Professores explicam que a fé é um combustível indispensável para se manter firme na dura rotina de estudos para um concurso público, independente da religião.
Ao decidir prestar um concurso público, uma pessoa acaba tendo que lidar com vários desafios, responsabilidades e sentimentos que surgem na trajetória até o resultado final. Nesse processo, além de cuidar do desempenho intelectual e até físico, em caso de concursos para a área de segurança pública, o candidato também tem que fortalecer o emocional e até mesmo o espiritual. Esse último aspecto será o foco desta matéria.
A teologia aponta que a espiritualidade, independentemente da crença religiosa cultivada por um candidato, pode ser muito benéfica em vários campos da vida humana. No lado psicológico, por exemplo, a fé ajuda a combater alguns dos principais vilões do dia a adia dos concursos, como o estresse, o excesso de ansiedade e até mesmo previne a depressão.
Já no aspecto comportamental, quanto mais uma pessoa cultiva sua fé e se conecta com a divindade que acredita, mais resiliente ela se torna e ela também constrói uma visão mais positiva do mundo. Esse é um pensamento que a maioria das crenças religiosas e também filosóficas compartilham.
A influência da religião na rotina de preparação para concursos
Para entender como a fé, de fato, pode contribuir para que um concurseiro obtenha sucesso e ingresse no serviço público, a reportagem da DEGRAU CULTURAL conversou com dois professores adeptos a crenças religiosas distintas, mas que ajudam a compreender como a espiritualidade e a intelectualidade caminham lado a lado.
O professor Moisés Romano, que dá aulas de Informática na instituição, declarou que sua religião é o cristianismo. Segundo ele, a busca pelo conhecimento já é algo implícito na vida de qualquer cristão, pois ele está sempre estudando e buscando informações novas a respeito dos ensinamentos de Jesus Cristo, que é a maior liderança desse movimento religioso:
“Isso faz com que o concurseiro nunca pare, nunca fique estagnado. Quando esse cristão se dedica a algo ele já tem essa sede de conhecimento e de desbravar esse mundo. Sem falar que um aluno cristão não perde tempo com coisas do mundo, tais como, festas, noitadas e bebedeiras. Isso acaba dando mais tempo, dedicação e concentração aos estudos”.
O docente avalia ainda que a fé o primeiro ponto de conexão de um indivíduo com o seu Deus. Como ela deve ser exercitada diariamente, o professor entende que ela se assemelha aos estudos, que também devem ser praticados todos os dias a fim de que o candidato para um concurso assimila informações novas e revise sempre aquilo que já conhece, para não ser esquecido por falta de uso: “A fé ajuda bastante o candidato que não sabe quando será classificado em um concurso, mas sabe que isso vai acontecer”, complementa Romano.
Já a professora Mariana Lima, que leciona as disciplinas ligadas à Marinha do Brasil, segue o Candomblé, religião de origem africana. Ela avalia a fé e a religiosidade como um “colo” que o candidato pode sempre recorrer, seja nos momentos bons ou ruins.
“A vida do concurseiro não é fácil. É muita renúncia, pressão e principalmente cobrança por resultados positivos. E se a pessoa não tiver um apoio espiritual, a jornada poderá ser mais difícil”, explica Mariana.
Adepta a uma religião que chegou ao Brasil através dos africanos trazidos em navios negreiros para serem escravizados, a professora lembra que a história de dor e de repressão contra os seus descendentes serve de estímulo aos candomblecistas, pois eles acreditam que nada na vida é conquistado sem luta e determinação, e com quem prestar concurso público, não é diferente.
A especialista, inclusive, cita um provérbio africano que dialoga com a rotina espiritual de um concurseiro: "Enquanto reza, vá fazendo". E ela explica que “o tempo deverá ser utilizado a seu favor, para a sua ascensão”.
Não ter religião não traz prejuízos para um concurseiro
Ambos os professores comentaram ainda a respeito dos concurseiros que são ateus, ou seja, que não seguem qualquer tipo de religião. Eles são unânimes em dizer que esse detalhe não o coloca em desvantagem em comparação a candidatos católicos, evangélicos, umbandistas, judeus, budistas e quaisquer outras denominações religiosas.
A manifestação da fé é uma aliada, sim, ao manter um candidato focado no seu objetivo de conquistar um cargo público. Contudo, não basta apenas orar e clamar para as suas divindades se o candidato também não cumpre com suas responsabilidades com o concurso a qual irá prestar:
Moisés Romano: “Então, o Senhor Jesus nos deu o livre arbítrio, por isso podemos escolher segui-lo ou não. Lembrando sempre que Deus é amor e se você pratica o bem e o amor ao próximo Ele lhe tem com muito agrado. A fé tem que ter a obra, ou seja, de nada adianta rezar, orar a Deus e não ser bom. Faço uma semelhança aos estudos, você tem fé que vai passar e acredita, mas tem que ter a obra e nesse caso a obra é o estudo”.
Mariana Lima: “A pessoa tem que se sentir confortável na situação em que ela se coloca e nas suas escolhas feitas”.
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Desta forma, independente de qual seja sua religião, de qual deus você acredita, ou se não acreditas em nenhum deus, o importante é sempre cultivar dentro de si a esperança de que o seu esforço diário será recompensado e que, no momento certo, você ocupará o cargo dos seus sonhos, desde que não abandone os estudos. Veja abaixo as mensagens de fé deixadas pelos nossos professores:
Mariana Lima: “Lembre-se, ‘depois da tempestade há sempre um arco-íris’ (mais um provérbio africano). Saiba que nenhum sacrifício será em vão. Nenhum”.
Moisés Romano: “Tenha fé, acredite no Deus do impossível, mas não deixe de estudar, estude muito, se afaste de pessoas que não agregam coisas boas e não se esqueça de uma frase muito importante do Senhor Jesus que foi: ‘eu não disse que vai ser fácil disse que estarei com vocês’”.




