Com a expectativa da abertura de um novo concurso Pedro II ainda neste segundo semestre, a reportagem da DEGRAU CULTURAL entrevistou a professora Gabriela Marques, especialista em Língua Portuguesa, para orientar os estudos dos futuros candidatos a uma vaga de técnico educacional/assistente em administração.
A urgência por um novo edital cresceu após o encerramento, no último dia 4, do prazo de validade do certame anterior. Para técnico educacional/assistente em administração, cargo que exige o nível médio e tem remuneração de R$4.221,90 (já com o auxílio-alimentação), a disciplina de Língua Portuguesa é historicamente o maior peso da prova objetiva.
Por isso, Gabriela Marques ressalta que antecipar os estudos antes da publicação do edital é o diferencial para quem pretende participar do concurso Pedro II.
“Começar a estudar antes do edital é decisivo porque o candidato ganha tempo para construir base em leitura, interpretação e resolução de questões sem a pressão do pós-edital."
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Segundo a professora, o segredo para obter um excelente rendimento em Língua Portuguesa está em entender o equilíbrio que o Colégio Pedro II mantém entre a gramática normativa e a interpretação de textos.
Na entrevista abaixo, a professora Gabriela Marques alertou para a possibilidade de uma banca externa organizar o concurso — a exemplo do que ocorreu no recente processo para o magistério — e como isso deve impactar o ritmo de treino dos candidatos.
Além disso, ela apresentou dicas estratégicas de preparação e fez um raio-X detalhado das últimas provas da assistente em administração, fundamentais para quem deseja conquistar uma das vagas do concurso Pedro II.
Confira a seguir a entrevista:
DEGRAU CULTURAL – O edital do concurso para assistente em administração do Colégio Pedro II deve ser divulgado no segundo semestre deste ano. Qual a importância de o interessado em estudar desde já?
Gabriela Marques – Começar a estudar antes do edital é decisivo porque o candidato ganha tempo para construir base em leitura, interpretação e resolução de questões sem a pressão do pós-edital. No caso do Pedro II, o último concurso para técnico-administrativos teve edital publicado em setembro de 2023 e prova objetiva aplicada em 4 de fevereiro de 2024. Além disso, segundo informação divulgada em março de 2026, a própria instituição indicou que o planejamento de um novo concurso técnico-administrativo deverá começar no segundo semestre deste ano. Isso mostra que, quando o cronograma acelera, quem já iniciou a preparação sai em vantagem.
Qual a melhor forma de estudar Língua Portuguesa para o concurso de assistente em administração do concurso Pedro II, tendo em vista que o edital só deverá ser divulgado no segundo semestre e, possivelmente, as provas sendo aplicadas no início do ano que vem?
A melhor estratégia é dividir o estudo em três frentes: teoria, leitura ativa e treino por questões das provas anteriores. Na teoria, vale priorizar interpretação textual, classes gramaticais, sintaxe, conectivos, sentido das palavras e reescritura. Na leitura ativa, o ideal é trabalhar textos variados (artigos, crônicas, entrevistas, poemas, charges e textos institucionais) porque esse repertório aparece no perfil da prova. Já no treino, o caminho mais eficiente é resolver as provas anteriores do próprio Pedro II, especialmente as de 2022 e 2024, para entender a lógica da cobrança e a forma como a banca formula alternativas.
Quais são os assuntos de Língua Portuguesa que vêm sendo mais cobrados nas últimas provas para assistente em administração do Colégio Pedro II?
Nas provas mais recentes, aparecem com força compreensão e interpretação de textos, leitura inferencial, valor semântico de conectivos e preposições, substituição de expressões sem alteração de sentido, figuras de linguagem, formação de palavras, reconhecimento de classes gramaticais e tópicos de sintaxe, como vocativo, voz verbal e pontuação. Em 2024, por exemplo, houve questões sobre valor semântico da preposição “para”, substituição de trecho sem prejuízo de sentido, metonímia, formação de palavras, voz passiva e vocativo. Em 2022, também apareceram relação lógico-semântica entre versos, formação de palavras, vírgula por deslocamento sintático e interpretação de charge.
As provas para assistente em administração do Colégio Pedro II costumam ter um equilíbrio entre interpretação de texto e gramática ou pendem para um dos dois lados?
O histórico recente indica um equilíbrio, mas com leve predominância da interpretação articulada à gramática. A prova não costuma cobrar gramática de forma totalmente descontextualizada; ao contrário, muitos conteúdos gramaticais aparecem vinculados ao texto, ao efeito de sentido e à reescritura. Em 2022 e em 2024, as 20 questões de Português partiram de vários gêneros textuais e combinaram compreensão textual com análise linguística.
No último concurso, foram cobradas 20 questões de Língua Portuguesa. Acredita que esse quantitativo tende a ser mantido?
A tendência é de manutenção, porque o último edital para assistente em administração previu 20 questões de Língua Portuguesa, e a prova de 4 de fevereiro de 2024 confirma esse bloco de questões de 1 a 20. Além disso, a prova de 2022 também teve 20 questões de Português para o cargo. Naturalmente, isso só se confirma com o novo edital, mas, olhando o padrão recente, 20 questões é hoje a referência mais segura para o candidato.
Nos últimos concursos, o Colégio Pedro II tem sido responsável por organizar os certames. No entanto, existe a possibilidade de uma banca externa ser contratada, assim como aconteceu no último concurso para o magistério, aberto este ano, que teve o Instituto Selecon como organizador. Se for contratada uma banca externa, acredita que esse perfil de prova dos últimos anos tende a mudar ou acredita que o padrão vai ser mantido?
Se houver banca externa, é razoável esperar algum grau de mudança no estilo de cobrança, sobretudo na redação das alternativas e no peso relativo entre interpretação, gramática normativa e leitura aplicada. O histórico mostra que o Pedro II já utilizou organizadores diferentes em concursos de assistente em administração, como o Instituto AOCP, Idecan e Instituto Acesso, além de concursos mais recentes organizados pela própria instituição; e, no concurso de magistério deste ciclo, o Instituto Selecon foi o organizador. Portanto, o núcleo do conteúdo pode até permanecer semelhante, mas o “jeito de cobrar” pode mudar sensivelmente conforme a banca escolhida.
Se uma banca externa for contratada, o que muda no estudo de Língua Portuguesa para os futuros candidatos?
Muda, principalmente, a calibragem do treino. O candidato continuará precisando dominar interpretação, gramática e reescritura, mas passará a ter de estudar também o perfil específico da nova banca. Na prática, isso significa incluir rapidamente provas da organizadora escolhida, observar como ela cobra semântica, sintaxe, pontuação, coesão e leitura inferencial e adaptar a resolução de questões a esse padrão. Ou seja: a base teórica permanece, mas o treino precisa migrar para o estilo da banca assim que ela for definida. Essa necessidade faz ainda mais sentido porque o Pedro II já teve formatos distintos conforme a organizadora do certame.
Quais outras dicas e orientações pode deixar para os futuros candidatos?
A principal orientação é não esperar o edital para começar. O candidato deve montar desde já uma rotina com teoria, revisão e resolução de questões, dando atenção especial à leitura e à interpretação, que sustentam boa parte do desempenho em Português. Também é recomendável estudar com base nas provas anteriores do próprio Pedro II, revisar os erros com constância e acompanhar as movimentações oficiais do concurso, porque neste momento ainda não há definição pública de vagas, cargos ou cronograma do novo edital, apenas a indicação de que o planejamento começará no segundo semestre. Quem chega ao pós-edital apenas para “acelerar”, e não para “começar do zero”, tende a competir em outro nível.
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