Candidatos às vagas de inspetor da Polícia Civil devem se concentrar nos estudos de editais mais recentes para aproveitar os estudos de língua portuguesa, segundo o professor Tiago César.

Seguimos na série de matérias sobre o concurso da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com foco para o cargo de inspetor, que destina oportunidades para quem possui nível superior em qualquer área, com remuneração no valor de R$6.280,31. E se tem um ponto que é crucial para os candidatos terem uma perspectiva de aprovação nesse concurso, é o desempenho na prova de Língua Portuguesa.

Anteriormente, o professor Tiago César, que leciona essa disciplina no curso Degrau Cultural, já tinha indicado que o conhecimento na língua materna era essencial não somente para a prova da disciplina em si, mas também para as outras disciplinas, já que em concurso público, exige-se bastante do poder de análise, compreensão e interpretação dos textos.

Porém, há uma parcela importante de concurseiros que apresentam dificuldade em compreender a mensagem descrita em um texto. São os analfabetos funcionais. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa, em meados de 2018, três em cada dez brasileiros, com idade entre 15 a 64 anos, são analfabetos funcionais, representando cerca de 38 milhões de brasileiros.

E por incrível que pareça, há universitários que ainda lidam com uma certa dificuldade de entender a mensagem de um texto. E então, como fazer um concurso público sem compreender o que está sendo cobrado em determinada questão?

É preciso ler e despertar em si mesmo o senso crítico. Infelizmente, nosso país chegou a um ponto intolerável de disseminação de notícias absurdas que arrastam multidões. A crença no absurdo ocupou o lugar vago deixado pela falta de estrutura educacional. Conhecer a história do próprio país, as culturas existentes, tentar compreender os problemas sociais que assolam o Brasil, enfim, buscar conhecimento, por meio de fontes confiáveis e de especialistas naquela área. Chegamos a um ponto em que um cientista, por exemplo, tem menos credibilidade do que um “youtuber”. Isso é resultado de uma educação falha e nada valorizada”, afirma o professor Tiago César.

Foco em editais mais recentes

O último edital para o cargo de inspetor da Polícia Civil do RJ data de 2012, ou seja, há nove anos. Visando a preparação para o próximo concurso, o professor Tiago César reconhece que o último edital “pode dar uma base dos assuntos mais importantes e recorrentes nas provas, mas é um edital de outra banca e desatualizado em relação à reforma ortográfica”. Segundo o docente, o ideal é que os concurseiros trabalhem com editais mais recentes da área policial, de 2018 para cá, como o edital para a Polícia Civil do Espírito Santo.

Ele lembra que a reforma ortográfica nos países que tem o português como idioma oficial entrou em vigor no ano de 2016, e as recentes mudanças promovidas pela reforma, certamente, estarão presentes nas provas do próximo concurso da Polícia Civil.

O professor ainda comentou a respeito do formato das últimas provas de língua portuguesa para inspetor, que tiveram um foco maior na interpretação textual, sintaxe, utilização das palavras de acordo com o contexto, entre outros assuntos que foquem na compreensão da mensagem textual. Para Tiago César, o concurseiro deve estar preparado para tudo, e que o formato da prova objetiva, se ela será mais sobre gramática ou mais em interpretação textual, dependerá do perfil da banca organizadora que será escolhida. Assim que a Polícia Civil anunciar a banca (ou as bancas) responsável pela elaboração das etapas de avaliação, o candidato deve traçar o perfil de provas da empresa, analisar os assuntos mais recorrentes em provas de português de outros órgãos e resolver questões dessas mesmas provas exaustivamente.

Quais conteúdos têm mais chance de cair na prova?

A gama de regras e conteúdos que formam a língua portuguesa é gigantesca. Muitos assuntos poderiam ser cobrados na prova de um cargo para nível superior. Mas o professor Tiago César conseguiu afunilar os assuntos que devem ser priorizados pelos concurseiros, até que o edital desse cargo seja publicado:

  • Compreensão e interpretação de textos;
  • Semântica das conjunções;
  • Concordância;
  • Regência;
  • Crase;
  • Colocação pronominal;
  • Pontuação.

Para os concurseiros que vivem no Rio de Janeiro, e que estão cumprindo a recomendação dada pelos governos de ficarem em casa durante o período de dez dias estabelecido nas prefeituras e no Governo, o professor Tiago César aconselha aos concurseiros aproveitarem ao máximo esse período para resolverem questões anteriores, otimizar o uso dos materiais de estudo, cuidar da parte física e, quando finalmente o edital for publicado, o candidato já estará na fase de resolver questões e revisar pontos ainda com falhas.

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