Marcelo Barbosa, presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ressalta que um novo concurso público é importante para ampliar quadro de servidores.
Durante entrevista concedida ao Valor Econômico, no último dia 10 de dezembro, o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Barbosa, afirmou que o órgão necessita realizar um novo concurso público para ampliar o atual quadro de servidores que se encontra defasado há mais de dez anos e para dar conta das novas demandas dessa área de atuação:
“O mercado é outro, o número de regulados é outro. Entendemos as questões fiscais e o nosso papel é destacar a necessidade fundamental disso ser feito", declarou Barbosa.
Para atender à nova realidade do mercado mobiliário, a CVM encaminhou em abril deste ano um pedido de concurso ao Ministério da Economia para contratar 121 novos profissionais. O destaque desse próximo concurso será a carreira de agente executivo, com 49 vagas destinadas a quem possui nível médio e tem remuneração inicial de R$7.647,98 (valor que já inclui R$458 de auxílio-alimentação).
Também há oportunidades previstas para cargos de nível superior, como inspetor (24 vagas) e analista (48 vagas). A primeira carreira exige nível superior em qualquer área, enquanto a segunda será para cursos específicos a serem definidos quando o pedido for autorizado. Na seleção de 2010, o último do CVM, as vagas de analista foram destinadas a graduados em Contabilidade, Recursos Humanos, Arquivologia e Biblioteconomia. Esses dois cargos contam com remuneração de R$19.655,06, também incluindo o auxílio-alimentação.
Porém, essas 121 vagas solicitadas são inferiores à real necessidade do órgão regulador. Segundo dados disponíveis no site da instituição, no primeiro semestre de 2021 havia um déficit de 168 servidores nestas três carreiras, sendo 100 agentes executivos, 21 analistas e 47 inspetores. Dessa forma, o órgão precisaria ter um cadastro de reserva autorizado para chamar os aprovados além das vagas imediatas para atender à necessidade.
Em anos anteriores, a CVM havia feitos várias tentativas para abrir um novo concurso, porém, em nenhuma delas houve autorização por parte do Ministério da Economia. Segundo o chefe da pasta, Ministro Paulo Guedes, não foi possível atender aos pedidos enviados em 2019 e 2020 devido a indisponibilidade no orçamento.
Sabendo que a CVM possui um quadro de pessoal 30% inferior ao estabelecido em lei, que o último concurso aconteceu em 2010 e sabendo da importância estratégia que a CVM na política econômica do país, entre outros fatores, aumentam as chances de autorização para esse novo concurso público.
Rio de Janeiro terá prioridade na oferta de vagas
Além de detalhar os cargos em que pretende destinar as vagas que serão autorizadas, a CVM informou no pedido enviado ao Ministério da Economia que a maior parte das oportunidades será para o Estado a qual está sediada: o Rio de Janeiro. A sede da comissão se encontra no Edifício Cidade do Carmo, localizado na Rua Sete de Setembro, centro da capital do estado.
Isso também aconteceu no concurso de 2010, quando 132 das 150 vagas totais oferecidas para os mesmos três cargos do próximo concurso foram direcionadas ao território fluminense, enquanto as 18 vagas restantes foram para o Estado de São Paulo.
A organização do último Concurso CVM ficou a cargo da Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf). A banca avaliou os mais de 30 mil concorrentes da época por meio de provas objetiva e de redação. Confira abaixo as disciplinas cobradas nas provas para nível médio e nível superior:
Prova de Agentes Executivos: Língua Portuguesa, Conhecimentos Contemporâneos, Estrutura do Mercado de Valores Mobiliários, Conhecimentos Básicos de Administração e Administração Pública.
Prova de Inspetor e Analista: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática Financeira, Estrutura do Mercado de Valores Mobiliários, Contabilidade, Auditoria e Funcionamento do Mercado de Valores Mobiliários e Economia, entre outros.




