Todos sabem que o período de preparação para concursos públicos é repleto de leitura e memorização. Os aspirantes à carreira pública precisam, independentemente da área, ler uma quantidade imensa de conteúdo no decorrer de alguns meses e tentar absorver o máximo de informações possível para não fazer feio na hora das provas. É bastante comum ouvir histórias sobre o famoso “deu branco” no meio de exames importantes, por mais que o candidato tenha lido sobre o conteúdo.


Esse tipo de situação acontece porque, por mais que todos saibam da importância da leitura e da memorização, poucos são os que realmente compreendem como estes processos funcionam. Por isso, nós da Degrau elaboramos a série de textos “Memorização e Leitura”. Os textos têm como intuito elucidar alguns dos equívocos e maus hábitos mais comuns relacionados ao tema.


Este primeiro texto tem como enfoque diferenciar a memorização de um processo completamente diferente, mas comumente associado pelos leigos: a decoreba. Você sabe as diferenças de um de outro? E os efeitos de cada técnica? Pode não parecer, mas saber responder a essas perguntas pode ser importantíssimo para a sua classificação. Confira:


A diferença entre decoreba e memorização


A memória pode ser descrita como a capacidade de compreender informações adquiridas em um determinado momento e retê-las no cérebro, de modo a utilizá-las posteriormente. Memorizar, portanto, não é a mesma coisa que decorar. Saber a diferença entre as duas coisas já é um primeiro passo importante.


A famosa “decoreba” consiste em um processo mecânico de fixação de um determinado elemento ou sequência de elementos através de muita repetição, sem que aquilo seja de fato analisado e compreendido pelo cérebro. É um método mais “intuitivo” para algumas pessoas, mas que não costuma ser muito eficiente para armazenar grandes volumes de informação e que não tem grande durabilidade. Em poucos dias ou semanas você já esqueceu tudo que decorou em determinado momento.


A memorização, por outro lado, é um processo consciente. Para desenvolvê-la, é preciso que a sua leitura seja a mais eficiente possível, ou seja, que você compreenda e absorva o máximo de conteúdo através dela. Esse caminho é mais demorado, visto que requer muito mais foco e dedicação, mas os resultados tendem a ser muito mais eficientes e duradouros do que uma mera decoreba.


Quer um exemplo prático da diferença entre uma coisa e outra? Então pense numa prova de habilitação. Para fazê-la, você pode tentar simplesmente enumerar as leis do código de trânsito, em sequência e por enunciado, e repetir incessantemente até que decore aquilo. Ou você pode tentar ler cada lei individualmente, se concentrar em compreendê-las, entender os motivos para que ela tenha sido implementada, o que ela visa evitar, etc. Nesse caso, você estará memorizando o conteúdo.


Não há dúvidas de que a compreensão será mais eficiente seguindo o segundo caminho do que o primeiro, desde que você disponibilize o tempo adequado para isso. Ou seja, memorizar NÃO É um processo de véspera. O principal trunfo da memorização é justamente o de ser um processo ao longo do tempo, permitindo que o cérebro se habitue com os assuntos e absorva de fato o que você precisa saber a respeito.