As vantagens de trabalhar no serviço público são inúmeras. E algumas delas já são de conhecimento da maioria das pessoas, como é o caso de planos de carreira com previsão de progressões regulares, estabilidade empregatícia, benefícios extras, entre outras condições especiais em relação ao mercado privado. Mas, sem sombra de dúvidas, um dos maiores atrativos são as médias salariais, às vezes muito acima, se comparadas com funções equivalentes no mercado privado brasileiro.

No último dia 9 de outubro, o Banco Mundial publicou um estudo que confirma e quantifica estas vantagens do setor público no Brasil. O estudo aponta que, em 2018, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país foi destinado ao pagamento de salários e vencimento de servidores públicos.

Esta é uma das maiores relações de gasto/ PIB entre os países analisados. Além disso, nosso país também é um dos que mais contratam através de concursos públicos. “A relação entre o número de funcionários públicos e a população no Brasil (5,6%) é mais alta que a média latino-americana (4,4%), mas inferior a países da OCDE (9,5%)”, aponta o documento.

Um dos dados mais impressionantes, no entanto, é em relação à diferença salarial média entre a iniciativa pública e privada. Servidores federais recebem, em média, 96% a mais do que trabalhadores do mercado privado em funções equivalentes.

É possível apontar diversos fatores para esta diferença, como as altas taxas de juros praticadas no Brasil, o sistema tributário e a capacidade de organização dos servidores públicos. Mas o fato é que a responsabilidade de quem trabalha no setor público é maior, dado que prestam serviço para milhões de pessoas (seja municipal, estadual ou federal) e respondem à fiscalização da sociedade.

Expectativa é de que venham novas contratações pela frente

É bem verdade que, em alguns pontos, o setor público vem recebendo menos benefícios desde o agravamento da crise econômica nacional, a partir de 2014. A queda de arrecadação tributária gerou queda de reajustes salariais e até de contratações nos últimos anos.

No entanto, analisando os dados, é possível constatar que o estado brasileiro precisa de novas contratações, visto que se encontra com enormes vacâncias em diversos órgãos de grande importância, como o INSS, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Fiscal.

Um dos dados apontados pelo estudo é de que um grande contingente de servidores está prestes a se aposentar. Até 2022, entre 20% e 26% da atual força de trabalho do setor público terá se aposentado.

Diante deste cenário, onde vários órgãos importantes encontram-se com alto déficit de pessoal e grande quantidade de servidores em condições de se aposentar, será imprescindível realizar novas convocações. Caso isso não aconteça, diversas instituições importantes correm risco de terem suas eficiências reduzidas, ou até mesmo as atividades paralisadas por falta de funcionários.