Concurso INSS: volta do atendimento presencial mostra a necessidade de contratações

Apesar da grande carência de pessoal, é possível que o concurso INSS só se concretize em 2022. Entenda!

Parte das agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já começaram a retomar os atendimentos presenciais, desde o último dia 14. Os atendimentos ainda estão restritos a alguns serviços e só estão sendo realizados com agendamento prévio. Tudo para evitar aglomerações. Porém, apesar das restrições e agendamentos, as unidades vêm apresentando filas e tiveram perícias suspensas.

Essa situação evidencia os problemas internos pelos quais o INSS vem passando, tanto em questões estruturais quanto de pessoal. Vários segurados que estavam com atendimento marcado não conseguiram ser atendidos. Um dos problemas foi a falha na comunicação. Após as perícias serem suspensas, a autarquia federal não conseguiu avisar a todos que estavam com atendimento marcado antes que eles chegassem nas agências.

O problema que resultou na suspensão das perícias é que os médicos peritos do INSS decidiram não retomar as atividades presenciais ainda, por conta da falta de recursos adequados para atuar. Para se ter uma ideia, apenas 12 das mais de 800 agências com serviço de perícia foram aprovadas em vistorias. Muitas nem tinham os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). Sendo assim, precisaram suspender as perícias que já estavam agendadas. Mas o grande problema é que o processo de comunicação falhou e muitos segurados não receberam a mensagem antes de chegarem às unidades de atendimento.

Em entrevista ao G1, o presidente do INSS, Leonardo Rolim, se desculpou pelo ocorrido e reconheceu que houve falha nos processos de comunicação da instituição. Isso, no entanto, evidenciou como o INSS ainda depende dos processos e atendimentos presenciais e que os serviços prestados apenas de forma remota não são o suficiente, seja por falhas tecnológicas ou mesmo por falhas humanas. Até porque, a maior parte dos segurados são idosos e muitos têm dificuldades em usar as ferramentas digitais. Além disso, por parte do INSS, o quadro reduzido de servidores prejudica o gerenciamento dos atendimentos de forma adequada.

O déficit de pessoal na autarquia é muito alto. O último concurso INSS foi em 2015. Atualmente estima-se que haja mais de 20 mil cargos vagos. Ou seja, não tem como realizarem um serviço perfeito, tendo mais de 20 mil servidores faltando no quadro de pessoal da instituição.

Como pode ser visto, a falta de pessoal nas agências do INSS é consideravel. Entretanto, este ano a autarquia não enviou pedido ao Ministério da Economia para realização de novo concurso público. E, assim como outros órgãos vinculados ao Poder Executivo Federal, o INSS precisa de autorização desta pasta para fazer contratações.

Estudo para realização de novo concurso INSS

O INSS informou que vai realizar um redimensionamento do quadro de pessoal até maio de 2021. Assim, poderá ser feito um estudo para a realização de um novo concurso INSS para 2022.

O último pedido de concurso INSS foi encaminhado em 2018, quando o Instituto solicitou 7.888 vagas, sendo 3.984 vagas de técnico (nível médio; remuneração de R$5.186,79), 1.692 vagas de analista (nível superior; remuneração de R$7.659,87) e 2.212 vagas de médico perito (superior em Medicina; remuneração de R$12.683,79).

O número de vagas do próximo concurso ainda não foi definido. Será necessário aguardar o INSS fazer o redimensionamento do quadro. Mas, este ano, para tentar lidar com o grande déficit de servidores, o instituto realizou um processo seletivo com o objetivo de contratar mais de 7 mil temporários, entre aposentados e militares da reserva. Eles atuariam, temporariamente, numa força-tarefa para tentar reduzir a fila. Porém, a medida provisória que permitia esse tipo de contratações não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Logo, a medida falhou. Menos da metade de profissionais previstos foram efetivamente contratados.

Há anos é discutida a necessidade de realização do concurso para o INSS, já que a autarquia sofre com déficit grave de pessoal, e a pandemia do novo coronavírus evidenciou ainda mais os problemas internos do instituto.

Um dos problemas é o envelhecimento do quadro de pessoal. Um a cada cinco servidores do Instituto já atingiram a idade para se aposentarem. Portanto, podem fazer isso no próximo período, em 2021.

Esse problema somado ao cenário de urgência da pandemia, que não permitiu tempo para adaptação em nenhuma área, aumentou a sobrecarga de trabalho dos servidores (que estavam fora dos grupos de maior risco), que já era grande.

Com um déficit estimado em mais de 20 mil cargos vagos, os servidores do INSS vêm trabalhando desde 2019 para normalizar a fila de benefícios, que já chegou a atingir 2 milhões.

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Publicado: 22 de September de 2020