Segundo o nutricionista Diogo Rodrigues, o consumo moderado de chocolate ajudam na redução do estresse e favorece o trabalho de memorização do cérebro.

A Páscoa está chegando, época do ano em que o chocolate é mais consumido, seja em formato do ovo de páscoa, barra de chocolate, bombons, entre outras guloseimas. Mas no resto do ano, ele costuma fazer parte da rotina de quem passa horas do seu dia estudando para concursos públicos.  

O doce oriundo do cacau, inventado pela civilização Olmeca em 1.500 a.c., que habitava a região do México na antiguidade, e desenvolvido pelos europeus nos séculos XVII e XVIII, não serve apenas para presentear a quem se ama, em celebrações como casamentos e aniversários, também é um importante nutriente de energia para quem precisa se manter em alerta e concentrado durante muito tempo. É o que explica o professor e nutricionista Diogo Rodrigues:

O chocolate possui vitaminas, minerais, antioxidantes, flavonóides, teobromina e outros fitoquímicos que agem melhorando a circulação sanguínea, atuando na neuroinflamação, diminuindo o estresse oxidativo, fatores esses que tendem a melhorar a qualidade e capacidade dos neurônios, seja em suas conexões via sinapses, seja em termos de longevidade e eficiência”.

O especialista explica também que a sensação de recompensa que o chocolate traz quem o consome, repercute em neurotransmissores responsáveis pela felicidade e bem estar, como a dopamina e a serotonina.

Alguns métodos de estudo, como a Técnica Pomodoro, por exemplo, incentiva que quem está se preparando para concursos faça intervalos curtos entre um tempo de estudo e outro, e o que dá margem que o chocolate seja mesmo essa recompensa que o candidato se dá após cumprir as metas estabelecidas naquele tempo de estudo.

A fala de Diogo vai de encontro a um artigo científico publicado na Frontiers em que destaca que, por conta do envelhecimento da população mundial e o aumento de doenças neurodegenerativas, como a demência, que diminuem o poder cognitivo (compreensão humana), alguns alimentos funcionais podem gerar efeitos biológicos positivo por meio dos flavonóides. Eles são bioativos derivados de diversas plantas, entre elas, a semente do cacau, e seus efeitos geram ganhos significativos na memória, como em atenção, retenção de dados visuais e rapidez do pensamento.

Qual o tipo de chocolate que traz mais benefícios nos estudos?

Nesse mundo capitalista, não há apenas um tipo único de chocolate disponível nas prateleiras do supermercado. Porém, dentre uma variedade de produtos, é preciso discernir qual tipo de chocolate é o mais saudável e traz maiores ganhos para quem precisa se manter focado nos estudos.

Na avaliação do professor Diogo Rodrigues, quanto maior for a concentração de cacau em um chocolate, mais benefícios o organismo humano recebe. “Com isso, podemos concluir que chocolates que apresentam um teor de cacau igual ou acima de 70% tendem a se destacar no quesito saúde cognitiva”.

Dentre eles, está o chocolate amargo, que apresenta 70% ou mais de cacau em sua composição. O meio amargo fica em segundo lugar, com 40% a 60% de cacau.

Já os chocolates com maior concentração de leite e de açúcar, como o chocolate branco, devem ser evitados, por serem mais calóricos, o que acaba prejudicando na concentração dos estudos e trazendo outros malefícios à saúde.

Chocolate em excesso gera efeito reverso

No entanto, os concurseiros não devem pensar que só porque o chocolate pode ajudá-lo a memorizar todos os conteúdos que estarão no edital de soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro, por exemplo, que podem consumir o doce em grande quantidade e frequência. Afinal, tudo em excesso faz mal:

Como o chocolate, mesmo o meio amargo, pode apresentar açúcar e gordura saturada de forma significativa, há possibilidades de ocorrer picos de insulina e um alto consumo de calorias, favorecendo a obesidade e a resistência à insulina. Além disso, embora presente em pequenas quantidades, a cafeína está presente no chocolate e pode causar efeitos adversos em quem possui sensibilidade, tais como ansiedade, inquietação e perda do foco”.

Diogo acrescenta que os concurseiros precisam mesmo é de apenas se manterem focados durante os estudos e essa "aceleração" no sistema nervoso central gerado pelo elevado consumo de cafeína presente no chocolate pode causar estresse, enxaqueca e uma fadiga acentuada, ao contrário do que muitos pensam.

Já um estudo publicado no jornal britânico The Telegraph, recomenda que quem vai prestar concursos públicos e vestibulares comam chocolate apenas uma vez por semana, o que proporciona uma melhora no raciocínio abstrato e aumenta a capacidade de memorização. Por isso, nesta Páscoa, está permitido saborear essa sobremesa tão apreciada no mundo todo, com bastante moderação.  

 

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