Aos concurseiros que carregam dentro de si grandes traumas de concursos anteriores, há quatro fundamentos do medo que podem ser vencidos. Veja!
Em um concurso público existem dois extremos: há aqueles que conseguem a aprovação nas fases de avaliação, e posteriormente, conquistam uma das vagas reservadas pelo órgão público. E há também aqueles que, mesmo durante meses, até anos, de preparação, não atingem a meta mínima para conseguirem a aprovação. E certamente, esse resultado negativo afeta o psicológico de um concurseiro, que não se sente mais confiante para prestar mais nenhum concurso e alimentando em seu íntimo um grande medo desse processo.
Aqui, o medo é um inimigo poderoso contra quem deseja prestar um concurso público, pois ele paralisa e limita o concurseiro durante a preparação e na hora de realização das provas. É aquela velha máxima muito proferida por narradores esportivos: o medo de errar tira a chance de acertar. A ansiedade no dia da prova é algo super normal. Quem nunca se sentiu assim, jamais prestou um concurso de forma verdadeira. Porém, sentir medo na hora em que você recebe o caderno com todas aquelas perguntas esperando você respondê-las não é um bom negócio. E dependendo do nível do seu medo, você pode sair do local da prova sem ter conseguido responder nenhuma questão
O medo, para quem não sabe ou que possui algumas dúvidas, é um instinto natural de defesa do nosso organismo para nos proteger de alguma situação muito perigosa, porém, quando se torna irracional, ou cresça de forma exacerbada, transforma-se em fobia (palavra grega que significa “medo” ou “horror"). E essa fobia pode te paralisar e impedir de seguir tentando até conseguir a aprovação no concurso.
E como derrotá-lo?
O psiquiatra chileno Sergio Peña y Lillo (1932-2012) defende que existem quatro fundamentos psicológicos para o medo que vão ser detalhadas ao longo dessa matéria e que apresentaremos as formas como vencer esses fundamentos:
- Antecipação imaginária;
- Contaminação do presente com o passado;
- Resistência ao sofrimento;
- Desejo e ambição.
Antecipação Imaginária
Nesse primeiro item, o concurseiro alimenta um pensamento pessimista e de autossabotagem, fazendo para si mesmo as seguintes perguntas: “E se eu não der conta de estudar toda a matéria?”, “e se me der um branco na hora da prova?”, “e se cair justamente o tema que tenho mais dificuldade na prova discursiva?”, “e se eu reprovar de novo?”.
É necessário, sim, o candidato estar preparado para todas as situações prováveis para o dia das provas, porém, existe uma linha tênue entre o realismo e o pessimismo, e isso amplia o sentimento de medo, que atrapalhará seu desempenho na prova.
Para vencê-lo, é preciso que o indivíduo pense que o futuro ainda não chegou e ele você ainda não está lá. Portanto, é preciso se dedicar muito aos estudos e para reverter esse tipo de pensamento. Quanto mais você se alimentar dos conteúdos exigidos pelo edital, mais preparado você estará no dia da prova, e consequentemente, pensamentos positivos tomarão lugar dos pensamentos mais pessimistas.
- LEIA TAMBÉM: Como superar a reprovação em um concurso público?
Contaminação do presente com o passado
É óbvio que quem vai prestar um concurso público ou um vestibular teme pela reprovação. Agora, esse medo tem a face de um “IT, a Coisa” quando você é reprovado por mais de uma, duas, até três vezes. A mente humana costuma fixar os acontecimentos vividos, inclusive aqueles menos agradáveis, e nesse sentido, podem surgir medos futuros de visões distorcidas da realidade.
Para superar os traumas do passados, o concurseiros devem combater a passividade do nosso psiquismo, procurar esquecer um pouco o que já passou e parar de contaminar as novas experiências com aquilo que já passou. E lembre-se que a derrota ensina mais do que a vitória, portanto, você certamente recebeu lições importantes para tentar mais uma vez, quantas vezes forem necessárias, até ser aprovado.
Resistência ao sofrimento
O medo também nasce da resistência ao sentimento de dor, seja ele físico ou emocional. No âmbito dos concursos, pensamos que somos capazes de dominar todo o edital, decorar todas as leis e conseguir gabaritar nas provas. Porém, não somos super-heróis, muito menos supercomputadores. Temos limitações, e se não forem trabalhadas com a devida atenção, pode nos causar sofrimento e nos levar ao medo de tentar passar no concurso.
Portanto, concurseiro, para impedir que esse sentimento surja, entenda que você pode ser reprovado mesmo, é uma possibilidade para todos os inscritos. Ou mesmo o concurso pode ser adiado e suspenso, atrasando o seu ingresso no serviço público. Se parares de resistir ao medo, ele diminui e, assim, você dá chance para vivenciar experiências de crescimento e de amadurecimento.
Agora, não confunda comodismo com resiliência. Esse último sentimento permite a qualquer pessoa viver momentos de extrema dificuldade, e mesmo assim, se mantem de pé, firme em busca dos seus propósitos.
Desejo e ambição
Por fim, muitos concurseiros temem perder aquilo que ainda não conquistaram. Ao prestar um concurso públicos, é comum imaginar como seria a vida trabalhando em determinado cargo, principalmente, imaginando o salário que esse cargo irá proporcionar, na vida nova que terá a partir do concurso, entre outras coisas. É vislumbrar esse futuro que muitos concurseiros podem cair na armadilha criada pelo medo de perder tudo isso que está somente na sua cabeça.
Sendo assim, é necessário o candidato deve conservar aquilo que o psiquiatra Sergio Peña y Lillo chama de “sutil distanciamento emocional”, considerado por ele como o melhor antídoto contra o medo. Esse distanciamento acaba com a percepção de que somos dependentes daquele objetivo (a vida após a aprovação no concurso) e permite ao concurseiro estar livre para vivenciar o processo de preparação e construir, dia após dia, a sua nova vida pós-concurso.
Tente colocar essas quatro dicas em prática, concurseiro, para você conseguir impedir que o medo siga atrapalhando o seu progresso. Agora, se nenhuma dessas dicas surtirem efeito, recomendamos você procurar ajuda psiquiátrica para trabalhar esse sentimento e seguir firme rumo à aprovação.
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