Como funciona o exame psicotécnico em concursos públicos?

O Exame Psicotécnico, também conhecido como avaliação psicológica, é uma das etapas de alguns concursos públicos, a qual os concurseiros precisam enfrentar antes de conquistarem o sonho da aprovação. O teste é sempre de caráter eliminatório. O método visa avaliar a personalidade e o estado psicológico do candidato para saber se ele está apto ou não a ingressar no cargo público em questão. 

A aplicação de teste psicotécnico para avaliar candidatos que prestam concursos públicos passou, incialmente, por uma série de debates quanto à sua aceitação e forma de aplicação.

De um lado, estava a preocupação de que o candidato ao cargo público tivesse condições e comportamento adequados para a função a qual se candidatava. Do outro, havia a dificuldade em fazer com que o exame respeitasse o princípio da isonomia, ou seja, que não significasse uma forma de discriminação a candidatos com determinadas condições.

Por fim, após uma série de discussões na Justiça, o uso de teste psicotécnico foi considerado válido, desde que observadas algumas condições. Uma delas é que o teste deve estar previsto na legislação e no edital do certame, além de ser aplicado de forma razoável e adequado para as atribuições do cargo ao qual o candidato está concorrendo.

Muitos concurseiros ficam nervosos antes de fazerem o exame psicotécnico, porque é difícil se preparar para ele, uma vez que não existe um curso preparatório que ensine a se preparar para esse exame, como acontece com as provas objetivas, por exemplo. Mas para ajudá-los a entenderem que o teste psicotécnico não é nenhum bicho de sete cabeças, hoje falaremos um pouco sobre como ele funciona e como você pode se preparar para não deixar o nervosismo te atrapalhar na hora que for para valer. Confira!

No que consiste o exame psicotécnico?

Através de uma entrevista ou testes psicológicos (que vão variar de acordo com o concurso e cargo) o examinador irá averiguar se os candidatos estão preparados para situações que estarão presentes na rotina do cargo.

Os quesitos analisados na avaliação para carreiras da área de segurança pública geralmente são:

Características imprescindíveis – Apresentação pessoal, atenção difusa, capacidade de acatar normas e regras, capacidade de adaptação, controle emocional, dedicação, discernimento, bom senso, disciplina, honestidade, imparcialidade, prudência, rapidez de ação e reação e responsabilidade;

Características importantes – Atenção concentrada, capacidade de observação, dinamismo, educação, energia/autoridade, iniciativa, memória fisionômica, memória visual, organização, percepção, resistência à frustração e sociabilidade;

Características necessárias – Fluência oral, inteligência (raciocínio dedutivo/indutivo), persuasão e raciocínio verbal.

Quais condições podem eliminar um candidato no exame psicotécnico?

- psicopatologias, Vícios (álcool, drogas, jogos, etc.);

- desvios de sexualidade;

- heteroagressividade exarcebada;

- agressividade auto-dirigida;

- fanatismo religioso;

- fanatismo ideológico;

- emotividade acentuada;

- impulsividade exarcebada;

- estrutura frágil de personalidade/ sensibilidade acentuada.

Se o candidato já fez exame psicotécnico para um concurso, ao fazer outro, precisa se submeter novamente a esta etapa?

Parte da doutrina vem admitindo, na hipótese do candidato já ter sido submetido a exame psicotécnico e sendo aprovado, por exemplo, para policial, ao se submeter a novo concurso com muitas semelhanças, e da mesma natureza, não é plausível a exigência de novo exame.Tem sido considerado desnecessário que o servidor que já tenha sido submetido a exame psicotécnico e tenha sido aprovado, quando em participação em novo concurso público, na mesma pessoa federativa, e concorrendo a cargo de funções idênticas ou semelhantes ao que já ocupa, realize novo teste psicotécnico, uma vez que anteriormente não se lhe tenha atribuído nenhuma avaliação psicológica negativa.

Entretanto, ainda há muitas controvérsias sobre o tema. O relator ministro Roberto Barroso, REsp. 296.034/ PR, teve, recentemente, o entendimento, afirmando que o candidato que participa do concurso para o cargo de delegado da Polícia Federal, por exemplo, deve submeter-se ao exame psicotécnico, mesmo que já tenha realizado esse teste em concurso anterior para o cargo de agente. Então, pela impossibilidade de se aproveitar tal habilitação em processo seletivo distinto daquele em que foi realizada a avaliação, por força do disposto no Art. 10, parágrafo único, do Decreto-Lei 2.320/87, que dispõe sobre o ingresso nas categorias funcionais da Carreira Policial Federal, verbis: 'A habilitação em qualquer dos requisitos exigidos para matrícula em curso de formação não poderá ser aproveitada em processo seletivo distinto'.

Os argumentos contrários à aprovação prévia em similar exame, quando se ingressou na polícia são: 

- a finalidade do exame psicotécnico é a avaliação psíquica do candidato, a fim de aferir sua compatibilidade com o cargo a que pleiteia e não para o anterior ocupado, cujas atribuições são totalmente distintas;

- a aprovação obtida a anos, com certeza, foi pautada com base em sistemática seletiva adequada à época, não guardando similitude com a atual. Logo, não há como se aproveitar o exame psicotécnico anterior.

Se o candidato for considerado inapto no teste psicotécnico é possível recorrer?

O candidato que for considerado inapto e não concordar com o resultado do teste psicotécnico pode apresentar recurso. Inclusive, pode contar com o apoio de um especialista na área psíquica, como um psicólogo, para rever as provas e laudos.

Dicas para se sair bem no exame psicotécnico

1 - Entenda um pouco sobre cada um dos testes que poderão ser feitos para não ser pego de surpresa;

2 - Procure manter a calma e não tentar parecer ser algo que você não é;

3 - Converse com pessoas que já passaram pelo teste antes;

4 - Fique atento às características que serão avaliadas.

 

Em suma, manter a calma e confiar em si é essencial para se sair bem no exame. Boa sorte!

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Publicado: 15 de September de 2020