediatas para os cargos de agente, escrivão, delegado e papiloscopista, todos da área policial. Porém, mesmo esse sendo um número expressivo de contratações, ele não é suficiente para a corporação preencher os 6.724 cargos atualmente vagos, do total de 10 mil cargos que compõem o efetivo da PF.

Para reduzir esse déficit de 40% quadro de pessoal, uma comissão foi formada pelos aprovados no atual Concurso PF. O objetivo desse grupo é fazer com que o Governo Federal conceda aval permitindo a nomeação de mais aprovados, muito além das vagas imediatas e das 500 vagas máximas previstas no cadastro de reserva. Segundo os integrantes da comissão, essas convocações não resolveriam o problema, mas reduziriam o déficit para cerca de 20%.

A comissão lembra que o principal órgão de segurança pública do país sofre, mensalmente, com a saída de muitos servidores, seja por motivos previdenciários, exonerações, afastamentos e óbitos:

“A Polícia Federal não é um gasto, mas sim um investimento – não só em segurança pública, mas também na recuperação de ativos ao erário. Cada real investido na PF retorna quase R$4 para o estado e mais de 31 bilhões foram retornados aos cofres públicos nos últimos 7 anos", afirma o presidente da comissão de aprovados, Victor Quevedo, que utilizou dados da ACPF como referência para fazer essa defesa.

Quevedo criticou o quantitativo de vagas autorizado pelo Ministério da Economia para a Polícia, avaliando que 1.500 vagas são capazes de suprir somente 22% da carência atual do órgão:

“Tal informação, somada ao fato de que o concurso da Polícia Federal de 2021 custou aos cofres públicos a quantia de R$17.967.877,50, bem como o lapso temporal levado para que se finalize o presente concurso, organize um novo certame e se nomeie os aprovados nesse novo concurso gera a evidência de que a convocação de todos os aprovados no concurso 2021 é a medida mais célere, econômica e com maior eficiência para resolver o problema de defasagem de servidores do órgão, sendo uma medida urgente e benéfica para a segurança pública e toda a sociedade”.

Comissão recebe apoio da Fenapef e de parlamentares

Para conseguir tornar o plano de mais convocações em realidade, a comissão de aprovados buscou o apoio de integrantes da PF e de parlamentares. Noticiamos que esses candidatos acionaram a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) para que intermediasse um contato entre eles e a Polícia Federal.    

No último dia 29 de julho, ocorreu uma reunião com a presença do presidente da Fenapef, Luís Boudens, com o diretor de gestão de pessoas da PF, Oswaldo Gomide, e mais alguns representantes do grupo de excedentes, para debater a necessidade de convocar um número maior de selecionados.

Gomide afirmou que encaminhará a demanda dos excedentes até o atual diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, que está no cargo desde abril deste ano.

Outro apoio aos aprovados vem do Congresso Nacional. A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou, no mês passado, a emenda 22 ao PLOA 2022 que prevê a convocação de mais aprovados no concurso da Polícia Federal e também do concurso PRF e Depen. A autoria dessa emenda é do deputado Nicoletti (PSL-RR).

O objetivo agora é contar com o apoio do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, para que ele consiga um decreto presidencial que permita o uso total do cadastro de reserva do Concurso PF:

“Teremos uma oportunidade de expor nossos pontos ao Ministro da Justiça – Delegado Anderson Torres – para que, junto ao executivo, haja por meio do Presidente, a publicação do decreto presidencial que altere a aplicação do artigo 39 do decreto 9.739, o qual afirma que os candidatos não classificados no dobro da quantidade de vagas, ainda que tenham atingido nota mínima, estarão automaticamente reprovados no concurso público”, afirmou Victor Quevedo.

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