No dia em que deixa o posto de ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales anuncia abertura de mil vagas destinadas ao Ibama e ao ICMBio.

Depois de uma gestão no Ministério do Meio Ambiente marcada por decisões polêmicas na política ambiental no Brasil, principalmente no que se refere ao combate ao desmatamento na Amazônia, Ricardo Sales foi exonerado do cargo de ministro dessa pasta na última quarta-feira, 23 de junho, em edição extra do Diário Oficial da União.

Antes disso, no mesmo dia, aliás, o então ministro anunciou a abertura de mil vagas a serem distribuídas para o Ibama e para o ICMBio, já na próxima semana. A abertura, segundo ele, se deve ao esforço de reequipar os órgãos com mais servidores, que sofrem com a falta de pessoal. Apesar desse anúncio positivo, Salles não deixou claro se essas mil oportunidades serão para ingresso de servidores efetivos ou temporários. Também não ficou definido se na próxima semana sairá a autorização desses concursos ou se os próprios editais já serão publicados.

Motivos que levaram à saída de Salles

A demissão de Ricardo Salles se deve ao ex-ministro estar sendo investigado em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria-Geral da República, em que ele foi denunciado por suspeita de corrupção para favorecer madeireiros e de fazer parte de um esquema de contrabando ambiental. Além disso, Salles estaria atrapalhando as investigações, segundo suspeita a Polícia Federal. O ex-ministro negou ter cometido tais irregularidades.

Ao longo dos dois anos e seis meses chefiando o Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles recebeu duras críticas de ambientalistas, de organizações internacionais e de governantes de outros países pela atuação contrária à preservação das florestas. Em 2020, por exemplo, a Amazônia Legal registrou o maior desmatamento desde 2008, com 1.085.100 hectares sendo devastados, segundo revelou o Instituto Socioambiental (ISA).

Os próprios órgãos ambientais, como o próprio Ibama e o ICMBio, enfrentaram, durante esse período, um número insuficiente de profissionais para dar conta ao combate ao desmatamento e aplicar multas aos envolvidos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por exemplo, possui um déficit próximo dos 3 mil cargos vagos. Porém, o Ministério do Meio Ambiente na gestão Salles não demonstrou muito esforço em solucionar esse problema. O que fez foi tentar fundir o Ibama e o ICMBio, medida esta que foi alvo de críticas do Ministério Público Federal, que cobrou esclarecimentos por parte da pasta sobre o porquê de propor essa fusão.

Com a saída de Salles, quem assumirá o Ministério do Meio Ambiente é Joaquim Álvaro Pereira Leite, que ocupava a função de chefe da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais.

Ibama confirma pedido para abrir 2.311 vagas

A Assessoria de Imprensa do Ibama informou que o órgão encaminhou um pedido de concurso ao Ministério da Economia para poder abrir 2.311 vagas, sendo 1.005 para técnico administrativo (nível médio), 970 para analista ambiental (nível superior) e 336 para analista administrativo (nível superior). A remuneração concedida a técnico administrativo será de R$4.063,34, enquanto para as outras duas funções será de R$8.547,64.

Espera-se que o pedido seja autorizado, não só por conta do alto déficit de servidores, e também não somente em função do último concurso público ter acontecido há sete anos, mas por que o Vice-Presidente, General Hamilton Mourão, considerou fundamental que o Ibama trabalhe, com pelo menos, 500 agentes na Amazônia. Porém, no momento, esse número se limita a apenas 40 agentes:

“Não posso ter na Amazônia só 40 agentes do Ibama. Tenho de ter 500. Tem de abrir concurso e botar os agentes para trabalhar, estabelecidos em bases com barco, com helicóptero, com capacidade de cumprir sua tarefa. Se não fizermos isso, não iremos avante”, disse o vice-presidente em entrevista ao Estadão.

Concursos para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (ICMBio) e para a Fundação Nacional do Índio (Funai) também estão no radar do Governo Federal e podem ser abertos em breve.  

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