A busca por recomposição de pessoal no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou novo fôlego com a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ao Congresso Nacional. Embora tenha ficado de fora dos últimos editais autorizados, a autarquia encontra no texto orçamentário o respaldo financeiro necessário para que suas demandas voltem à pauta do Executivo Federal e um novo concurso INSS possa ser aberto em breve..

O projeto orçamentário reserva R$1,3 bilhão em despesas primárias voltadas para novas seleções e provimentos no Poder Executivo. Do total de 53.530 vagas distribuídas entre os Poderes da União, a administração federal concentra 47.609 oportunidades — divididas em 44.864 para provimento e 2.745 para criação de cargos.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que a estimativa abrange até 32 mil nomeações civis (sendo 19,4 mil na Educação) e contempla não apenas concursos em andamento ou autorizados, mas também análises de novos editais que seguem sob estudo.

Com a paralisação de autorização de concursos durante o período eleitoral, a expectativa nos bastidores de Brasília é que as análises de novos pedidos sejam retomadas no pós-eleições, ou seja, a partir de novembro. A margem orçamentária é expressiva: as liberações recentes do MGI somam apenas 596 vagas – distribuídas entre Receita Federal, Banco Central, Advocacia Geral da União (AGU), Controladoria Geral da União (CGU) e Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) –, o que deixa espaço considerável no planejamento para outras contratações.

O déficit severo de pessoal, que ultrapassa a casa de 20 mil servidores, levou a direção do INSS e o Ministério da Previdência Social a formalizarem, em maio, um pleito robusto para a recomposição do quadro.

Foi encaminhada ao MGI uma solicitação de concurso INSS para 10 mil vagas, sendo 8.501 para técnico do seguro social, de nível médio, e 1.499 para analista do seguro social, de nível superior.

Havia a expectativa de que o concurso INSS fosse autorizado no primeiro semestre deste ano, antes do início do período eleitoral. No entanto, isso não acabou acontecendo.

No dia 4 de julho, teve início o período eleitoral, que irá até o dia 4 de janeiro. Não existe proibição para a divulgação de editais ou autorizações de concursos ao longo desta janela de tempo. No entanto, para que tais medidas não sejam interpretadas como objeto de campanha, o governo federal optou só dar aval a novos certames após a eleição presidencial.

O primeiro turno acontecerá no dia 6 de outubro, Já o segundo, caso haja necessidade, ocorrerá no dia 30 do mesmo mês. Até lá, o governo avaliará com calma e criteriosamente uma série de pedidos de concursos feitos por dezenas de ministérios, órgãos e autarquias, entre os quais está o INSS.

A expectativa é de que, tão logo saia o resultado da eleição presidencial, o MGI retome a autorização de concursos para 2027 e que o INSS seja contemplado com aval para a contratação de novos servidores, já que a autarquia possui carência de mais de 20 mil servidores.

Conforme declarações do secretário-executivo Wolney Queiroz, a realização de um certame de grande porte em 2026 era pouco provável, projetando 2027 como o momento hábil para a recomposição. Caso o MGI prefira não conceder o total de 10 mil postos de uma vez, a liberação de um lote menor — como a fatia emergencial de 20% — poderá ser efetuada aproveitando o próprio processo já em trâmite no governo, adequando-se às prioridades administrativas e aos limites do orçamento.

Vale lembrar que, no início de maio, ao anunciarem no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) o programa “Acelera INSS”, para reduzir a fila de análise processos de benefícios que tramitam na autarquia, a presidente do instituto, Ana Cristina Silveira, e o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, informaram que seria aberta uma seleção para contratação de 2 mil novos servidores. 

Esse anúncio de contratação de 2 mil novos servidores, por meio de concurso, ocorreu antes mesmo de ser divulgado que o INSS havia encaminhado ao MGI o pedido de 10 mil vagas.

Veja escolaridades e remunerações do técnico e analista

A carreira de técnico do seguro social exige o nível médio e tem remuneração de R$6.652,76, para carga de 40 horas semanais. Esse valor é composto da seguinte forma:

* Vencimento-base – R$723,83;
* Gratificação de Atividade Executiva (GAE) – R$1.158,13;
* Gratificação de Desempenho de Atividades do Seguro Social (Gdass) – R$3.578,80 (80 pontos);
* Auxílio-alimentação – R$1.192.

No entanto, após alguns meses, a Gdass passará de 80% (R$3.578,80) para 100% (R$4.473). Com isso, a remuneração atinge o valor de R$7.546,96.

Para analista do seguro social, carreira que exige formação superior (várias áreas), a remuneração atual é de R$9.622,31, para carga de 40 horas semanais. Esse valor é composto da seguinte forma:

* Vencimento-base – R$1.019,35;
* Gratificação de Atividade Executiva (GAE) – R$1.630,96;
* Gratificação de Desempenho de Atividades do Seguro Social (Gdass) – R$5.780 (80 pontos);
* Auxílio-alimentação – R$1.192.

No entanto, após alguns meses, a Gdass também passará de 80% (R$5.780) para 100% (R$7.225). Dessa maneira, a remuneração chegará a R$11.067,31.

Esses valores constam na Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais (referência maio/2026), disponível no site Servidor.GOV.

Leia também – Concursos federais: PLOA 2027 prevê 53.530 vagas

O último concurso INSS para para técnico do seguro social aconteceu em 2022 e trouxe oferta de mil vagas imediatas, sendo 191 destinadas ao Estado do Rio de Janeiro, distribuídas pela capital e pelas cidades de Niterói, Duque de Caxias, Petrópolis, Volta Redonda e Campos dos Goytacazes.

Durante os dois anos de validade do concurso (já com a prorrogação), o INSS foi autorizado preencheu as mil vagas em edital, além de outras 550 que foram liberadas posteriormente pelo governo federal.

O concurso INSS para técnico do seguro social, que reuniu 1.023.494 de inscritos (161.312 no Estado do RJ), teve organização do Cebraspe. Na época, os candidatos fizeram apenas uma prova objetiva. Os mil melhores classificados foram convocados para o curso de formação.

A prova objetiva para técnico do seguro social foi composta por 120 itens, sendo 50 de Conhecimentos Básicos (Língua Portuguesa, Ética no Serviço Público, Noções de Direito Constitucional, Noções de Direito Administrativo, Noções de Informática e Raciocínio Lógico) e 70 de Conhecimentos Específicos (Legislação Previdenciária e de Seguridade Social).

Os aprovados e classificados no concurso INSS são contratados pelo regime estatutário, que assegura estabilidade no emprego.

Vídeo do YouTube · toque para carregar