Funcionários do IBGE repudiam a proposta do Governo Federal de adiar a realização do Censo Demográfico para 2022, incluída no Orçamento do próximo ano.
O Jornal Estadão noticiou, na última terça-feira (18/08), que o Governo Federal planeja adiar a realização do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2022. Por conta da pandemia da Covid-19, o Censo que aconteceria entre agosto e outubro de 2020, precisou ser postergado para o próximo ano.
Esse possível adiamento tem provocado muitas reações contrárias, começando pela Associação dos Trabalhadores do IBGE:
"Representará um desperdício de recursos já aplicados em equipamentos e recursos humanos. Muito trabalho e esforço da casa já foi direcionado para o Censo 2020, que já havia sido adiado para 2021”.
A categoria destacou que toda a atualização do cadastro de endereços e da base territorial, entre outras informações sobre a população brasileira ficaria desatualizada. Esse possível adiamento do Censo Demográfico implicaria, consequentemente, no adiamento do concurso público para contratar servidores que irão atuar na coleta de dados.
A associação lembra também o risco desse novo adiamento ocultar informações que são necessárias para a toda a população do país:
“Em um momento que estamos atravessando gravíssima crise econômica e sanitária. Qual o impacto da Covid-19 nos municípios brasileiros? E na mortalidade? E para a fecundidade?”
Por fim, a categoria critica a postura de “esconde os números”, adotada pelo Governo Federal, lembrando a frase do Ministro da Economia, Paulo Guedes, proferida na posse do presidente do IBGE, em fevereiro de 2019: “ Quem pergunta demais, descobre o que não quer”.
Roberto Olinto, que foi presidente do IBGE entre 2017 a 2019, declarou que seria um “escândalo inaceitável” a decisão do atual Poder Executivo adiar em mais um ano o Censo Demográfico, para aumentar os recursos para o Ministério da Defesa, conforme está sendo proposto para o Orçamento do próximo ano:
- “É mais estratégico para a Defesa ter o Censo do que comprar armamento”, declarou Olinto.
A proposta do Orçamento 2021 ainda será encaminhada para o Congresso Nacional. A intenção do Governo Federal é remanejar a verba de R$2,3 bilhões que seria gasta com o Censo em outras áreas, como a da Defesa. A Junta de Execução Orçamentária justifica que essa medida leva em conta o impacto sofrido por diversas áreas do governo neste ano, com a Pandemia do novo Coronavírus. Porém, tudo está sendo analisado com bastante cautela, já que a proposta, desde sua origem, é criticada por especialistas e cientistas políticos.
E como fica o concurso do IBGE?
Como nada está totalmente acertado, tanto o Censo como o concurso público do IBGE seguem previstos para acontecer em 2021. Ao todo, serão abertas 208.695 vagas temporárias, distribuídas assim:
- 5.462 vagas para agente censitário municipal: cargo de nível médio. Remuneração de R$2.558;
- 22.676 vagas para agente censitário supervisor: cargo de nível médio. Remuneração de R$2.158;
- 180.557 vagas para Recenseador: cargo de nível fundamental. Remuneração variável.
Ainda está prevista a realização de outras duas seleções: a primeira, com 192 vagas, sendo 180 para agente censitário de pesquisa por telefone 12 vagas para supervisor censitário de pesquisa e codificação. E a segunda, será para o cargo de codificador, prevista para ocorrer após a conclusão do Censo, com número de vagas ainda não definidas.
O próximo Censo Demográfico do IBGE está marcado para acontecer entre 1º de agosto e 31 de outubro de 2021, com a expectativa de visitar 71 milhões de domicílios em todo o território brasileiro.




