Ex-aluno da DEGRAU CULTURAL, Jairo Dias diz que interessados em participar do próximo concurso PRF devem iniciar logo os estudos.
De motorista de Uber a policial rodoviário federal. Essa é a trajetória de Jairo Dias, ex-aluno e funcionário da DEGRAU CULTURAL, que conseguiu ser aprovado no último concurso PRF, aberto no final de 2020 e cujas provas aconteceram em 2021.
Jairo Dias é um exemplo de que aquele que tem resiliência alcança os seus objetivos. Ele conta que prestou concurso PRF em 2019, mas que acabou sendo reprovado. No entanto, ele persistiu nos estudos, sendo inclusive aluno de turmas regulares e de simulados das DEGRAU CULTURAL, e conquistou a tão sonhada vaga na corporação. “Nunca desista dos seus sonhos, não importa qual seja ele”, afirma.
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Em entrevista à reportagem da DEGRAU CULTURAL, Jairo Dias relembra sua preparação para o concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), dá dicas de preparação para quem pretende participar do próximo certame e conta um pouco sobre o dia a dia de um policial.
Para quem pretende participar do próximo concurso PRF, Jairo Dias aconselha os interessados a iniciarem os estudos o quanto antes, pois, segundo ele, é necessário se preparar com bastante antecedência para conseguir uma aprovação.
“Esperar o concurso ser autorizado ou o edital sair são erros fatais. Um concurso de nível tão alto, com inúmeros candidatos (no último foram mais de 300 mil), o concorrente não pode achar que vai passar em três meses de preparação. Pode acontecer? Sim, tudo é possível, mas é um caso raríssimo”, garante.
Veja a seguir a entrevista:
DEGRAU CULTURAL - Antes de ter obtido a aprovação no concurso para a PRF, você atuava na iniciativa privada? Como era sua vida antes do serviço público?
Jairo Dias - Sim. Já fui Uber e mais recentemente eu fui monitor (de Física e Matemática) e, posteriormente, comecei a dar aulas dessas matérias na DEGRAU CULTURAL e em outro curso. Quando trabalhava na Uber, era complicada a questão da segurança, ainda mais no Rio de Janeiro (assalto, entre outros). Trabalhar na DEGRAU sempre foi prazeroso, sempre me dei super bem com todos os funcionários.
O que motivou você a participar, em 2021, do concurso para a PRF?
Eu já havia prestado o concurso de 2019, em Rondônia, e infelizmente ‘bati na trave’. Estava em um dia bem ruim. E eu só continuei a caminhada rumo ao meu sonho. Entrar na PRF era meu sonho, minha motivação diária.
Como foi a sua preparação à época para o concurso da PRF?
Como dito anteriormente, eu reprovei em 2019. Eu repensei meu método de estudos, ouvi conselhos de amigos que passaram, ajustei os pontos e segui minha estratégia. Em primeiro lugar, o concurseiro precisa saber o edital do seu concurso de cabo a rabo. Eu desmembrei esse edital e estudava por tópicos. Eu priorizava as matérias que eu tinha mais dificuldades e as estudava com mais frequência na semana. Estudava com menos frequência as disciplinas que eu tinha mais habilidade (Exatas), mas estudava. Eu marcava em uma agenda ou no computador os dias para fazer a revisão desses tópicos (importantíssimo o processo de revisão) e também nos finais de semana revisava os pontos que tinha dificuldades. Eu fazia inúmeras questões, diariamente, de cada tema já estudado. Aos finais de semana eu fazia os simulados, de forma presencial na DEGRAU CULTURAL e online. Além disso, ajudei a criar um grupo de estudos, o qual me ajudou demais. Inclusive, fui aprovado juntamente com outro amigo. Já outros dois ‘bateram na trave’ no concurso da PRF, mas já passaram em outras seleções. Tenho a certeza que passarão no próximo da PRF.
Realizar revisão e resolver simulados foram muito importantes na sua aprovação, correto?
Meu aproveitamento melhorou demais quando comecei a revisar esses simulados. Eu esperava juntar uns cinco ou seis simulados. Depois imprimia todos novamente e os refazia. Ao final de cada simulado, eu comparava minhas notas - da primeira vez com a segunda. É bem capaz de quem estiver lendo nesse momento pensar: "aí fica fácil, já sabia as respostas e o que errou". E o que eu tenho a dizer é resposta errada! Meu aproveitamento subiu, claro. Algumas questões realmente eu sabia a resposta porque havia aprendido no momento em que errei. Ou seja, após estudar o motivo pelo qual errei, eu consegui fixar o conteúdo. Contudo, ainda assim errava questões pela segunda vez. E dava uma sensação muito ruim, um desgosto e pensava: não acredito que estou errando isso pela segunda vez! O que fazer então para assimilar o conteúdo? Eu anotava em uma agenda comum. Eu andava com ela para cima e pra baixo quando tinha que sair para fazer alguma coisa. Em todos os momentos possíveis em que eu estava em uma fila de banco ou tinha um tempo livre, eu pegava essa agenda e estudava o assunto e a questão. Esse processo foi massificando o conhecimento até chegar ao ponto de não errar mais essas bobeiras. Esse processo de revisão, seja da matéria ou dos simulados, me fez crescer demais e obter um grande aproveitamento nos simulados e nas provas.
Abdicou de muita coisa para ser aprovado? O que, por exemplo?
Sim. Abdiquei de sair com frequência para festas e etc. Você abre mão de momentos com seus familiares e amigos. É um processo natural. Saía de vez em quando para poder relaxar também. É necessário ter equilíbrio, e esse é o ponto chave. O concurseiro tem que entender que há um propósito maior, que é a aprovação, e o caminho rumo ao sucesso exige esforços, abdicações.
A PRF já encaminhou ao Ministério da Economia um pedido para a abertura de novo concurso. Na sua visão, quais falhas que os futuros candidatos não podem cometer de forma alguma durante a preparação?
Esperar o concurso ser autorizado ou o edital sair são erros fatais. Um concurso de nível tão alto, com inúmeros candidatos (no último foram mais de 300 mil), o concorrente não pode achar que vai passar em três meses de preparação. Pode acontecer? Sim, tudo é possível, mas é um caso raríssimo.
Você se preparou para a prova física concomitantemente para a prova objetiva? Caso positivo, tomou como base os índices do edital passado?
Não. Em 2020 foi ano de pandemia. Então tinha restrição, academias fechadas, entre outros. Contudo, antes do edital ser divulgado, por volta de dezembro de 2020, eu comecei a fazer exercícios sozinho, sem orientação de um profissional. Cometi um erro aqui, pois acabei me lesionando. Quando o edital saiu, eu já estava treinando, mas não batia os índices (baseado no edital passado). Sabia que o processo exigiria um tempo, mas que eu ainda o tinha. E assim segui treinando, até que bater os índices do TAF se tornaram naturais.
Como foi o seu curso de formação de formação profissional (CFP)?
Extremamente difícil. Foi o CFP mais curto da história, com menos tempo de preparação (durou aproximadamente 13 semanas). As instruções aconteciam o dia inteiro. Por vezes, chegávamos às 4h da manhã e saíamos bem tarde da noite da UniPRF. Você aprende diversas coisas da profissão, aprende a ser forte fisicamente, mentalmente, e outras coisas que não fazemos a menor ideia quando estamos de fora e que também não podemos comentar por questões sensíveis da instituição.
Durante esse período do curso de formação, o aluno recebe o valor total da remuneração ou só metade dela?
O aluno recebe uma bolsa no valor da metade do salário inicial de um PRF.
O que mudou na sua vida depois que você conseguiu ser aprovado no concurso para a PRF? Já conseguiu realizar alguns sonhos de consumo?
Muda tudo. Sua rotina, seu humor, sua saúde, seus projetos para o futuro, suas conquistas. Já consegui realizar, sim, alguns sonhos de consumo e outros eu tenho certeza que conseguirei também, mas que vão demorar mais um pouquinho, pois são projetos de médio e longo prazo.
Ao final do curso, você teve opção de escolher o estado/cidade onde gostaria de trabalhar? Como funciona a lotação dos aprovados?
Sim. No último CFP houve uma mudança em relação à pontuação do curso de formação. Basicamente a escolha da lotação é por colocação. Essa colocação varia de acordo com a sua pontuação final: nota da prova (escrita, redação e títulos) + curso de formação (provas teóricas, aplicadas pelo Cebraspe) + provas práticas e o teste físico. No momento estou lotado na Superintendência em Mato Grosso do Sul, no Núcleo de Prevenção, Registro e Perícia de Acidentes de Trânsito (NPA).
Como é o dia a dia de um PRF? Conte um pouco da rotina e das atribuições que são desempenhadas pelos policiais.
Há basicamente duas partes: operacional e administrativa. A parte operacional é o que se vê no dia a dia (ostensividade): a viatura, os policiais fiscalizando o trânsito, fazendo a segurança, reprimindo o crime organizado, entre outros. Já a parte administrativa vai desde um atendimento de um acidente, pois o PRF terá que fazer um boletim de acidente de trânsito (BAT), até a confecção de um boletim de crime.
Como é o cumprimento da carga de trabalho?
O serviço operacional é baseado em escala (24h de trabalho x 72h de descanso), já o administrativo é através de expediente. E quem trabalha apenas no trabalho administrativo cumprindo expediente também tem a possibilidade de ir para rodovia em plantões extras pra exercer as atividades operacionais.
Qual mensagem ou dica final você pode deixar para todos aqueles que sonham em se tornar um PRF? Valeu a pena todo o esforço para se tornar um PRF?
O que eu tenho a deixar como mensagem é a seguinte: nunca desista dos seus sonhos, não importa qual seja ele. Se for ser um PRF, um juiz, um promotor, comprar uma casa própria ou um carro, etc. O tempo passará de qualquer forma, você fazendo ou não alguma coisa. Então faça, para que futuramente você possa desfrutar desse sonho. Se valeu a pena? Sem dúvidas. Faria tudo novamente se fosse preciso. Devemos pensar sempre à frente. Se traçarmos uma linha do tempo, perceberemos que o esforço que fazemos (entre dois a cinco anos de estudo) é muito pequeno se comparado aos anos que você desfrutará desse emprego (cerca de 30). Se dedique, não conte para qualquer pessoa seus sonhos, persevere e vençerás !
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