Conciliar a preparação para um concurso público com compromissos de trabalho, família e tarefas domésticas é o grande desafio da maioria dos candidatos. Diante de uma rotina corrida, o dilema é quase sempre o mesmo: a sensação incômoda de que faltam horas no dia para dar conta de todo o conteúdo do edital.

No entanto, o verdadeiro divisor de águas entre quem acumula anos de tentativas e quem alcança a nomeação não é a quantidade bruta de horas disponíveis, mas sim a eficiência com que cada minuto à mesa é utilizado.

Para o especialista e mentor de concursos públicos Marco Brito, muitos estudantes caem na armadilha de confundir "tempo de cadeira" com tempo de aprendizado real.

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"Ficar quatro horas sentado olhando para um livro com a mente dispersa não significa que você estudou quatro horas. A verdadeira produtividade nos concursos mede-se pelo nível de retenção e pela capacidade de acertar questões no dia da prova", adverte Brito, que é diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL.

Para ajudar o concurseiro a virar a chave da eficiência e extrair o máximo de rendimento em qualquer intervalo de tempo, o mentor lista cinco estratégias práticas para multiplicar os resultados do seu estudo diário. Veja a seguir:

1 – Elimine as distrações digitais e o custo da alternância de tarefas

De acordo com o especialista, trocar de disciplina a cada 20 ou 30 minutos e/ou tentar estudar enquanto responde a mensagens no celular gera um desgaste cognitivo enorme. A cada notificação checada, o cérebro gasta energia e tempo precioso para recuperar o foco total na matéria.

Para resolver isso, Brito orienta que o concurseiro deixe o celular e qualquer outro tipo de gadget fora do local de estudo. Além disso, o mentor recomenda que o aluno estude com blocos ininterruptos de concentração de 50 a 60 minutos.

"A multitarefa é a maior ilusão de produtividade da era moderna; quando você isola o celular e foca toda a sua atenção em uma só matéria, o seu rendimento triplica em menos tempo", ensina o diretor pedagógico da DEGRAU CULTURAL.

2 – Adote o estudo ativo e abandone a leitura contemplativa

Segundo Marco Brito, ler passivamente grifando páginas inteiras ou assistir a horas de videoaulas como se estivesse assistindo a um filme na televisão consome muito tempo e produz pouca retenção de longo prazo.

Para que o tempo renda de verdade, o mentor aconselha forçar o cérebro a trabalhar: o estudante deve fazer pausas para sintetizar o que leu com as próprias palavras, resolver questões imediatamente após a teoria e formular perguntas sobre o texto. "Estudar ativamente dá mais trabalho e cansa mais rápido, mas é o único caminho para fazer duas horas de preparação valerem por seis", destaca o especialista.

3 – Planeje a sessão de estudos no dia anterior

Na avaliação de Brito, a tomada de decisões no momento de estudar consome uma energia mental desnecessária. Sentar à mesa sem saber exatamente por onde começar faz com que o candidato perca de 15 a 20 minutos apenas organizando materiais, abrindo arquivos ou decidindo qual disciplina priorizar.

Por isso, o mentor recomenda deixar o material da vez separado e as metas do dia seguinte definidas ainda na noite anterior. "A sua sessão de estudos precisa começar no segundo em que você puxa a cadeira, e não quando você ainda vai decidir o que fazer", orienta o especialista.

4 – Utilize a técnica da alternância de matérias complementares

Outra orientação importante de Marco Brito é evitar estudar a mesma disciplina por várias horas seguidas, pois isso gera saturação e queda vertiginosa no aproveitamento. Para manter o cérebro afiado por mais tempo, o mentor orienta alternar matérias que exigem raciocínios diferentes dentro do mesmo dia.

Por exemplo: se o primeiro bloco for focado em Raciocínio Lógico ou Matemática, o bloco seguinte deve ser dedicado a uma matéria conceitual ou de leitura, como Direito Constitucional. "A troca inteligente de disciplinas descansa as áreas cerebrais fadigadas e permite manter um ritmo alto de absorção ao longo do dia", pontua o especialista.

5 – Mantenha um registro rigoroso de horas líquidas e questões

Por fim, Marco Brito alerta que a mente humana costuma inflar o tempo dedicado aos estudos, contabilizando pausas para café, checagens casuais e devaneios. Para ter uma noção real do rendimento, o mentor sugere cronometrar apenas o tempo em que o candidato estiver efetivamente focado no material e registrar o volume de questões resolvidas ao final do dia.

"A medição do tempo líquido é o raio-X da sua disciplina. Ela te tira da ilusão do esforço e te coloca na rota do resultado", conclui o mentor.

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