O incentivo e a qualidade do ensino escolar oferecido a uma criança pode favorecer a formação de um futuro servidor público. Veja o que a psicopedagogia explica!
12 de outubro, como todos sabem, é o Dia das Crianças, data instituída em 1923. E ela serve não somente para distribuir brinquedos para os pequenos, mas também para lembrar que um dos deveres imprescindíveis do Estado, da família e da sociedade como um todo, é garantir que todas as crianças e adolescentes do país tenham “o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de estarem a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, segundo menciona o artigo 227 da Constituição Federal de 1988.
Dentre esses direitos considerados invioláveis é o direito à educação. Crianças de todas as classes sociais devem estar no ambiente escolar para adquirirem conhecimentos sobre o mundo, para aprimorarem suas habilidades, para dividir o que sabem com outras pessoas e para conviverem com outras crianças, que também faz parte do processo de socio-aprendizagem.
E é justamente no início da vida em que se pode despertar o interesse pelos estudos e formar brilhantes concurseiros. É o que explica a pedagoga Alexandra Valle, que é especialista em psicopedagogia:
“As crianças têm interesse em aprender quando é atrativo e interessante para ela o assunto ou a maneira como está sendo ensinado a matéria ou algo para ela. Não podemos esquecer que a afetividade é muito importante para a aprendizagem dessa criança também. O cérebro de uma criança aprende brincando então é muito importante que na sala de aula e em casa sejam colocados: jogos, brincadeiras e outras atividades sensoriais que ajudem na criatividade e vão ajudar as crianças aprenderem mais e melhor”.
Alexandra lembra ainda que a educação infantil é primordial para o desenvolvimento físico, motor, cognitivo, social e emocional de uma criança, e que deveria ser mais bem valorizada pelos pais.
Já nos primeiros anos de vida escolar, pais e professores podem identificar se determinada criança poderá se tornar alguém que, no futuro, tenha uma maior pré-disposição para prestar vestibulares e concursos públicos:
“Sim. Através do lúdico como: desenhos, brincadeiras, teatro, jogos que aprimoram as descobertas, facilitando a autonomia e o autoconhecimento que são importantes para as tomadas de decisões e construção da personalidade da criança. Os pais podem procurar um terapeuta cognitivo para ajudar na aplicação dos jogos e atividades. A habilidade das nossas crianças na infância pode sim influenciar na escolha da profissão na fase adulta.
Mas não basta apenas ter essa pré-disposição para ficar horas a fio estudando conteúdos que, às vezes, podem ser maçantes. É preciso que pais ou responsáveis estimulem nos filhos competências que são essenciais para avançar em um concurso público, como a sociabilidade, a curiosidade, a dedicação, o foco e a disciplina.
A pedagoga Alexandre separou algumas dicas para a formação dos futuros concurseiros:
Incentivar seu filho ter sonhos
“O primeiro passo para conquistar algo é acreditar que é possível. Se não, a pessoa desiste antes mesmo de tentar e o sonho não sai do plano da imaginação”.
Criar uma rotina para seu filho
“Ela vai possibilitar que os pequenos se orientem na relação tempo-espaço e se desenvolvam. Além de permitir que a criança estruture sua autonomia, disciplina e foco em suas atividades. Importante colocar o quadro de rotina no quarto da criança”.
Valorizar o esforço do seu filho:
“Elogie sempre o esforço do seu filho mesmo que ele não obtenha sucesso em algo. Se perder uma competição, por exemplo, conversem para descobrir os motivos da derrota e encoraje-o, explicando que na próxima vez ele estará mais preparado, se continuar treinando e se esforçando.
Elogiar seu filho pelas conquistas
“Você não gosta de receber elogios de seu líder? Acontece com seu filho também. Quando você elogia, parabeniza e incentiva, ele se sente reconhecido, e consequentemente motivado a continuar realizando novas descobertas e conquistas. E com certeza vai se tornar um adulto com foco, disciplina e determinação para conquistar seus sonhos”.

*Pedagoga Alexandra Valle
O ambiente exterior também favorece o aprendizado
Para que um concurseiros consiga se concentrar nas matérias que precisa estudar, a criança precisa de um ambiente que permita ela se movimentar, procurar, descobrir, com toda a segurança do mundo, a fim de que o processo de aprendizagem transcorra naturalmente.
Ao citar o psicólogo suíço Jean Piaget, a também psicóloga Sônia Kramer (2000, p. 29), afirma que “o desenvolvimento resulta de combinações entre aquilo que o organismo traz e as circunstâncias oferecidas pelo meio (...) e que os esquemas de assimilação vão se modificando progressivamente, considerando os estágios de desenvolvimento”. Ou seja, o ser humano não é uma espécie de “pote vazio” pronto para apenas receber o que vêm de fora. Ele já traz consigo, desde os primeiros anos, conhecimentos obtidos através da interação com o meio e que vai se desenvolvendo conforme o tempo. É o que defende o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky: “o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial ao seu desenvolvimento”. (apud DAVIS e OLIVEIRA, 1993, p. 56).
Sendo assim, podemos concluir, com base nessas teorias e nas explicações oferecidas pela pedagoga Alexandra Valle, que o ambiente ideal para estimular a aprendizagem de uma criança “é aquele em que ela se sente segura e ao mesmo tempo desafiada, onde ela sinta o prazer de pertencer a aquele ambiente. Oportunidades dela subi, descer, pular e andar através de várias tentativas para a criança aprender a controlar o seu próprio corpo”.
Mas tão importante quanto despertar o gosto pelo saber na infância é mantê-lo na adolescência e na juventude, que são as fases da vida em que são aplicados os maiores vestibulares e concursos públicos, onde o nível de exigência intelectual é elevadíssimo:
“Pequenos hábitos constantes podem fazer toda a diferença na vida dos adolescentes. Se engana quem pensa que hábitos precisam ser construídos desde os primeiros anos para que sejam efetivos. Algumas mudanças de abordagem podem ser realizadas a partir de qualquer momento na vida de um jovem ou adolescente. Será que não precisa rever o tempo que fica com os filhos ou mesmo avaliar a qualidade das interações. Tenho certeza que será possível conseguir motivá-los mais no caminho dos estudos e da construção de um sucesso profissional. E não esqueçam de ser o exemplo para seu filho”, afirma Alexandra Valle.
Se uma criança não gosta de estudar, ela não terá sucesso no futuro?
Claro que é possível ter sucesso no futuro após uma infância repleta de fracassos. Quantas mentes brilhantes que contribuíram para a história da humanidade eram considerados péssimos alunos nos tempos de escola. Albert Einstein, por exemplo, o “Pai da Teoria da Relatividade” tinha dislexia.
O que irá determinar o fracasso de um indivíduo no futuro não será sua dificuldade em assimilar os conteúdos passados pelos professores. E sim, a falta de apoio, conforme explica a especialista convidada:
“Os pais e os professores têm um papel muito importante, para ajudar essa criança, através de uma investigação com ajuda de profissionais, pois alguns desses comportamentos podem estar associados aos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), dislexia, discalculia – esses são os mais comuns entre crianças e adolescentes na escola. A procura de profissionais específicos é muito importante para descobrir se é uma dificuldade de aprendizagem ou um transtorno. Procure ajuda de um profissional, não pense que é preguiça, vontade de fazer bagunça ou falta de interesse nas aulas, por isso a importância de professores qualificados em sala de aula, ele é a peça fundamental para ajudar essa criança”.
O atual sistema educacional do Brasil está preparado para formar concurseiros?
Conforme dito no início da matéria, é dever do Estado garantir às crianças brasileiras o direito de terem acesso à Educação de qualidade. Infelizmente, a pandemia da Covid-19 ampliou o abismo de oportunidades entre crianças que estudam em escolas particulares com aquelas que estudam em instituições públicas. No momento em que foi necessário fechar as escolas para evitar a contaminação do Coronavírus, escolas localizadas em regiões de maior vulnerabilidade social não puderam oferecer aos estudantes o direito de continuar o letivo, em função da falta de acesso à internet.
E como formar uma nova geração de concurseiros em um país onde a qualidade de ensino ainda é precária. Alexandra Valle lembra que, mesmo com a implantação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), seja balizadora da qualidade da educação, o atual cenário pedagógico do Brasil carece de cursos e testes preparatórios para concursos e vestibulares.
E muito possivelmente, essa foi a realidade da infância de muitos concurseiros de hoje. Apesar de tantos revezes, é necessário seguir cultivando os desejos de antigamente:
“Quando criança podemos perceber que tudo parece mais simples de ser realidade. Construir o próprio patrimônio, chegar à lua, ter o emprego dos nossos sonhos, viajar pelo mundo e passar no concurso, que quando criança nem sabemos que precisa para realizar nosso sonho. Aí crescemos e o engraçado que a maioria dos nossos desejos permanecem conosco por muito tempo e alguns vão continuar apenas como sonhos, outros podem até virar realidade. Por isso, não deixe seu desejo ser apenas um sonho de infância, transforme ele em realidade. Procure um bom preparatório e utilize a neurociência com aliada nos estudos, façam mapas mentais e procure um psicopedagogo para ajudar na organização e foco nos estudos. Entre sonhos, desejos e planos, o importante é nunca desistir. Acredite sempre em você!!!”, conclui a pedagoga Alexandra Valle.




