Celia Carvalho, que há 26 anos atua como agente executivo, fala sobre as atribuições da carreira e de como é trabalhar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Embora o concurso CVM ainda não tenha sido autorizado, muitas pessoas já iniciaram a preparação visando a uma vaga na autarquia federal, que é vinculada ao Ministério da Economia. A carreira de agente executivo, por exigir apenas o nível médio e contar com remuneração de R$7.647,98, é a que desparta mais interesse entre os concurseiros.

Para contar um pouco sobre o trabalho na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobretudo sobre o dia a dia de um agente executivo, a Degrau entrevistou Celia Carvalho, que há 26 anos atua na sede da autarquia, no Rio de Janeiro.

Celia Carvalho falou sobre os atrativos de se trabalhar na CVM, as atribuições desenvolvidas pelo agente executivo, horário de trabalho, possibilidade de crescimento profissional e muito mais. “A CVM é um bom órgão para o desenvolvimento profissional e também nas relações interpessoais”, afirmou.

Confira a seguir a entrevista com a agente executiva da CVM e saiba tudo o que você precisa saber sobre a carreira e a autarquia:

Degrau Cultural - Como foi a sua preparação para o concurso da CVM?

Celia Carvalho - Sou do concurso de 1994. Tive de estabelecer metas pessoais diárias, tinha filhos pequenos. Não fiz curso preparatório. Estudava no mínimo três horas por dia com foco no conteúdo programático.

Abdicou de muitas coisas para estudar?

Sim, pois ter meta é importante para quem almeja uma colocação. É compreender que é necessário renunciar alguns prazeres por um período. E quanto mais tempo se dedicar a este momento, menos tempo ele irá durar.

O que mudou na sua vida depois que conseguiu a aprovação no concurso da CVM?

A certeza do emprego e do salário mensal dá tranquilidade e te possibilita planejamentos a médio e longo prazo. Você sabe que poderá assumir compromissos e cumpri-los.

Além da estabilidade e remuneração, quais outros atrativos você pode destacar de se trabalhar na CVM?

Estar numa autarquia que tem o respeito e reconhecimento pelos serviços prestados é bastante satisfatório. A CVM está sempre buscando melhorias no ambiente de trabalho e na qualidade de vida dos servidores.  A possibilidade treinamento e qualificação profissional é muito importante.

Há quantos anos você trabalha na CVM?

Esse ano completo 26 anos de CVM. Sempre trabalhei na sede, no Rio de Janeiro.

Na sua visão, para trabalhar na CVM é preciso ter um perfil específico? Considera importante gostar do mercado de capitais?

Não precisa um perfil específico, mas ser organizado e focado, saber definir e gerenciar metas e ter uma comunicação eficiente são fatores que ajudarão bastante. Conhecer o que é mercado de capitais é o suficiente, pois não necessariamente o servidor irá trabalhar na área fim da CVM.

Antes de ingressar na CVM, você entendia como funcionava o mercado de capitais?

Sim, já tinha me formado em Administração, o que me deu oportunidade de conhecer o mercado financeiro e de capitais.

Após tomar posse, o servidor passa por algum processo de treinamento e ambientação?

Sim. Nos últimos concursos principalmente, tem havido um trabalho de ambientação com apresentação das áreas de lotação e treinamentos internos no primeiro momento.

Como é o dia a dia de um agente executivo?

As tarefas são múltiplas e irá se diferenciar tanto no aspecto técnico, quanto na dinâmica, conforme a lotação do servidor. As atribuições do agente executivo envolvem também o apoio técnico e administrativo aos analistas, inspetores e procuradores na CVM. O agente poderá desenvolver atividades especializadas ou não, como elaboração e monitoramento do orçamento da CVM, gestão de aposentadorias e pensões, elaboração de termo de referência ou projetos básicos para compras de produtos, verificação da regularidade e tempestividade de documentação de companhias abertas, fundos de investimentos, auditores independentes e outros. Ele também poderá realizar condução de inquéritos, controle e gestão de termo de compromisso, processos de diligência ou investigação internacional, gestão de sistemas de registros funcionais de servidores, arquivos, prestação de informação especializada ao público, supervisão da execução de atividades de suporte e apoio técnico terceirizados, entre outras atividades inerentes ao cargo.

Existe um horário fixo de trabalho ou há flexibilidade?

O horário é fixo, das 9h às 18h. No entanto, se há uma eventual necessidade de flexibilização de horário do servidor, seja por estudo ou qualquer outra necessidade, a administração está pronta a analisar, desde que cumpra a carga horária.

A CVM investe bastante na capacitação dos seus servidores? A autarquia paga cursos para os servidores?

Há investimento na capacitação dos servidores com ofertas de cursos internos, que são ministrados por servidores ou por terceirizados. Também fazemos cursos externos que são analisados pelo setor de treinamento e custeado todo ou em parte pela CVM. Estamos atualmente com cursos internos de especialização.  Queremos que nossa carreira seja mantida como típica de estado. O SindCVM tem se empenhado nesta luta. E acreditamos ser possível, assim como o subsídio que foi uma conquista do nosso sindicato.

Muitos servidores concursados ocupam cargos de chefia e cargos comissionados?

Um servidor capacitado representa para a autarquia mais valores agregados. Assim é aberta oportunidade de crescimento e desenvolvimento profissional na CVM. Vários agentes executivos já exerceram e exercem cargos de função como de gerente assistente técnico e coordenador, porque refletem capacidade técnica, muitas vezes especializadas e gerenciais.

Qual mensagem você pode deixar para aqueles, que como você, pretendem ingressar na CVM?

Acredite em sua capacidade e invista na preparação. A CVM é um bom órgão para o desenvolvimento profissional e também nas relações interpessoais. Não é uma questão de sorte, mas de esforço que renderá bons frutos.

Papel estratégico pode favorecer abertura de concurso

O papel estratégico da Comissão de Valores Mobiliário (CVM) no cenário econômico do Brasil pode ser um fator determinante para que a autarquia consiga obter autorização do governo federal para abrir concurso em 2022. A instituições solicitou ao Ministério da Economia sinal verde para contratar a 121 novos servidores para as carreiras de agente executivo (49), inspetor (24) e analista (48).

Responsável por regular e fiscalizar o mercado de financeiro e de capitais, a autarquia vem tendo dificuldades de regular o setor em função da grande carência de pessoal. Nos últimos anos, a CVM não vem conseguindo monitorar e punir infrações do mercado financeiro e, por isso, constantemente vem sendo acusada de só agir depois que os problemas já aconteceram. Enquanto o setor cresceu, o quadro de servidores da autarquia encolheu.

Sem abrir concurso desde 2010, a CVM vem tendo seu quadro encolhido em função das aposentadorias. Por lei, a autarquia poderia ter 588 servidores nas carreiras de agente executivo, inspetor e analista, mas possui atualmente 421 na ativa. Ou seja, 30% do quadro considerado ideal está vago.

O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores da CVM (SindCVM), Hertz Viana Leal, falou sobre as consequências da falta de pessoal na autarquia. “A consequência é o possível aumento de fraudes, o que causaria sérios prejuízos à economia nacional. O papel de ‘xerife do mercado’ atribuído à autarquia precisa ser muito bem desempenhado porque é o que dá confiança aos investidores e faz girar a economia, garantindo a saúde financeira das empresas e a geração de empregos.”

Em função disso, cresce a expectativa de que o Ministério da Economia possa autorizar o concurso CVM. Para concorrer a uma vaga de agente executivo é necessário ter o nível médio. Atualmente, a remuneração da carreira é de R$7.647,98.

Já para as funções de inspetor e analista, cujos ganhos são de R$19.655,06, a exigência é o nível superior. Para esta última carreira costuma-se exigir formações específicas. No último concurso, de 2010, as vagas foram para graduados em Contabilidade, Recursos Humanos, Arquivologia e Biblioteconomia.

 

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