Meta do pró-reitor de Pessoal da universidade, Alexandre Brasil, é iniciar a convocação dos aprovados no concurso UFRJ ainda este ano.
* Luiz Fernando Caldeira
Em entrevista à reportagem da DEGRAU CULTURAL, o pró-reitor de Pessoal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alexandre Brasil, informou que a ideia da universidade é convocar o maior número possível de aprovados no concurso UFRJ para cargos técnico-administrativos, sobretudo para a carreira de assistente em administração, que exige apenas o nível médio. “É interesse da administração aproveitar o máximo de aprovados que a gente consiga com esse concurso”, afirmou.
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A UFRJ vai abrir 193 vagas em cargos técnico-administrativos, dos níveis médio, médio/técnico e superior. No entanto, com base no Decreto 9.739/19 - que regulamenta os certames federais -, 625 aprovados vão figurar no resultado final: os 193 classificados mais 432 excedentes.
Eles poderão ser chamados durante o prazo de validade do concurso UFRJ, de um ano, podendo dobrar. Somente para a carreira de assistente em administração poderão ser convocados 170 aprovados.
Alexandre Brasil destacou também que todos os esforços são para que o concurso UFRJ seja homologado antes do dia 2 de julho, quando terá início o período eleitoral. Isso porque a meta do pró-reitor de Pessoal da UFRJ é a de chamar, pelo menos, uma parte dos aprovados este ano.
A legislação eleitoral proíbe que aprovados em concursos homologados a partir de 2 de julho tomem posse este ano. Caso a seleção seja homologada antes dessa data, não haverá impedimento para a convocação dos aprovados.
Meta é iniciar a chamada dos aprovados este ano
Em função disso, a UFRJ não concederá o intervalo de quatro meses entre a divulgação do edital e a aplicação das provas, conforme determina o Decreto 9.739/19. Inclusive, em agosto do ano passado, o Ministério da Economia publicou, em Diário Oficial, uma portaria autorizando as instituições federais de ensino a reduzirem esse prazo para, pelo menos, um mês.
No entanto, no caso da UFRJ, o intervalo entre a divulgação do edital e a aplicação das provas deverá ser de, aproximadamente, dois meses, já que o pró-reitor de Pessoal da UFRJ prevê a divulgação do edital no dia 11 de março (para assistente em administração e cargos dos níveis médio/técnico) e aplicação de provas em meados de maio.
Na entrevista, que pode ser vista abaixo, Alexandre Brasil falou sobre importância do concurso UFRJ, deu vários detalhes sobre o certame e destacou ainda as vantagens de ser trabalhar na universidade. Confira:
DEGRAU CULTURAL - O senhor assumiu a Pró-Reitoria de Pessoal da UFRJ no final do ano passado. Qual o balanço que o senhor faz de sua gestão nesses poucos meses à frente do setor de RH de uma das maiores universidades do Brasil?
Alexandre Brasil - Os desafios de assumir uma instituição do tamanho e da importância da UFRJ são bastantes complexos e grandes. Afinal, trata-se de uma pequena cidade (universitária), com 25 mil pessoas. E o primeiro passo, a primeira preocupação, foi exatamente o de executar esse concurso (para técnico-administrativos). Obviamente, com a pandemia, com todas as dificuldades enfrentadas nesses últimos anos, complicou um pouquinho esse tipo de processo. Ainda não existia a Ômicron à época, mas graças às vacinas e a todo o trabalho dos profissionais de saúde e os cientistas que têm se empenhado para dar um fim à pandemia, a gente achou por bem investir energia e tempo em propiciar a realização desse concurso. Um dos pontos que demandou criatividade e ação à equipe foi o de como dar conta da previsão legal da questão das vagas reservadas para negros, pardos e PCDs. Então, a primeira etapa do concurso foi o lançamento, em 17 de janeiro, de um edital voltado para o sorteio das vagas, que vão estar no edital regulador, que a gente espera divulgar em breve. Isso, eu acho que é um avanço que a gente registrou nesse início de gestão dentro da PR-4. Então, pensamos a gestão e a área de Recursos Humanos não só de forma técnica, mas também com um olhar humanizado, que respeita o cidadão e a cidadã que hoje são servidores e atuam em nossa universidade.
A UFRJ tem quantos servidores técnico-administrativos em seus quadros?
Em torno de 8 mil.
Existe um quantitativo de servidores considerado ideal? Houve uma redução muito grande de pessoal nos últimos anos, correto?
O governo federal vedou e extinguiu alguns cargos de nível médio e de nível fundamental, também chamados de A e B. A maioria foi extinta, e isso é definido por lei. Então, tem esse quantitativo que reúne algumas alterações e isso não tem sido suficiente para acompanhar a expansão que a universidade tem tido, tanto internamente, com a abertura de novas unidades, novos cursos, como também nos campi de Macaé e Caxias, que são fruto da expansão do Reuni. Então, tem essa questão de falta de pessoal, mas isso implica em um processo bem mais complexo, ligado à lei. Mas, de fato, de um modo geral, em todas as unidades da UFRJ, hoje há um problema bem significativo em relação à ausência de pessoal em determinadas funções. Então, por isso também a minha preocupação de, no mais prontamente possível, fazermos um concurso. Não vai resolver o problema, mas vai nos dar uma situação um pouco mais confortável, onde poderemos executar melhor o trabalho. Temos servidores seriamente identificados e profissionais, apaixonados pelo serviço, que têm, assim, construindo essa universidade. Eles vêm se destacado em todos os fóruns internacionais e contribuído com uma formação de qualidade, com serviços de qualidade, como o do HU (Hospital Universitário).
E qual a importância do concurso para 50 vagas no magistério?
A Universidade Federal do Rio de Janeiro tem um instrumento chamado Cotav, que é uma Câmara que se reúne para definir alocação de vagas docentes. E esse concurso que a gente está fazendo agora ainda é um resultado de uma análise que foi feita em 2019. Obviamente que a pandemia prejudicou muito esses processos, e aí então essas últimas 50 vagas são fruto dessa Cotav de 2019. E a expectativa é que a gente possa em breve abrir um outro concurso para docentes com um número maior de vagas. Há um processo que é demorado na universidade, de análise, de avaliação de onde estão as carências.
Como estão os preparativos do concurso para os técnico-administrativos, cujo carro-chefe é o cargo de assistente em administração?
A gente está aí discutindo e se reunindo porque, obviamente, numa universidade do tamanho da UFRJ, qualquer processo envolve uma série de setores e unidades da universidade. Alguns são mais da competência, eu diria, da PR4, que é a pró-reitoria que eu coordeno e que estou à frente. É o caso do importante concurso para um cargo vital para a UFRJ, que é o de assistente administrativo. Eu imagino que a gente consiga publicar o edital regulador em 11 de março. Essa é a data que eu estou trabalhando inicialmente. Espero que esta semana, antes do carnaval, tenhamos uma data exata. Temos que ver se poderemos publicar separado ou não dos outros, mas pretendemos publicar o edital para cargos de nível médio/técnico também no dia 11, assim como o de professores. Talvez o edital para cargos de nível superior seja divulgado uma semana depois, no máximo duas semanas.
Então, o edital para cargos dos níveis médio e médio/técnico será divulgado antes do de nível superior?
Vai, porque a gente precisa preparar os programas. Então, isso tem uma consulta de unidade, montagem de banca... Então, estamos nessa fase agora, de definir conteúdos das provas.
A ideia é chamar os aprovados ainda este ano?
Este ano é ano eleitoral, então a gente tem uma limitação de dar posse por conta da data limite de homologação, que é 2 de julho, se não me engano. Estamos tentando fazer tudo para que a gente possa, se não todos, contratar e nomear uma parte este ano. Esse é o nosso foco. Está apertado nosso prazo, mas estamos tentando ir nessa direção. (Nota da Redação: A legislação eleitoral proíbe que aprovados em concursos homologados após 2 de julho tomem posse este ano. Caso a seleção seja homologada antes dessa data, não haverá impedimento para a convocação dos aprovados).
Se o edital sair no dia 11 de março, quando as inscrições irão começar? Já tem um prazo definido, pelo menos, para o cargo de assistente em administração?
Ato contínuo. O edital saindo no dia 11, acho que é uma sexta, possivelmente as inscrições começarão no dia 14. A ideia é as inscrições irem até a primeira quinzena de abril.
As taxas de inscrição já estão definidas?
Já fizemos uma primeira discussão, mas ainda estamos fazendo o cálculo. No entanto, deve ficar próximo ao que foi no passado, em torno de R$100 para cargos de nível médio e médio/técnico e de R$150 a R$200 para os de nível superior.
A lei eleitoral só permite a convocação de aprovados em certames realizados este ano se o concurso for homologado até o dia 2 de julho, quando terá início o período eleitoral. Sendo assim, o senhor pretende aplicar essas provas em qual mês? Em meados de maio?
Com as inscrições ocorrendo entre março e abril, a gente teria aqui, no máximo, até meados de maio para aplicar as provas. Se a gente não conseguir, vai ser depois. No entanto, estamos trabalhando com essa previsão.
A carreira de assistente em administração é o carro chefe do concurso e contará com 82 vagas imediatas. Historicamente, esse é o cargo com maior necessidade de pessoal na UFRJ. A tendência é que a universidade convoque um número maior de aprovados que esse número de vagas que estará especificado no edital?
Com certeza. É interesse da administração aproveitar o máximo de aprovados que a gente consiga com esse concurso.
Qual a importância dessa carreira para a instituição?
É importante que todos que farão o concurso conheçam o PCCTAE (Plano de Cargos e Carreiras dos Técnico-Administrativos em Educação). Quem ainda não o conhece vai perceber a amplitude de atividades que um assistente em administração da universidade faz. É uma coisa que eu diria, no mínimo, cativante. Você tem uma paleta de possibilidades enorme que, na prática, dentro da universidade, envolve atendimento ao público, suporte de TI - no sentido restrito, já que existe um pessoal de técnico de informática -, trabalho de secretarias e trabalho de apoio a atividades de pesquisa de ensino e de extensão. Então, esse profissional tem toda a riqueza para a vida pulsante da universidade, dos alunos e professores. O assistente é o sangue que corre nas veias, é quem permite que tudo aconteça. Então, é um profissional que convive num ambiente superinteressante, rico, que é esse ambiente vivo da universidade.
Além do déficit de pessoal que a UFRJ possui, existe também um grande número de servidores em idade para se aposentar?
Eu não tenho esse dado. Eu até levantei, mas não vou me lembrar agora. Na unidade que eu sou professor, o Instituto Nudes (Núcleo de Estudos em Discursos e Sociedade), 50% dos servidores está em abono permanência. Na época do Reuni, aconteceram muitos concursos, houve uma expansão significativa, onde a universidade abriu dois novos campi, mas eu não saberia te precisar isso (a carência atual) exatamente. A gente está fazendo concurso para dar conta, obviamente, das vacâncias que aconteceram nesse período da pandemia.
O Decreto 9.739/19, que regulamenta os certames federais, limita o quantitativo de aprovados que vai figurar no resultado final dos concursos. Como a UFRJ vai abrir 194 vagas em cargos técnico-administrativos, 625 aprovados vão figurar no resultado final: os 194 classificados mais 432 excedentes. A sua meta é esgotar o cadastro de reserva durante o prazo de validade da seleção, sobretudo em função da grande carência e do enorme contingente de pessoal para se aposentar?
Provavelmente sim. Isso, obviamente, tem a ver com as vacâncias e isso depende de como vai acontecer o fluxo. No entanto, não há motivo, devido à carência de servidores em que possuímos, para segurarem isso.
A estrutura de provas e as disciplinas cobradas para assistente em administração, no concurso de 2017, serão mantidas?
Vamos fechar isso esta semana, mas, muito provavelmente, manteremos a mesma estrutura para o próximo concurso.
O plano de cargos e salários das instituições federais de ensino é bastante atrativo, sobretudo para aqueles que continuam seus estudos, buscando se qualificar. Um mestrado ou doutorado pode render aos servidores uma gratificação de 52% e 75%, respectivamente, correto?
Sim. Obviamente, como uma instituição de ensino, para nós da UFRJ o estudo de seus servidores é central. Na unidade em que eu trabalhava, vários servidores dos níveis médio, técnico e superior também possuíam doutorado. Então, eu diria que 10% dos servidores técnicos da UFRJ têm doutorado, onde atuam e participam de forma muito ativa e em diferentes áreas de processos, de pesquisa, de extensão e de ensino. Então, é um espaço que a gente valoriza muito isso. Uma das mudanças que eu estou realizando, uma das decisões que eu tomei e que eu estou encaminhando para (aprovação) do Consuni (Conselho Universitário), é a criação de uma superintendência específica para desenvolvimento. Uma coisa que me incomoda na UFRJ, por exemplo, é a gente ter pessoas, inclusive terceirizados, que não terminaram o ensino médio no nosso corpo social. Então, a ideia é investir tanto na formação básica, em nível de EJA (Educação de Jovens e Adultos), e em línguas. Também é um desejo meu, se eu ficar até o final do mandato atual, conseguir fazer um mestrado voltado para os técnicos administrativos na área de Administração Pública.
O servidor também pode ganhar gratificação por cursos de capacitação, correto?
Exato. São pequenas horas que ele vai cumprindo, permitindo que suba na carreira, e tendo uma melhora de 5% a 10% na remuneração. Então, sim, existe isso que todo mundo faz, que a universidade oferece. Inclusive, a universidade oferece a oportunidade de servidores que têm experiência em alguma área também serem ministrantes de cursos (de capacitação). Então, você tem esses dois movimentos em que a gente incentiva, que a gente apoia e fica muito atento para que isso ocorra.
A maior parte das vagas do concurso será para a capital. Os aprovados vão poder escolher o campus onde pretende exercer suas atividades?
Então, como eu estou iniciando na pró-reitoria, eu tenho alguns desejos, mas desejos nem sempre se realizam. No entanto, a minha expectativa é de que consiga ter algum diálogo com os candidatos aprovados. Obviamente, todo mundo quer trabalhar em um lugar que é mais perto de casa ou em lugares mais centrais. Nem sempre podemos atender a essa vontade, mas é óbvio que se eu conseguir unir o desejo com a necessidade, é o melhor dos mundos para todo mundo. Eu quero pelo menos ouvir os desejos de cada um dos aprovados e, dentro do possível, atendê-los. A princípio, não há uma escolha do aprovado. Isso é uma decisão da administração pública, mas com certeza, se não conseguirmos fazer entrevistas e todo um processo mais amplo de recrutamento, de adequação à locação, no mínimo, um formulário com perguntas básicas e algumas informações de cada um a gente vai recolher e vai considerar isso na lotação dos profissionais.
De qualquer forma, no caso do assistente em administração a maior parte das vagas estará concentrada na Ilha do Fundão?
Sim. A gente não tem ainda a destinação dessas vagas, não sei o percentual, mas boa parte está dentro da Ilha do Fundão. Imagino que 70%, talvez 80%.
No entanto, todas as outras unidades receberão novos servidores?
Todas as unidades receberão servidores, obviamente. Diferentemente de todos os anos, vamos fazer uma discussão coletiva dentro da UFRJ para definir essas destinações. Isso vai ser bem transparente. Com isso, vamos processar as informações desses aprovados e tentar fazer essa compatibilização.
Qual mensagem pode deixar para quem vai participar dos próximos concursos da UFRJ?
Quero dizer que da minha parte, da equipe da PR-4, todos serão extremamente bem-vindos. Esperamos que você possa estar conosco, ainda este ano, como servidor público da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um espaço que você vai ter total condição de crescimento profissional, de aprendizado e de poder conviver com uma riqueza que é estar em universidade pública, com os estudantes, professores e com os seus colegas técnico-administrativos. Estudem! Eu, como professor que eu também sou, recomendo que olhem as provas passadas. Carnaval está vindo, mais com um concurso perto, separe um tempo para os estudos. Eu espero estar contando com o pessoal para ajudar a gente aqui a construir e fortalecer essa universidade que tanto faz pelo país, pela cidade do Rio de Janeiro, na formação de quadros para pensar a realidade brasileira. (Colaboração: José Lucas Brito)
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