Professor Carlos Newlands diz que disciplinas têm grau de complexidade elevado, mas que Cesgranrio costuma facilitar elaborando questões bastante objetivas.

Sem realizar concurso para escriturário (tradicional), no Rio de Janeiro, desde 2013, era de se esperar que o conteúdo programático de várias disciplinas do concurso do Banco do Brasil, sobretudo aquelas voltadas para o setor financeiro, sofresse alteração significativa. É o caso por exemplo das matérias de Conhecimentos Bancários e Atualidades do Mercado Financeiro.

Para o professor Carlos Arthur Newlands, que leciona na Degrau Cultural, o conteúdo dessas duas disciplinas assumiu um grau de complexidade elevado, muito conectado com a atual realidade do mercado financeiro, revelando inclusive um novo perfil de profissional que o banco procura.

“O Banco do Brasil não busca funcionários burocráticos. A instituição pretende selecionar profissionais de mercado, com visão de macroeconomia e compreensão das relações entre as variáveis macroeconômicas (câmbio e juros) com o negócio bancário“, disse Carlos Newlands, recomendando aos interessados em participar do concurso que busquem se matricular imediatamente em um curso preparatório, como forma de aprender com mais eficiência as disciplinas de Conhecimentos Bancários e Atualidades do Mercado Financeiro.

Embora considere que o conteúdo das duas disciplinas tenha um grau de complexidade elevado, Carlos Newlands garante que não há motivos para os futuros candidatos se apavorarem. Isso porque, segundo o professor, a Fundação Cesgranrio (organizadora) costuma elaborar questões bastante objetivas. “Então, se o candidato dominar os conceitos básicos e souber como aplicá-los em situações concretas, estará muito bem preparado para o certame.”

Com a experiência de quem já foi funcionário da Caixa Econômica Federal, ex-professor da Universidade Corporativa do banco e especialista em preparação para concursos do setor financeiro, Carlos Newlands apontou, na entrevista abaixo, quais são os assuntos com mais chances de cair na prova para escriturário, deu dicas de preparação e falou sobre as falhas que os candidatos não podem cometer ao estudar para em certames do porte do BB.

Degrau Cultural - Qual a avaliação que o senhor faz do conteúdo programático das disciplinas de Conhecimentos Bancários e Atualidades do Mercado Financeiro, para a carreira de escriturário/agente comercial?

Carlos Arthur Newlands - O conteúdo é bastante extenso e muito conectado com a atual realidade do mercado financeiro. Chamou-me a atenção a inclusão de itens como políticas monetárias convencionais e não-convencionais (Quantitative Easing); impactos das taxas de câmbio sobre as exportações e importações; diferencial de juros interno e externo, prêmios de risco, fluxo de capitais e seus impactos sobre as taxas de câmbio. Isso mostra que o Banco do Brasil não busca funcionários burocráticos. A instituição pretende selecionar profissionais de mercado, com visão de macroeconomia e compreensão das relações entre as variáveis macroeconômicas (câmbio e juros) com o negócio bancário.

As disciplinas de Conhecimentos Bancários e Atualidades do Mercado Financeiro são de fácil assimilação ou complexas? Qual a melhor forma de estudá-las, sobretudo os novatos nesse mundo dos concursos?

Essas disciplinas assumiram um grau de complexidade elevado neste edital. A melhor maneira de estudá-las é fazendo curso preparatório com bons professores, que tenham tanto a visão mais acadêmica da macroeconomia quanto o conhecimento do negócio bancário.

Quais falhas os futuros candidatos não podem cometer ao estudar as disciplinas de Conhecimentos Bancários e Atualidades do Mercado Financeiro?

Para começar, os candidatos não podem subestimar a complexidade das disciplinas. Praticamente nada do que consta no conteúdo programático o candidato viu na escola no ensino médio. Parte do conteúdo é normalmente ministrado nas faculdades de Economia, outra parte é mais de Direito e outra ainda é da prática do negócio bancário. No entanto, não é preciso se apavorar com a complexidade das disciplinas. A banca Cesgranrio tem um estilo de questões bastante objetivo. Então, se o candidato dominar os conceitos básicos e saber como aplicá-lo em situações concretas, estará muito bem preparado para o certame. Por fim, outra falha que não pode ser cometida é deixar pra estudar em cima da hora. O tempo é razoável (90 dias entre a divulgação do edital e a aplicação da prova), mas não é longo e são várias disciplinas a serem estudadas e/ou revisadas. É preciso que comecem o estudo desde já.

O que se pode esperar de uma prova de Conhecimentos Bancários e de Atualidades do Mercado Financeiro preparada pela Fundação Cesgranrio? Qual o perfil de prova desta banca organizadora?

Como disse anteriormente, a banca Cesgranrio tem um estilo de questões bastante objetivo: ou indaga o significado do conceito ou aplica o conceito numa situação-problema concreta. São questões de múltipla escolha, então na dúvida ou desconhecimento, o "chute" é válido e necessário. Portanto, como já assinalei, se o candidato dominar os conceitos básicos e saber como aplicá-los em situações concretas, tudo aponta para que tenha um ótimo resultado na prova.

No que tange à disciplina de Conhecimentos Bancários, quais são os assuntos que o senhor acredita que têm mais chances de serem explorados na prova deste ano?

Acho que os "assuntos-novidade" têm muita chance de serem pedidos: políticas monetárias convencionais e não-convencionais (Quantitative Easing); impactos das taxas de câmbio sobre as exportações e importações; diferencial de juros interno e externo, prêmios de risco, fluxo de capitais e seus impactos sobre as taxas de câmbio. Inclusive, o tema câmbio sempre caiu em todas as provas do BB. Produtos Bancários e Estrutura do Sistema Financeiro nacional são itens tradicionais, mas que também sempre foram pedidos.

E o que o senhor acredita que será mais explorado em relação à disciplina de Atualidades do Mercado Financeiro?

Essa disciplina veio este ano com um perfil totalmente novo, muito mais detalhado e muito mais aderente à realidade das mudanças pela qual está passando o sistema financeiro no Brasil. São 15 itens para cinco perguntas. Então, eu arriscaria apostar nos seguintes assuntos: os bancos na era digital e transformação digital no sistema financeiro, open banking, novos modelos de negócios e sistema de pagamentos instantâneo (Pix).

Os candidatos devem resolver as questões de Conhecimentos Bancários e de Atualidades do Mercado Financeiro das provas anteriores para escriturário do BB ou não vale a pena em função das mudanças passadas pelo sistema financeiro?

Há oito anos não há concurso para bancos públicos, e o sistema financeiro mudou tanto neste tempo que as questões dos concursos anteriores ficaram completamente defasadas, além de não abordarem uma série de tópicos importantes do presente edital. Eu realmente desaconselho a resolver provas anteriores; só faria uma exceção para o item de Política Monetária (esse os candidatos podem revisitar questões anteriores).

Quais outras dicas e orientações pode deixar para aqueles que pretendem concorrer a uma vaga de escriturário do BB?

Concurso não é prova de 100 metros, é maratona. Portanto, o candidato tem que ter disciplina de maratonista. É estudar todo dia de agora até a véspera da prova; pesquisar muito na internet sobre os tópicos de Atualidades do Mercado Financeiro e buscar no site do Banco Central o máximo de conteúdo sobre os tópicos de Conhecimentos Bancários, além de fazer um bom curso preparatório (presencial ou à distância). Ministrei por muito tempo aulas em cursos presenciais e à distância, e tive por inúmeras vezes o prazer de reencontrar meus alunos como colegas de banco ou de profissão.

 

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