‘Estamos fazendo tudo para o edital sair em novembro’, diz secretário estadual de Educação, Alexandre Valle. Edital Seeduc RJ será para 303 vagas de professor.

Luiz Fernando Caldeira

Em entrevista à reportagem da DEGRAU CULTURAL, o secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro, Alexandre Valle, informou que todos os esforços do governo são para que o edital do concurso Seeduc RJ, para 303 vagas de professor, seja divulgado em novembro. Segundo ele, a Fundação Ceperj deverá ser oficializada como organizadora da seleção.

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“Nós faremos de tudo para fazer o mais rápido possível. Até porque tem cobranças do Ministério Público e a gente quer botar o edital na rua o quanto antes”, disse Alexandre Valle, informando ainda que a distribuição das 303 vagas pelas diretorias regionais de ensino está sendo fechada pela superintendência de pessoal da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ).

Na entrevista que pode ser lida abaixo, o secretário de Educação também falou sobre vários outros assuntos, tais como as ações que o governo vem promovendo para valorizar os professores, a retomada das aulas presenciais sem rodízio de alunos, bem como sobre as medidas que a Seeduc-RJ tomara para evitar a evasão escolar. Confira:

 

DEGRAU CULTURAL - Os alunos da rede estadual de ensino retornam às aulas presenciais nesta segunda, dia 25, acabando o sistema de rodízio. Praticamente todos os professores e técnicos administrativos estão completamente imunizados? Boa parte dos alunos também?

Alexandre Valle - É importante a gente esclarecer que, desde março, estamos funcionando no sistema híbrido (presencial e remoto), respeitando sempre o bandeiramento, numa proporção em função das cores dos municípios. Desde esse período, a Secretaria Estadual de Educação e, logicamente, com a orientação do governador do estado, Cláudio Castro, não deixamos, em momento algum, de repassar recursos às escolas no que tange à infraestrutura, à merenda, à manutenção e, principalmente, à compra de equipamentos de EPI, garantindo a segurança e a prevenção contra o coronavírus. E a decisão de se reabrir 100% as escolas, acabando o distanciamento, foi tomada em parceria com a Secretaria de Saúde, porque entende-se que a escola é um local seguro. Nós, hoje, temos praticamente toda a rede vacinada, não só com segunda dose, mas com o ciclo completo dos 14 dias após a segunda dose. Os nossos alunos, em sua grande maioria, já estão vacinados em função da idade. O que a gente pede, e aí é um apelo, é que aquele que ainda não se vacinou, que o faça, por que está mais do que comprovado, cientificamente, que a redução dos casos está relacionada à vacina. Eu estou hoje em uma expectativa muito grande de receber o bandeiramento, porque espero, se Deus quiser, tenhamos municípios já na bandeira verde. Isso vai nos trazer mais confiança ainda de estar com todas as escolas abertas, porque essa relação “professor-aluno”, de forma presencial, é muito importante para o aprendizado. 

 

Quais ações vão ser tomadas pela Seeduc para evitar a evasão escolar?

Ela já vem sendo enfrentada. Desde o momento em que se abriu para o presencial, isso vem sendo feito. De que forma? As direções das escolas já vêm trabalhando nessa busca ativa, mandando mensagem, ligando, encaminhado e-mail e, muitas das vezes, indo buscar em casa. O governador, semana que vem (esta semana), lançará um grande programa de busca ativa, porque entendemos a importância desse aluno dentro de sala de aula, até para que a Seeduc tenha um diagnóstico mais claro de todas ações que fará. Então, não paramos a busca ativa. Essa infrequência é uma preocupação, mas nós vamos fazer de tudo para que esses alunos retornem.  

 

O que vai ser feito também para recuperar o tempo perdido? Haverá aulas de reforço para os alunos?

Essa é uma realidade que, infelizmente, não só o Rio, mas o Brasil e o mundo viveram. Então, nós vamos colocar reforço, vamos fazer um projeto chamado “Reforço para o Enem”. Estamos acabando de vencer questões jurídicas para colocar em TV e rádio, onde a gente possa, efetivamente, estimular esse aluno. Nós vamos ter prova do Enem mês que vem. Então, o intuito da secretaria é fazer, se for possível, recuperação, prova de reforço e aplicar todas as medidas necessária para que haja cada vez menos um impacto na educação dos nossos alunos.

 

Como tem sido o desafio de gerir a Seeduc, logo após o estado do Rio viver sua pior crise financeira, e sobretudo durante uma pandemia? Qual o balanço que o senhor faz desses meses que o senhor está à frente da pasta?

Olha, eu confesso que são dias incansáveis. A luta é grande. A secretaria é uma estrutura muito grande, uma das maiores do estado. Nós encontramos aqui pessoas altamente capacitadas, profissionais vocacionados, que têm um carinho e um amor pelo que fazem. Então, fica o meu agradecimento a todos os professores, a todos os profissionais da secretaria que tiveram que se reinventar nesse período, tiveram que aprender a fazer, muitas das vezes, aula remota, que não estavam acostumados. Sem eles, nós não teríamos chegado até esse momento, nessa reabertura. Então, fica aqui, mais uma vez, o agradecimento, não só da secretaria, mas também do governador, pelo trabalho que fizeram. Estamos organizando a secretaria, de forma que a gente possa ter gestão, para que a gente possa efetivamente fazer entrega. Nós temos muita coisa a fazer. Teremos uma virada na educação, como o próprio governador anunciou, com as Escolas ECO (Escolas Criativas de Oportunidade), com um retrofit do conceito de 50 Cieps. Será embarcada alta tecnologia neles, aonde haverá reconhecimento facial do aluno, lousa digital, robótica, gameficação, sala maker, música, arte, esporte, energia solar e aproveitamento de água. Essas escolas funcionarão em horário integral. É uma mudança de conceito dos Cieps, trazendo-os para o mundo atual. O nosso aluno, hoje, precisa entender que na escola existe um pertencimento. A escola pertence a ele, e tudo o que a gente está fazendo, ao longo desse tempo, tem uma razão única, que é o aluno. Agora, o que de fato faz que esse aluno não se motive a ir à escola? Então, nós estamos indo em busca disso para tornar a escola a continuidade da sua casa, do seu aprendizado.

 

No último dia 15, como forma de valorizar os docentes da rede de educação, o governador Cláudio Castro anunciou o aumento do auxílio-transporte (de R$ 6,30 para R$ 17,10 por dia) e um auxílio de R$ 3 mil para compra de tablets e computadores para professores. Qual a importância dessas duas medidas? A secretaria, na sua gestão, está sempre buscando valorizar os profissionais da educação?

Não tenha dúvida disso. Acho que é um reconhecimento e uma oportunidade para corrigir esses valores, que na questão dos transportes estavam muito defasados. O nosso professor recebia numa faixa de R$6,30 para dois modais, quando na verdade o valor é superior a R$8. Então, estamos fazendo uma justiça e uma correção. Quanto aos equipamentos, a gente entende ser de extrema necessidade. Hoje, temos escolas do século XIX e alunos do século XXI. Então, precisamos também de professores qualificados e capacitados. Não só isso: estamos tirando do papel, ainda neste ano, a nossa UniverSeeduc, que é uma universidade corporativa da nossa secretaria, aonde será o nosso centro permanente de qualificação dos nossos professores da rede. Entendemos que precisamos fazer essa qualificação permanente. Então, isso será mais um avanço dentro da secretaria, onde teremos 21 polos. Esperamos entregar tudo isso já em dezembro, estamos preparados para isso. Então, entendemos a importância de o profissional de educação também estar capacitado. E aí, no estado como um todo, temos muita dificuldade na questão burocrática, e a maneira que a gente encontrou de conseguir fazer com que o professor tenha acesso a esse tipo de equipamento, é colocando recurso na mão deles, que é muito mais rápido, muito mais prático. Nós criamos um critério mínimo de equipamentos que eles podem comprar, e esse recurso está sendo disponibilizado para eles. Após efetuarem a compra (tablets), eles vão prestar conta por autodeclaração e apresentar nota fiscal, só para a gente ter a garantia de que o dinheiro, que é público, foi bem investido.

 

Também no último dia 15, o governador Cláudio Castro anunciou que autorizou a abertura de concurso para 303 vagas de professor I, para carga de 16 horas semanais. Embora o déficit de pessoal seja muito maior, qual a importância dessa seleção para o estado?

É altamente importante para todos nós o aumento de professores na rede. O governador já autorizou e nós estamos aguardando apenas a publicação oficial desse autorizo. A superintendência de pessoal está se organizando para colocar o mais rápido possível esse edital na rua.

 

O Conselho do Regime de Recuperação Fiscal já autorizou a realização desse concurso?

A Casa Civil, na semana passada, me chamou para confirmar a participação nossa e a necessidade. Vale registrar aqui a Educação é obrigada a completar “Índice Constitucional” e, por isso, em muitas das coisas, estamos fora do Regime, porque temos índice a bater. Então, a gente tem que manter esse equilíbrio. Saúde e Educação têm índices, por isso essas medidas precisam ser tomadas com um outro olhar, e isso o Regime tem entendido.

 

O edital sairá mesmo em novembro?

Estamos fazendo de tudo para sair em novembro.

 

Hoje, o déficit é de quantos professores na rede estadual?

Eu não tenho esse número aqui no momento.

 

Além do concurso, o que mais vem sendo feito para minimizar esse déficit?

Temos que registrar a realização da migração de professores de 16h para 30h. Com isso esperamos conseguir suprir uma parte da carência que temos. Temos a necessidade ainda de chamar 130 aprovados do concurso de 2014.

 

A maior parte das 303 vagas será para a capital e cidades da Região Metropolitana? Haverá vagas para o interior?

A superintendência de pessoal está fazendo esse levantamento para que seja definida a quantidade por região. Isso será feito em função da necessidade regional.

 

A Fundação Ceperj será mesmo a organizadora, conforme já havia sido anunciado anteriormente pela Seeduc?

Acredito que sim. Já estive com o presidente da Ceperj esta semana. Vamos começar a conversar, e tudo indica que será a Ceperj.

 

A meta é aplicar as provas no primeiro trimestre de 2022?

Nós faremos de tudo para fazer o mais rápido possível. Até porque tem cobranças do Ministério Público e a gente quer botar o edital na rua o o quanto antes.

 

Há pressa em chamar os aprovados?

Nós temos que ver a legislação, porque ano que vem é ano eleitoral. Então, a gente tem que fazer dentro do que a legislação permite. 

 

A legislação só proíbe a convocação de aprovados de concursos que foram homologados após o dia 2 de julho, quando terá início o período eleitoral...

Então, vamos correr para homologar!

 

A ideia é manter a estrutura de provas do concurso anterior, com provas objetivas e avaliação de títulos? Haverá algum tipo de alteração?

Acredito que não haverá alteração. É melhor copiar o que deu certo. Não é preciso inventar nada.

 

Qual mensagem pode deixar para todos os professores que pretendem participar do concurso para a rede estadual de ensino?

Mensagem é de ânimo, de que os professores são pessoas vocacionadas, que têm todo o nosso respeito nosso. Eles fazem parte da construção do futuro dos nossos jovens, que representam muito na vida deles. O governo do estado está trabalhando muito para que os professores possam ter melhores condições de trabalho, melhores condições até de remuneração, porque a gente sabe que o Estado passou por um período muito difícil. O governador vem lutando para vencer essa barreira, e eu tenho a certeza que viveremos momentos melhores. A Secretaria e o Estado têm todo o empenho de resolver questões que ficaram anos sem ser resolvidas. Então, veiam e participem do concurso, porque nós teremos um enorme prazer de recebê-los em nossa rede, prestando o apoio a esses alunos que tanto precisam. O Estado vai investir muito em Educação, na qualificação, na tecnologia e na infraestrutura das nossas escolas. O Rio de Janeiro merece isso tudo e também profissionais qualificados, preparados e dedicados. Essa é a mensagem de esperança, porque é por meio da educação que a gente muda a vida de muitos que estão aí fora. Sabemos que só a educação pode causar essa transformação. (Colaboração: José Lucas Brito)

 

 

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