Entenda como funciona a mente de uma pessoa com grau elevado de inteligência e se esse fato pode ser um empecilho para ela prestar concursos públicos.
Um concurso público pode ser entendido como uma competição, em que vários indivíduos com visões de mundo, formação escolar e rotina de preparação distintos disputam uma vaga no serviço público. Há casos de concursos em que há uma centenas de inscritos concorrendo a uma única vaga imediata. Para conquistar essa única vaga, é preciso se dedicar com muito afinco diariamente para atingir a maior nota entre todos os concorrentes.
Mas dentro dessa “competição” democrática, é possível que haja participantes com um grau elevado de inteligência, os chamados superdotados. Se por acaso essa pessoa decida prestar um concurso público, será que ela teria mais chances de conseguir a aprovação graças a sua condição intelectual? A presença dela em um certame poderia ser entendida como desleal diante dos demais concurseiros que não são superdotados?
Antes de responder as essas dúvidas, é preciso entender basicamente as características de uma pessoa superdotada e como essa pessoa convive com elas.
As características de uma pessoa com superdotação?
Ao invés de ser entendida como uma competência que pode ser adquirida com o passar do tempo, o fato de um indivíduo ter Altas Habilidades é entendido por especialistas como uma aptidão nata, ou seja, a criança nasce superdotada. Essas habilidades se manifestam logo nos primeiros anos de vida, quando a criança começa a aprender a andar, a se comunicar e quando ingressar na escola.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo National Institute of Mental Health (NIMH), nos Estados Unidos, o córtex cerebral de crianças com Quociente Intelectual (QI) elevado o córtex cerebral atingiam a espessura máxima mais tarde do que a média das outras, e a maturação ocorria de uma forma bem mais rápida. Basicamente, o córtex é a parte do cérebro que trabalha o planejamento, organização, controle e outras funções de alto nível de complexidade.
Desta forma, além de terem a capacidade de resolverem questões complexas para uma mente comum, esses indíviduos são capazes de:
- Facilidade de concentração;
- Autonomia;
- Interesse em saber sobre áreas e tópicos diversos;
- Iniciativa e liderança;
- Vocabulário avançado e riqueza de expressão verbal;
- Habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas e perceber a discrepância entre ideias;
- Facilidade de interagir com crianças mais velhas ou com adultos;
- Interesse por leitura;
- Criação de meios pessoais para encontrar a solução de problemas.
Apesar dessa condição vir de traços genéticos, quem é superdotado precisa desenvolver-se em um ambiente que possibilite condições para exercer suas capacidades de forma adequada, caso contrário, todo esse talento não será bem aproveitado.
De acordo com a professora Alessandra Fernandes, existe atualmente na Lei de Diretrizes e Bases sobre a Educação Brasileiro um direcionamento para que se tenha um cadastro para alunos superdotados. Isso está descrito no artigo 59:
“O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com alta habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse aluno”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 5% da população mundial têm algum tipo de alta habilidade ou superdotação. Já no Brasil, de acordo com o Censo Escolar 2020, 24.424 estudantes apresentam altas habilidades/superdotação matriculados na educação especial. Porém, o Ministério da Educação revelou à Agência Brasil que “se forem considerados os mais de 47 milhões de alunos da educação básica, cerca de 2,3 milhões de estudantes devem compor esse grupo”.
Existe vantagem para um concurseiro super dotado?
Apesar dessas habilidades terem maior incidência na infância, a professora Alessandra Fernandes afirma que uma pessoa com super dotação pode se destacar em qualquer fase da vida. Um exemplo famoso é do humorista e apresentador Jô Soares, que faleceu no último dia 5 de agosto. No teste de QI Wais, o mais utilizado no mundo, Jô havia atingido 156 pontos (99,9%). Não à toa que ele se destacou no entretenimento, na comédia, na direção teatral, na literatura, até mesmo nas artes plásticas.
Com isso, um adulto que decide prestar um concurso público ainda trazem consigo competências extraordinárias que surgiram quando criança. E respondendo à pergunta feita no início da matéria, essa pessoa pode, sim, se sobressaírem em relação aos outros concorrentes a uma vaga no serviço público:
“Normalmente, encontramos muitos nas Graduação de universidades públicas e títulos mais avançados, chegando até a PHDs. Consumam se destacar pela inteligência, mas têm alguns com problemas para se relacionarem”, acrescentou a professora Alessandra.
A especialista pondera ainda que um candidato com QI elevado não deve se acomodar, pois em concurso público não basta apenas ser muito inteligente para conquistar a aprovação. Em uma seleção que atraia um grande número de inscritos, como o do Concurso INSS, por exemplo, esse candidato precisa cumprir uma rotina de estudos, lendo a teoria e resolvendo exercícios direcionados ao concursos. Mas nada impede que ele participe desse tipo de processo de seleção.
E quanto aos outros candidatos, eles não devem pensar que estarão desvantagem em disputar as vagas com um candidato com super dotação, pois como dito antes, a inteligência é apenas um dos fatores que permitem que uma pessoa conquiste ou não a classificação na prova objetiva. Disciplina, foco, dedicação e renúncia são habilidades que podem ser desenvolvidas ao longo da vida de qualquer ser humano.
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