Professor Francisco Baptista releva algumas mentiras que fazem parte do universo dos concursos e que podem prejudicar aqueles que sonham em ingressar na carreira pública.

Concurso público em um país como o Brasil, certamente, é a melhor porta de entrada para quem sonha com a estabilidade, com uma boa remuneração e em assumir a missão de trabalhar para a melhoria dos serviços prestados à população. Porém, muitas vezes, algumas lendas e histórias mal contadas podem acabar afastando muitos de prestarem concursos.

Em tempos de fake news, um candidato acaba recebendo informações equivocadas sobre quem pode ou não prestar concurso público, sobre as regras previstas em um determinado edital e até mesmo histórias inverídicas a respeito da rotina de trabalho em um órgão público. De certa forma, essas falsas informações podem afastar do serviço público brilhantes profissionais, já que muitos poderão deixar de se inscrever em determinadas seleções por acharem que não terão condições de assumir determinados cargos.

Neste dia 1º de abril – o clássico “Dia da Mentira” – a equipe de reportagem da Degrau Cultural convocou o professor de Direito Constitucional Francisco Baptista, que leciona na Degrau Cultural, para apontar e comentar dez grandes mitos que fazem parte do universo dos concursos. Confira:

1. Candidatos com nome sujo no Seara ou SPC não podem prestar concurso ou mesmo tomar posse em cargo público

Segundo Francisco Baptista, em regra, não há nenhum problema em participar de concurso ou ser nomeado para uma carreira pública que tenha o nome inserido nos cadastros do Seara ou do SPC. “No entanto, em caso de alguns concursos para bancos ou entidades fiscais, pode ser que, pontualmente, haja algo contra no edital. O candidato precisa se atentar a isso”, afirma.

2. É proibida a realização de concurso em ano eleitoral

É totalmente possível a realização de concursos públicos (divulgação de editais e aplicação de provas) em ano eleitoral. Apenas a questão da posse dos aprovados é que pode ser afetada. “Não serão permitidas nomeações de aprovados em concursos públicos que forem homologados após o início do período eleitoral, que se inicia três meses antes do primeiro turno, sendo que esta exceção limita-se apenas a certames dos Poderes Executivo e Legislativo. Nos concursos públicos do Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas não há qualquer impedimento quanto à nomeação dos aprovados em ano eleitoral”, explica.

3. Concurso é jogo de cartas marcadas

“Posso garantir que a esmagadora maioria dos concursos são probos. Podemos ver isso na quantidade de alunos aprovados aqui na Degrau Cultural. Geralmente, quem fala isso ou é porque não entende de concurso ou está arrumando desculpa para si mesmo”, esclarece o professor.

4. Tem que ser um gênio ou muito inteligente para ser aprovado em concurso

De acordo com Francisco Baptista, não é necessário ser um gênio para ser aprovado em concurso, mas, sim, ser uma pessoa focada e disciplinada. “Concurso é maratona, vence aquele que persiste.”

5. É possível ser aprovado em concurso sem estudar e ‘chutando’ em provas

Para o professor de Direito Constitucional da Degrau Cultural, esse é um dos maiores mitos no universo dos concursos. “É impossível ser aprovado em um concurso chutando a prova inteira. As estatísticas provam que é mais fácil ganhar na Mega-Sena que passar em concurso chutando”, garante.

6. Quem trabalha não consegue ser aprovado em concurso, pois não tem tempo para estudar

Francisco Baptista garante que esse é mais um grande mito no mundo dos concursos públicos. Segundo ele, com dedicação é possível que um candidato que estude de duas a três horas por dia possa ser aprovado e conquistar a tão sonhada carreira pública. “Claro que essa aprovação não virá em apenas dois ou três meses, mas a médio prazo.”

7. É preciso abdicar totalmente do lazer e de atividades físicas para ser aprovado em concursos

O especialista em concurso público afirma que os concurseiros não podem cometer esse erro “terrível”. Ele explica que estudar para concurso público não pode e nem deve ser uma tortura. Francisco Batista explica que quem age dessa forma está mais propenso a desistir da preparação ou até mesmo ser reprovado.

“Conforme falado anteriormente, concurso é uma maratona. Então não adianta querer ficar um longo tempo longe de tudo que te dá prazer. O segredo é a parcimônia, a moderação. Sacrifícios são necessários, mas tirar uma hora por dia para se exercitar em um dia por semana ou sair para uma reunião com amigos é essencial para se manter a saúde corporal e mental.”

8. Os concursos públicos vão acabar por causa da crise econômica e/ou reforma administrativa

Essa é mais uma falácia, mais um mito no universo dos concursos, garante Francisco Baptista. Segundo ele, a máquina pública não pode parar e, por isso, a contratação de novos servidores é sempre necessária. “Isso simplesmente não existe. Pode até acontecer de, em um pequeno período de tempo, reduzir um pouco a oferta, mas sempre será necessário abrir concursos para preencher vagas decorrentes de aposentadorias, mortes e outras vacâncias”.

9. Pessoas com mais de 50 anos não têm chances de serem aprovadas em concursos

Alguns concursos, como os da Polícia Militar, há limite de idade para um candidato participar. No entanto, não existe qualquer limitação no sentido de pessoas mais experientes, com idade superior a 50 anos, serem aprovadas e conquistarem uma carreira pública. “Talvez, para essas pessoas, haja um pouco mais de dificuldade em se ter tempo livre para estudar devido ao trabalho, filhos e família. No entanto, tirando isso, a dificuldade é a mesma que existe para um jovem de 25 anos. Vejo frequentemente vários alunos com 50 anos ou mais sendo aprovados”, reforça o professor Francisco.

10. Aposentados não podem participar de concursos

Por fim, o professor explica que, caso o aposentado seja do setor privado, não há nenhum problema em prestar concursos e tomar posse. “No caso do aposentado pelo setor público, a Constituição estabelece a possibilidade de ocupação somente no caso de dois cargos de professor, ou um cargo de professor com outra função técnica ou científica ou, ainda, dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.”

Fale agora com um consultor!