Para a maioria dos concurseiros, poucas coisas são tão frustrantes quanto terminar uma bateria de exercícios e ver a tela do computador ou o papel cheios de marcações vermelhas. O sentimento de incompetência e o medo de não estar preparado costumam falar mais alto nessas horas.
Diante disso, muitos estudantes cometem o erro estratégico de evitar resolver questões complexas, preferindo focar apenas na teoria ou em exercícios fáceis, apenas para proteger o próprio ego e manter uma falsa sensação de segurança.
No entanto, o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL, Marco Brito, defende que essa mentalidade precisa ser invertida com urgência, em especial por aqueles que já estão estudando há muitos meses. Para ele, no universo competitivo dos concursos públicos, o lema "treino difícil, jogo fácil" deve ser levado ao pé da letra.
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Segundo ele, evitar o erro durante a rotina de estudos é, na verdade, adiar o contato com as suas próprias fraquezas para o dia em que você não poderá falhar: o domingo da prova oficial.
"O treino em casa serve justamente para você descobrir onde estão os buracos na sua preparação. Quem se esconde das questões difíceis por medo de errar está apenas maquiando o próprio desempenho", aponta Marco Brito.
Com base em sua vasta experiência orientando candidatos, o especialista em concursos detalha como usar os erros de forma inteligente para transformá-los no seu maior diferencial competitivo até a nomeação. Veja a seguir
1 – O erro como termômetro de pontos fracos
Errar uma questão durante o estudo diário é um diagnóstico imediato e gratuito sobre o que precisa ser corrigido. No entanto, para o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL, em vez de encarar o erro como um fracasso pessoal, o candidato de alto rendimento precisa enxergá-lo como um indicador de rota.
“Se você errou uma questão sobre licitações, por exemplo, o gabarito comentado vai te mostrar exatamente qual parágrafo da lei ou qual interpretação da banca você ainda não domina. Sendo assim, errar em casa é o melhor sinalizador de direção que um concurseiro pode ter, pois o erro aponta exatamente onde a sua muralha está trincada", afirma.
2 – A quebra da ilusão de competência
Passar horas lendo PDFs grifados ou assistindo a videoaulas gera uma sensação confortável de que o conteúdo foi aprendido. Contudo, para Marco Brito, essa é uma forma de estudo passiva que raramente se sustenta sob a pressão de uma prova.
Segundo ele, fazer exercícios força o estudante a resgatar a informação ativamente e, quando ele erra, essa ilusão cai por terra, obrigando-o a encarar a realidade do seu nível de retenção. "Ler e reler resumos bonitinhos dá uma falsa sensação de segurança, mas é a bofetada do erro na questão que te acorda para a realidade da prova", destaca.
3 – A criação de um cadastro inteligente de falhas
Para que o erro se transforme em aprendizado real, o candidato não pode simplesmente olhar o gabarito e passar para a próxima pergunta. Por isso, Marco Brito orienta os concurseiros a catalogar essas falhas em um documento simples, anotando o motivo do erro (falta de atenção, desconhecimento da teoria ou pegadinha da banca) junto com a correção simplificada.
Segundo o especialista em concursos, revisar essa lista semanalmente impede que o aluno cometa o mesmo deslize repetidas vezes. "Não adianta apenas errar. Você precisa fichar o seu erro para garantir que a mesma pegadinha não te derrube no dia do exame.".
4 – Perder o medo de testar o próprio nível precocemente
Muitos que estudam para concursos adiam o momento de resolver questões sob a desculpa de que "ainda não terminaram de ler toda a teoria". Essa barreira psicológica faz com que o estudante passe meses acumulando conteúdo de forma abstrata, sem entender como aquela matéria é efetivamente cobrada pelas bancas organizadoras.
Para Marco Brito, o ideal é mesclar teoria e prática desde o primeiro dia de preparação. "Quem espera saber toda a teoria para começar a fazer questões acaba nunca fazendo exercícios e chega cru na hora da prova", pondera o especialista.
5 – O exercício como treino de resiliência para o dia D
Fazer uma prova de concurso envolve lidar com o desconforto de se deparar com perguntas cujas respostas você não sabe de imediato. Ao se acostumar a errar em casa e buscar a solução logo em seguida, o candidato desenvolve jogo de cintura e maturidade emocional, garante Marco Brito.
“A verdade é que essa postura evita o pânico generalizado quando surgir uma questão inesperada no dia oficial. O candidato que aprende a lidar com o erro em casa não entra em desespero na prova quando se depara com uma questão que não sabe resolver", conclui.
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