Estudar para um concurso público não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona que exige fôlego e, acima de tudo, constância. No entanto, a maioria dos candidatos inicia a preparação cometendo o mesmo erro: confiar o sucesso dos seus estudos à motivação diária.

O problema é que a motivação é um combustível instável, que costuma desaparecer logo nas primeiras semanas de pós-edital ou diante de uma disciplina mais complexa.

Para o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL e especialista em concursos públicos Marco Brito, o verdadeiro segredo dos aprovados não está em uma força de vontade sobre-humana, mas sim na capacidade de construir hábitos sólidos.

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Segundo ele, quando o estudo se transforma em um hábito bem estruturado, o cérebro deixa de gastar energia debatendo se deve ou não abrir os livros. Desta forma, a ação passa a ser executada de forma automática, assim como escovar os dentes ao acordar.

"O hábito é o que sustenta o candidato nos dias ruins, naqueles momentos em que o cansaço aperta e a vontade é de desistir. Quem depende de estar motivado para estudar simplesmente não consegue bater o edital", adverte Marco Brito.

Para ajudar os estudantes a construírem uma rotina blindada e de alta performance, o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL estruturou um passo a passo prático para desenvolver um bom hábito de estudo. Veja a seguir:

1 – Comece com metas pequenas

Segundo Marco Brito, o maior erro do iniciante é tentar mudar a rotina radicalmente do dia para a noite, estipulando metas irreais, tais como estudar quatro horas líquidas todos os dias.

“A mente sabota planos grandiosos porque eles exigem um esforço inicial esmagador. Se você está parado há muito tempo, comece estudando apenas de 30 a 60 minutos por dia. O objetivo principal desta fase não é o volume de conteúdo absorvido, mas sim ensinar o seu cérebro a se sentar à mesa diariamente naquele mesmo horário", orienta Brito.

Uma vez estabelecida a regularidade, aumentar a carga horária se torna um processo natural e fluido. “Fazendo isso, em pouco tempo o aluno passará a estudar de forma sistemática e passará naturalmente a dedicar três, quatro, cinco ou mais horas à preparação.”

2 – Ancore o estudo a um hábito já existente

Como é de senso comum, criar um hábito do zero é muito mais difícil do que pegá-lo "emprestado" de uma ação que você já realiza mecanicamente no seu dia a dia. Por isso, Marco Brito sugere que o concurseiro utilize a técnica do empilhamento de hábitos.

Ele explica o que se seria isso: “Escolha um gatilho fixo na sua rotina e determine o estudo logo em seguida. Por exemplo: ‘assim que eu tomar o meu café da manhã, vou abrir um PDF de Direito Constitucional para estudar" ou ‘imediatamente após chegar do trabalho, vou resolver dez questões da banca organizadora do meu concurso’. Essa associação reduz o desgaste mental da tomada de decisão.

3 – Facilite o início e dificulte a distração

O diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL afirma que toda mudança de comportamento depende do nível de atrito entre você e a tarefa. Ou seja, se para começar a estudar você precisa arrumar a mesa, procurar apostilas e cadernos, ligar o computador e localizar o link da aula, a chance de procrastinar é gigante.

O conselho de Marco Brito é preparar o ambiente na noite anterior. "Deixe o caderno e a apostila na mesa de estudos, separe as canetas que vai utilizar e qualquer outro material que pretenda utilizar. Ao mesmo tempo, aumente o atrito com as distrações: desligue o celular e o coloque em outro cômodo. Deixe o caminho para o estudo livre e o caminho para o erro complexo", ensina.

4 – Foque na identidade, não apenas no resultado

Muitos estudantes falham porque focam apenas no objetivo final: querer passar no concurso X. Embora a meta seja importante para o direcionamento, o hábito se consolida quando há uma mudança de identidade interna.

"O candidato precisa parar de se enxergar como alguém que 'está tentando estudar' e passar a se ver como um verdadeiro estudante profissional. Um profissional cumpre o seu cronograma independentemente do humor ou do clima lá fora. Quando você muda a percepção de quem você é, as suas atitudes diárias passam a refletir essa nova realidade", destaca o especialista.

5 – Comemore as pequenas vitórias diárias

O cérebro humano é movido pelo sistema de recompensa e busca constantemente por gratificação imediata. Como a aprovação em um concurso público é uma recompensa de longo prazo (que pode levar meses ou anos), a mente tende a perder o entusiasmo pelo caminho. Para driblar esse mecanismo, Marco Brito aconselha criar pequenas premiações diárias ao concluir o bloco de estudos proposto, como assistir a um episódio da sua série favorita, tomar um café especial ou desfrutar de um momento de lazer sem culpa. Essa associação positiva, segundo ele, sinaliza ao cérebro que o esforço valeu a pena.

"A aprovação nada mais é do que o resultado visível de centenas de pequenos hábitos invisíveis praticados com consistência. Ao automatizar a rotina de estudos através de estratégias comportamentais, o candidato para de lutar contra si mesmo e pavimenta, dia após dia, o seu caminho em direção à lista de classificados”, conclui Marco Brito.

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