Em carta de despedida, então presidente do IBGE ressalta a importância do concurso público e do Censo Demográfico acontecerem neste ano.

Nesta quinta-feira, 08 de abril, a então presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Susana Cordeiro Guerra, enviou aos funcionários da autarquia uma carta de despedida. Depois que o órgão teve o orçamento reduzido em 96% para realizar o concurso de 204 mil vagas temporárias e o Censo Demográfico, Susana anunciou que deixaria o cargo. Por conta dessa mesma redução, as provas para selecionarem novos agentes e recenseadores foram adiadas.

Apesar da decisão do Congresso Nacional de diminuir o orçamento destinado ao IBGE, na carta, ela reforça a necessidade do Censo ser realizado em 2021, considerando o contexto atual em que vivem os brasileiros:

O Censo é crítico nesse processo, uma vez que só ele será capaz de revelar, com precisão, essa realidade, subsidiando assim a tomada de decisões e a formulação de políticas públicas", destacou Susana.

O IBGE havia informado que Susana continuaria no cargo durante o processo de transição para um novo presidente, porém, a própria comunicou que esta sexta-feira, 09 de abril, seria o seu último dia na função. Ela estava no cargo desde fevereiro de 2019, quando foi nomeada pelo ministro da economia, Paulo Guedes. Na sua trajetória profissional, Susana atuou no Banco Mundial, especificamente em casos envolvendo medidas para a redução de pobreza na Ásia, além de planejar metas para aumentar a saúde e a educação mundial. Trabalhou como pesquisadora visitante no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e na Fundação Getúlio Vargas (FGV), e possui títulos de pós-graduação em Filosofia, Ciências Políticas e Desenvolvimento Internacional nas universidades de Harvard e Massachusetts, nos Estados Unidos.

O vasto currículo profissional e acadêmico não foi suficiente para que a condução de Susana no IBGE não recebesse críticas, duras até, dos sindicatos da autarquia. De acordo com a coordenadora do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE), Luanda Botelho, a ex-presidente não ouvia o corpo técnico do Instituto e aceitou que o orçamento fosse reduzido gradativamente, até chegar ao atual valor de R$71 milhões, considerado muito pouco para a realização do Censo.

Em entrevista ao Jornal O Globo, o sociólogo e ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman, afirmou que Susana havia passado 40 dias em Brasília, tentando negociar com a área econômica da União a realização do Censo, porém, ela ficou "completamente sozinha e sem ter mais o que fazer". Ou seja, Susana entrou no IBGE com o apoio do Governo Federal, mas saiu sem esse mesmo apoio.

Os sindicatos alertam que se o Censo Demográfico não acontecer, corre-se o risco do país sofrer um apagão estatístico, ainda mais quando a população brasileira teve uma grande redução devido aos mais de 345 mil mortos pela pandemia da Covid-19. Para piorar, o último Censo ocorreu há 11 anos, quando os dados obtidos nessa época estão desatualizados, e isso pode minar o planejamento de políticas públicas no futuro.

Continuar ou não estudando para o concurso IBGE?

As provas que aconteceriam nos dias 18 (para Agente Censitário Municipal e Agente Censitário Supervisor) e 25 de abril (para Recenseador), foram adiadas sem previsão de quando serão remarcadas. Apesar disso, quem largar os estudos por não ter uma data de referência estará se autossabotando, deixando a vaga para outros candidatos que se mantiveram estudando, independente de decisões externas.

Quando as provas forem remarcadas, os concorrentes terão de responder a provas elaboradas pelo Cebraspe, com a seguinte quantidade de questões:

Agente municipal e Agente supervisor (60 questões): Língua Portuguesa (10 questões), Raciocínio Lógico Quantitativo (10), Ética no Serviço Público (05), Noções de Administração/Situações Gerenciais (15) e Conhecimentos técnicos (20).

Recenseador (50 questões): Língua Portuguesa (10 questões); Ética no Serviço Público (05); Matemática (10) e Conhecimentos técnicos (25).

Aqueles que tiverem um bom desempenho na etapa objetiva, ocuparão uma das 204.307 vagas temporárias oferecidas pelo IBGE, visando o Censo Demográfico 2021:

  • 5.450 vagas de agente censitário municipal (nível médio) - Remuneração de R$2.558;
  • 16.959 vagas para agente censitário supervisor (nível médio) - Remuneração de R$2.158;
  • 181.898 vagas para recenseador (nível fundamental) - Remuneração varia conforme a produtividade do profissional.

 

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