Nívia Xavier, professora de Português, orienta como os candidatos a técnico de necropsia e investigador devem se preparar para se saírem bem nas provas objetivas.
Nesta sexta-feira, 5 de novembro, se comemora o Dia Nacional da Língua Portuguesa, nossa língua materna, declamada pelo poeta Olavo Bilac como “A Última Flor do Lácio”, já que teria sido o último idioma derivado do Latim. No Brasil, a Língua Portuguesa se constitui da miscigenação de palavras oriundas do português de Portugal, evidentemente, do tupi-guarani, dos dialetos africanos, do linguajar interiorano e até do “aportuguesamento” de palavras presentes em outros idiomas como o inglês e francês (como mouse e abajur, respectivamente).
O seu sistema gramatical e linguístico é considerado um dos mais complexos do mundo. Não à toa, que muitos estudantes que vão prestar vestibular e concurso públicos tropeçam em perguntas acerca do próprio idioma, por justamente não conseguirem dar conta de tantas regras e detalhes, que variam de acordo com o contexto. Apesar da dificuldade, não se pode pensar em desistir de aprender essas regras, pois essa disciplina é cobrada em TODOS os concursos públicos do Brasil e ter conhecimento sobre a língua e sua norma culta é praticamente obrigatório para ingressar em um cargo público.
Esse mandamento vale para quem irá disputar as vagas de técnico de necropsia e investigador da Polícia Civil do Rio de Janeiro, ambos voltados para quem possui nível médio de escolaridade. Diferentemente de quem possui apenas o ensino fundamental completo, por exemplo, que irão concorrer ao cargo de auxiliar de necropsia, os concorrentes com nível médio e com nível superior devem se preparar, pois Língua Portuguesa costuma ser uma “pedreira” para quem está em níveis mais avançados de escolaridade.
É o que aponta a professora Nívia Xavier, que leciona essa disciplina nos cursos preparatórios da Degrau Cultural. Para quem prestará esse e outros concursos públicos e quer se sair bem na prova de Língua Portuguesa, não há mistério. Segundo a professora: “A forma mais indicada é a tradicional receita de bolo: teoria, exercícios, revisão e exercícios, todos eles focados na banca do respectivo concurso”.
Conteúdos mais propensos a cair nas provas de nível médio
Nos editais divulgados em setembro deste ano, a disciplina de Língua Portuguesa trouxe uma enorme variedade de temas e subtemas que devem ser estudados na sua totalidade pelos concorrentes. Afinal, vai que o candidato não estudou justamente um assunto que caiu na prova, mas que estava no edital...
Porém, alguns conteúdos têm maior probabilidade de surgir no exame do que outros, dependendo de como a banca organizadora costuma elaborar esse exame. No caso dos candidatos a técnico de necropsia, a professora Nívia lista os conteúdos que devem ser estudados com mais afinco:
“Interpretação e compreensão textual – levando em consideração também o uso de linguagem denotativa e conotativa, uso de silogismos, sinônimos e antônimos –, acentuação, pontuação e ortografia, bem como sintaxe, concordância, crase e período composto. Este tem sido o padrão FGV de algum tempo. Uma ou outra questão é que foge disso”.
Para quem vai concorrer às vagas de investigador, segundo a professora, tende a ser mais propensos a cair esses mesmos conteúdos mais processo de formação de palavras, paralelismo e reescritura de frases.
Levando em consideração o número de questões sobre Língua Portuguesa, a professora Nívia Xavier fez uma previsão de como os principais conteúdos da disciplina estarão distribuídas para técnicos e investigadores. Veja a tabela!
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Técnico de Necropsia (20 questões) |
Investigador (30 questões) |
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Apesar de haver essa predileção por alguns assuntos, a professora Nívia reforça que todos os assuntos são indispensáveis nessa jornada de preparação rumo à Polícia Civil fluminense.
FGV exigirá muita leitura dos candidatos
Se a prova de Língua Portuguesa em si já não é tão fácil, no Concurso PC-RJ ela ganha um complicador por conta da banca contratada para organizá-lo: a Fundação Getúlio Vargas.
Tradicionalmente, a FGV produz enunciados bem longos, com o objetivo de analisar o foco e a capacidade de interpretar o que está descrito nesse enunciado. Infelizmente, muitos concurseiros sabem ler, mas enfrentam dificuldades em entender o que está sendo lido. E isso poderá ser fatal numa prova da FGV:
“Essas dificuldades estão presentes quando os concurseiros não sabem diferenciar a questão de interpretação textual da questão de compreensão textual. Isso acontece porque a questão de interpretação textual é mais subjetiva e superficial, enquanto a questão de compreensão textual deve ser buscada dentro do texto, observando se as palavras estão realmente escritas lá”, explica a professora Nívia.
Para simplificar esse assunto e fazer você identificar, na hora da prova, quando a banca pede para você compreender o texto ou para interpretá-lo, na própria pergunta da questão há esses sinais:
Para Compreender a questão: “O autor diz que”, “o texto diz”, “consta no texto”, etc.
Para interpretar a questão: “Com base no texto, conclui-se que...”, “infere-se que...”, “entende-se que o autor quer dizer que...”, etc.
Além dessa estratégia, a professora Nívia recomenda que o candidato faça muitos exercícios de revisão e resolva questões da própria banca de concursos passados, para não cansar a mente logo nas primeiras perguntas.
Com relação ao perfil dos conteúdos de português, Xavier afirma que, normalmente, o foco é sempre sobre os assuntos relacionados à semântica, depois, os assuntos de morfologia; e, por último, sintaxe. Ou seja, costuma-se exigir mais do candidato o conhecimento acerca do sentido de uma palavra ou expressão contido dentro de um contexto sociolinguístico.
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O que fazer até às vésperas das provas?
Os exames objetivos para técnico de necropsia e investigador irão acontecer em fevereiro do ano que vem, nos dias 6 e 13 de fevereiro de 2022, respectivamente. Nesses três meses que faltam para a realização das provas, a recomendação da nossa especialista é muito simples: “Quanto mais revisões e questões da banca o candidato fizer, mais chances de gabaritar a prova ele terá”.
Um bom desempenho na prova de Língua Portuguesa poderá levar o concorrente a se classificar ente os cem mais bem pontuados na seleção para técnico de necropsia e entre os mil investigadores que irão avançar para o Teste de Aptidão Física.
A Polícia Civil contratará, em caráter imediato, dez novos técnicos de necropsia, com remuneração de R$5.165,75. Já para o quadro de investigador, são 200 vagas, com ganhos de R$5.840,37.
EDITAL VERTICALIZADO DE TÉCNICO DE NECROPSIA




