Cotada para ser a banca do concurso da Polícia Civil RJ, FGV ganhou a fama de elaborar provas com perfil mais duro e com enunciados mais longos.
O que os concursos de oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Defensoria Pública do Estado do Rio têm em comum, além do estado da federação? A mesma banca organizadora: a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Essa importante instituição nacional, fundada em dezembro de 1944, ainda sob o governo do presidente a qual leva o nome, possui muita experiência na organização e gestão de exames e concursos, seja na administração pública ou na iniciativa privada. E mesmo que ela não seja das bancas mais recorrentes em concursos, a FGV permanece apresentando suas propostas, a fim de que os órgãos públicos se interessem em contratá-la. Como é o caso da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que poderá escolher a FGV para organizar o concurso para os cargos de auxiliar de necropsia, técnico de necropsia, investigador, inspetor, perito criminal e perito legista, após cancelar a contratação do Cebraspe.
Sendo a FGV ou não, o importante é conhecer como a empresa costuma elaborar as provas, para você conseguir encontrar os caminhos para obter a aprovação nesse certame. Sendo assim, separamos cinco dicas que serão fundamentais para quem for prestar qualquer concurso da Fundação Getúlio Vargas.
1 – Reforce o seu hábito de leitura
A principal característica das provas elaboradas pela FGV é o tamanho das questões. Antes de fazer a pergunta, a banca elabora um enunciado bastante longo, feito propositalmente para testar a capacidade de interpretação textual do candidato e sua resistência mental e física. Não é à toa que muitos concurseiros saem com a vista cansada depois das suas provas.
Mas isso acontece por que a leitura não é constante na vida deles, ou é feita de forma acelerada e segmentada, ou seja, feita por partes.
É possível que surjam algumas questões que cobram meramente a teoria, sendo necessário apenas memorizar o conteúdo. Porém, e na maioria das vezes, as questões são mais complexas e demandam uma maior interpretação, contextualização e conhecimento mais aprofundado das disciplinas, além de uma capacidade de resolver os problemas apresentados na prova. Isso será fundamental na prova de Língua Portuguesa, em que a compreensão dos textos será mais cobrada do que os conhecimentos gramaticais.
Como na vida escolar todo o aprendizado começa pela leitura, a principal estratégia para não ser derrubado em um concurso elaborado pela FGV é lendo, lendo muito, mas não de qualquer jeito, e sim de forma atenta ao que está sendo descrito, até mesmo nas entrelinhas.
2 – Pratique as provas anteriores
Se essa dica é dada para todas as bancas, é óbvio que ela não poderia ficar de fora para quem terá a FGV pela frente. Somente dessa forma o concurseiro conseguirá se familiarizar com os “Golias” criados pela banca nos concursos públicos.
Você pode encontrar diversas provas produzidas pela FGV na área de concursos realizados presente no site da empresa. Mas atenção!!! Dê preferência pelas provas de concursos voltados para a mesma área. Ou seja, se a FGV for declarada, oficialmente, o concurso da Polícia Civil do Rio de Janeiro, prefira treinar por provas da área de segurança pública ou mesmo para tribunais.
3 – Faça simulados
Vamos supor que a FGV foi definida como a banca da seleção para os seis cargos da Polícia Civil fluminense. A partir daí, você deverá reservar um dia da semana (até dois dias, quando as provas estiverem mais próximas), para fazer simulados focados nessa banca.
Conforme explicitamos na dica 2, quanto mais você exercitar por meio de simulados e provas anteriores, mais você estará preparado para enfrentar as longas questões da FGV quando for para valer. Além disso, o simulado é importante para você identificar seus pontos fortes e onde você precisa melhorar até o dia do exame. E isso te ajudará a reorganizar o seu plano de estudos, dando atenção especial nos conteúdos e/ou disciplinas que mais te fragilizam.
4 – Informe-se das atualizações de alguns conteúdos
Ao refazer provas anteriores, você identificará que alguns conteúdos se repetem em provas produzidas pela FGV, demonstrando que, muito provavelmente, um determinado assunto irá aparecer no seu caderno de provas.
Porém, é preciso ter cautela, especialmente com os assuntos da área de Direito, seja Penal, Constitucional ou Administrativo, pois elas passam por recorrentes atualizações e mudanças e você precisa estar por dentro de todas elas, antes de se basear no que foi cobrado no passado pela FGV.
Uma das mais recentes e importantes atualizações foi a da Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei 14.133/21), que foi aprovada no primeiro trimestre deste ano. É bem possível que você encontre as mudanças aplicadas nessa lei em alguma prova gerida pela FGV.
- Leia também: Como a nova lei de licitações se aplica nas provas do concurso público, com o professor Igor Daltro.
5 – Fique atento ao perfil de cada disciplina
Em todas as disciplinas, os concurseiros podem esperar enunciados grandes para responder questões de nível elevado. Porém, é preciso ficar atento às especificidades da FGV em cada uma das disciplinas a serem cobradas.
Por exemplo, conforme já mencionado, a prova de Língua Portuguesa vai muito além das regras gramaticais, exigindo que o concorrente leia e interprete o que aquele enunciado quer dizer. Sendo assim, recomenda-se revisar figuras de linguagem, gêneros textuais, regras de sintaxe, entre outras.
Matemática: para a área policial, em especial para cargos de nível fundamental e médio, como é o caso de auxiliar e técnico de necropsia da Polícia Civil RJ, por exemplo, o professor Thiago Nicol, que leciona a disciplina na Degrau Cultural, aponta para uma prova voltada para regra de três e porcentagem, podendo cair geometria e análise combinatória, se for o caso. Ele acredita que essa prova terá alto grau de exigência do assunto.
Direito Administrativo: A FGV é a banca predileta do professor Igor Daltro. Segundo ele, os candidatos podem esperar por uma prova são as mais bem elaboradas, trazendo casos concretos e recentes, e exigindo que o concorrente adeque o caso concreto a uma das alternativas na prova. O professor elogia o fato da FGV não trabalha com conceitos, com as temidas pegadinhas, focando bastante na literalidade da lei, e trazendo questões com profundidade, que levam o candidato a refletir para poder responder.
Direito Penal, Processual Penal e Leis Extravagantes: Segundo o professor Jackson Santos, que também atua na Degrau, a FGV gosta de cobrar muita doutrina e jurisprudência, sem contar que ela cobra que o concurseiro tenha total atenção à literalidade da lei.




