Eduardo Rios Neto declara que projeto do Censo Demográfico do IBGE já está pronto e pretende realizá-lo neste ano, porém, não descarta adiamento para 2022.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem um novo presidente: Eduardo Rios Neto foi empossado na última sexta-feira, 30 de abril, em um momento complicado para o instituto que está com o Censo Demográfico suspenso, em função da diminuição do orçamento destinado para a realização da coleta. Durante a cerimônia de posse, Rios Neto deixou evidente o interesse em concluir as etapas do concurso para a contratação de agentes e recenseadores temporários.

Segundo ele, o projeto do Censo Demográfico já está pronto e o IBGE está preparado para realizá-lo este ano, porém, é necessário que o orçamento seja ampliado a autarquia. Portanto, ainda não se pode descartar a possibilidade do Censo ser adiado para 2022, considerando que o cronograma original de preparação sofreu com recentes adiamentos, devido a indefinição sobre as verbas. O IBGE segue aguardando um posicionamento do Ministério da Economia para saber da viabilidade ou não de concretizar esse evento:

Nesse segundo cenário, seria necessário um aporte de recursos maior do que o que já está na Lei Orçamentária desse ano, a fim de garantir a economicidade e a tecnicidade das atividades de planejamento. O que me preocupa é a continuidade do processo censitário. Cabe, também, avaliar a conveniência de se alterar a data de início da coleta para o primeiro semestre de 2022. Em suma, estou pronto para liderar o processo, mesmo diante destas incertezas".  

Mesmo com os revezes orçamentários e sanitários, o novo chefe do IBGE se mostra confiante em conseguir realizar o Censo Demográfico neste ano, ressaltando que todos os membros da Comissão Consultiva do Censo se manifestaram favoráveis à realização da coleta em 2021, bem como um grande número de ex-presidentes do IBGE:

Estamos preparados tecnicamente para a realização do Censo neste ano. Há um clamor social para que ele ocorra. Precisamos, contudo, aguardar se o orçamento de R$2 bilhões será recomposto, seja por via judicial ou pelo Congresso, para que todo o planejamento da operação censitária seja executado", explicou Rios Neto.

STF exige a realização do Censo

O Supremo Tribunal Federal pressiona o Governo Federal a tomar medidas que possibilitem a realização do Censo Demográfico neste ano, depois do mesmo já ter sofrido um adiamento no ano passado, devido ao surgimento da pandemia da Covid-19 no Brasil.

No último dia 28 de abril, o ministro Marco Aurélio Mello aceitou o pedido da Procuradoria-Geral do Maranhão, que acionou o STF contra o adiamento do Censo. O Governo Federal ainda não se posicionou sobre a cobrança do Poder Judiciário. Já o novo presidente do IBGE destacou que, mesmo que o orçamento volte a ser de R$2 bilhões, o início do Censo não seria mais possível em 1º de agosto, como previa o cronograma inicial, devido o adiamento das provas objetivas.

Distribuição das vagas temporárias

Antes mesmo de todo esse imbróglio a respeito do orçamento concedido ao Censo Demográfico para 2021, o IBGE reservou 204 mil vagas temporárias distribuídas em três carreiras, cada qual com os seguintes requisitos e remunerações:

  • 5.450 vagas de agente censitário municipal (nível médio) - Remuneração de R$2.558;
  • 16.959 vagas para agente censitário supervisor (nível médio) - Remuneração de R$2.158;
  • 181.898 vagas para recenseador (nível fundamental) - Remuneração varia conforme a produtividade do profissional.

Como o concurso ainda não foi cancelado oficialmente, o IBGE ainda não fez o reembolso aos candidatos que já efetuaram o pagamento das taxas de inscrição.

 

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