Especialista explica os fatores que podem causar a enxaqueca durante os estudos e dá cinco dicas de como combate-la para que não atrapalhe o desempenho intelectual.

É sabido que a preparação para um concurso público requer muita atenção e foco para que o candidato consiga assimilar bem as informações e regras que poderão cair nos exames avaliativos. Mas como manter o cérebro concentrado na hora dos estudos sendo bombardeado pela famosa enxaqueca?

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia aponta que 30 milhões de brasileiros são diagnosticadas com enxaqueca, doença multifatorial que causa dores latejantes e unilaterais na cabeça, irritabilidade constante, náuseas e vômitos, tonturas, sensibilidade à luz, sons e cheiros. E dentro desse grupo da população diagnostica por esse mal, estão os estudantes e concurseiros.

Na avaliação do professor Diogo Rodrigues, a enxaqueca é, sim, um mal comum entre a população que se dedica diariamente aos estudos sofrem, especialmente aqueles que estão na faixa etária entre 25 e 40 anos, já que o ato de estudar gera um esforço, por vezes, excessivo na região cerebral, elevando também os níveis de estresse:

“A enxaqueca não é só uma dor de cabeça. Ela é o enquadramento de uma doença que tem como sintoma a dor de cabeça, além disso, tem vários outros sintomas. Então é muito comum estudantes terem enxaqueca, porque são um grupo alvo, o que mais tem a probabilidade de ter e, além disso, costuma ser o grupo que mais expõe o cérebro ao estresse e à fadiga mental e a outros fatores que podem ser desencadeadores de enxaqueca”, explica o professor.

A Falta de Sono é um dos fatores que provocam enxaqueca

A presença frequente da enxaqueca na vida de um concurseiro pode ter muitos fatores. Um deles diz respeito ao excesso de exposição à chamada “luz azul”, que é a luz emitida pelos aparelhos eletrônicos, como o celular, notebook e TV, que causa desníveis neuroquímicos no cérebro.

Estudos apontam que a luz artificial pode prejudicar a produção de melatonina, substância responsável pela indução ao sono. A emissão dessas luzes sobre a retina humana confunde o cérebro e atrapalha a produção da melatonina, reduzindo a sonolência e dificultando o início do sono. E quanto menos sono, maiores são as chances de um concurseiro acordar no dia seguinte com dor de cabeça.

“O principal fator do sono é ser um regulador de enxaqueca e de dores crônicas, porque é durante o sono, principalmente durante o sono profundo, que a gente tem um relaxamento completo da nossa musculatura, a gente tem a liberação de hormônios, por exemplo, o GH - hormônio do crescimento - que é um reparador dos nossos tecidos, e é também um momento que o nosso corpo consegue relaxar por completo e fazer vários tipos de manutenções”, esclarece o professor Diogo Barros, que também é especialista em distúrbio do sono.

Ele lembra um dado fornecido pela Associação Brasileira do Sono, de que a população brasileira tem problemas crônicos na hora de dormir: mais de 2/3 da população, antes da pandemia da Covid-19, sofriam de insônia ou quaisquer outros distúrbios do sono. Diogo acredita que esse número tenha passado dos 70%, ou seja, três a cada brasileiros pessoas possuem um problema com sono, o que eleva a possibilidade de ele estar com enxaqueca.

A questão é que muitos concurseiros, no afã de esgotarem todo o conteúdo programático presente em um edital e conseguirem estar o mais preparado possível para as provas, acabam abdicando do sono e virando madrugadas estudando. Porém, conforme explica o professor Diogo, dormir é importante para fortalecer o córtex cerebral e estar mais preparado para o dia seguinte de preparação.

Fazendo uma analogia ao motor de um carro, por exemplo, para que o automóvel circule na velocidade desejada pelas ruas sem problemas, ele precisa de pausas para não superaquecer o motor e ele pifar no meio do caminho.

Por ser uma doença multifatorial, a enxaqueca não é provocada apenas por noites mal dormidas. O professor Diogo Rodrigues elencou uma série de outros fatores que favorecem o “martelar” em nossa cabeça:

- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;

- Utilização diária de cafeína ou outros estimulantes;

- O estresse diário, provocado por uma rotina cada vez mais corrida, chegando a ter tripla jornada: casa, estudo e trabalho;

- Sedentarismo;

- Compulsão alimentar;

Cinco dicas para não sentir enxaqueca durante a rotina de estudos

Mas não há mal que não possa ser remediado. Para que você, concurseiro, não conviva com a enxaqueca, é importante seguir as cinco orientações dadas pelo especialista Diogo Barros. Confira:

1 – Melhorar a qualidade do sono

“Para ter cuidado com o sono existem várias situações, desde hábitos angulares no dia a dia, até mesmo no ritual do sono, ou seja, jantar mais cedo, tomar um chá antes de dormir, um chá que atue ali no gaba, serotonina, melatonina, outros neurotransmissores bons para sono. Também é importante a pessoa ter um hábito antes de dormir, podendo ser tomar um banho morno, pode ser ler um livro, pode ser meditar, pode ser fazer uma oração, enfim, hábitos que quando o cérebro involuntariamente ver você fazendo, ele já linka que é o horário próximo a dormir”.

2 – Praticar atividades físicas

Tanto faz se for musculação ou aeróbico, mas alguns estudos mostram que a musculação, seja o treino de força resistido, tem alguns benefícios anti-inflamatórios maiores para o cérebro e esses benefícios poderiam ajudar sutilmente a mais do que, por exemplo, os exercícios aeróbicos, mas é uma diferença quase que irrelevante”.

3 – Caprichar na hidratação

“Muito comum que os brasileiros não tomem água adequada por dia. Sempre falo que para atingir a água por dia, ou seja, a hidratação correta, é só multiplicar 40 vezes o peso em quilo, por exemplo, 40 de 40 ml de águas vezes 100 kg, se a pessoa pesa 100 kg. Dessa forma, ela teria que tomar quatro litros de água”.

4 - Suplementação

“É muito comum que pessoas que possuem enxaqueca precisem de outros nutrientes a mais, como o Ômega 3, principalmente o DHA, zinco, magnésio, por exemplo, entre outros nutrientes. Tem muitos estudos que mostram os benefícios da astaxantina, da zeaxantina e da luteína, por exemplo, no cérebro. Tem vários outros estudos que mostram os benefícios dos transresveratrol, que é aquele nutriente muito conhecido do vinho. Então, a gente tem um aporte de nutrientes interessante para a gente atuar aí na questão da enxaqueca”

5 – Controlar o estresse

“O estresse é o principal fator desencadeante aí de quase todas as doenças crônicas, inclusive a enxaqueca. E é muito importante que a gente tenha, no manejo do estresse, um controle, ou seja, controlar os ambientes que você frequenta, controlar o ciclo de amigos, controlar as amizades no trabalho, enfim, tentar construir uma base interessante no dia a dia para que a pessoa tenha momentos de descanso e também evite confrontos e ou situações que vão levá-las ao estresse”.

Caso os sintomas da enxaqueca persistem, não deixe de buscar o auxílio de um médico especializado, para você conseguir manter o foco na preparação para o seu concurso.

 

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