Durante coletiva, coordenador de RH do IBGE, Bruno Malheiros, explicou que os atrasos nos pagamentos dos recenseadores se deve a uma revisão no simulador. Outros dados foram revelados.
Com o Censo Demográfico tendo completado um mês das suas atividades, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística fez o primeiro balanço do evento, por meio de uma coletiva realizada na última terça-feira, 30 de agosto. Além de comentar a respeito dos vários processos seletivos que foram abertas para compensar a ausência de profissionais em determinados locais, o IBGE comentou a respeito de um problema relatado pelos recenseadores: os atrasos nos pagamentos.
Uma recenseadora que está trabalhando na cidade de Sorocaba, no estado de São Paulo, por exemplo, afirmou que ainda não recebeu o seu salário e que havia solicitado um adiantamento da remuneração em relação ao seu setor censitário, mas que ainda não foi atendido. Além disso, essa servidora que não quis se identificar relatou que os ganhos esperados estão abaixo do que foi informado no simulador disponibilizado no site do IBGE .
"Vejo por outros recenseadores que (a remuneração) está bem abaixo do que a calculadora disponibilizada no site diz que poderíamos receber. Por estar desempregada e precisar do valor, sigo atuando no Censo", diz a recenseadora.
O coordenador de Recursos Humanos do IBGE, Bruno Malheiros, comentou a respeito da demora no pagamento dos recenseadores, explicando que esse fato se deve a uma revisão das tabelas remuneratórias e do simulador de remuneração: “Estamos fazendo uma revisão desse simulador, de forma a poder dar uma estimativa muito mais próxima do que ele vai receber na folha de pagamento”, justificou o IBGE.
A autarquia explicou ainda que não há uma data concreta para a publicação do novo simulador, mas reforçou que o processo está em andamento. Além disso, o atrasos dos pagamentos também se deu em decorrência de erros no sistema e cadastro (informações incompletas ou erradas), que precisaram ser solucionados manualmente e que, segundo o IBGE, já foram solucionados.
O IBGE afirmou ainda durante a coletiva que as tabelas remuneratórias estão sob ajustes, algo que ocorrem normalmente nessa etapa do processo (quando o Censo já está em curso).
Por fim, o IBGE declarou que está investigando os estados da federação que estão com ganhos mais altos e quais estão com remunerações mais baixas, a fim de oferecer uma remuneração mais adequada à realidade de cada região do país, e anunciou que, recentemente, mais uma parte do orçamento foi liberada para incrementar os valores referentes ao auxílio-transporte dos temporários.
Sobre o treinamento dos recenseadores
O instituto admitiu que admitiu que, durante o treinamento dos recenseadores, o processo de pagamento para eles pode ter sido mal explicado pelos responsáveis. De acordo com o IBGE, quando um recenseador termina o seu setor censitário e envia o processo para análise do supervisor, essa avaliação pode levar entre três e dez dias corridos para ser concluída. Quando a avaliação termina, com nenhuma pendência do setor, o processo é enviado para o setor de Recursos Humanos, que tem até cinco dias úteis para aprovar e liberar o pagamento na conta deste recenseador.
Ao somar todas essas fases, o processo de pagamento pode levar mais de 15 dias para terminar. Para tornar esse processo mais ágil, o IBGE anunciou que está implementando, a partir da última terça-feira (dia 30) a possibilidade de pagamento parcial. Ou seja, quando o recenseador concluir cerca de 65% do setor censitário, ele poderá pedir (uma única vez por setor) o pagamento parcial do seu trabalho.
Quando isso acontecer, em um primeiro momento, o supervisor não precisará checar todas as informações acerca dos trabalhos desse recenseador, concedendo logo ale o pagamento.
Outros dados divulgados sobre o Censo 2022
A coletiva da última terça-feira serviu também para o IBGE fazer um balanço dos primeiros 30 dias de trabalho do Censo Demográfico 2022. Até o momento, 59.616.994 pessoas foram entrevistas em todo o Brasil, sendo a maioria na Região Nordeste:
- 36,51% das entrevistas na região Nordeste;
- 35,51%, no Sudeste;
- 11,87%, no Sul;
- 9,44%, no Norte;
- 6,67%, no Centro-Oeste.
A respeito dos dados de quem está colhendo as informações sobre a população brasileira, o IBGE revelou que 144.634 profissionais estão em atividade, o que representa 78,8% da capacidade total de vagas disponíveis, sendo esse um outro problema identificado pelo IBGE, que obriga a autarquia abrir mais processos seletivos. Vale reforçar que 6.500 aprovados nesses processos complementares estão inativos, ou seja, concluíram o treinamento, mas ainda não foram a campo, seja por desistência, por ausência de documentos ou porque ainda não foram associados ao setor censitário em que irão atuar.
Para aumentar o efetivo de profissionais atuando no Censo Demográfico 2022, o IBGE abriu um outro processo seletivo na última semana, com oferta de 6.765 vagas temporárias: 6.514 para o cargo de recenseador, carreira de nível fundamental, e 251 para agente censitário (municipal e supervisor), ambos de nível médio. Essas oportunidades estão distribuídas para vários estados, sendo no Rio de Janeiro há 26 vagas garantidas para a capital e as cidades de Angra dos Reis, Itatiaia, Mangaratiba e Paraty.
Os candidatos que se inscreveram até à última segunda-feira, 29 de agosto, serão avaliados por meio de uma análise curricular, em que o IBGE analisa os documentos enviados pelos candidatos no ato de inscrição. O resultado final desse processo seletivo será divulgado no dia 9 de setembro.
Aqueles que conquistaram a aprovação receberão remunerações no valor de R$2.158 para agente supervisor e R$2.558 para agente censitário municipal, para cargas de 40 horas semanais. No caso dos recenseadores, o salário deles irá variar de acordo com a quantidade de entrevistas feitos por ele na cidade de lotação. Quem atuar no Rio de Janeiro, por exemplo, receberá até R$3.621, se realizar mais de 101 entrevistas, dentro de uma carga de 50 horas semanais.
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