Fora do projeto de privatizações do Governo Federal, Correios já está em tratativas internas para realizar um novo concurso, algo que não acontece desde 2011.

Um dos concursos públicos considerados mais urgentes para o país e que tem ganhado força no início deste ano é o dos Correios, especialmente depois que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou a empresa do projeto de privatizações iniciado pela gestão passada da União. Segundo a própria autarquia, a abertura desse novo edital está em tratativas internas do Ministério do Planejamento e que “irão se pronunciar, quando oportuno”.

A pasta comandada pela senadora Simone Tebet tem como principal função planejar a administração governamental, bem como os custos e a viabilidade orçamentária para a realização de projetos, como a abertura de concursos públicos.

Além de passar pelo crivo do Ministério do Planejamento, a abertura do Concurso Correios também está condicionado à avaliação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que é o responsável por autorizar a abertura de novos certames. A questão acerca da negociação de reajuste salarial de servidores, lançamento de novos concursos públicos, reforma administrativa, entre outras, foi abordada, inclusive, em reunião realizada na última quinta-feira, dia 26, entre a ministra da Gestão, Esther Dwech, e secretários, assessores e dirigentes para fechar o planejamento dos 100 primeiros dias do Governo Lula.

Fentect afirma que novo Governo Federal se comprometeu com Concurso Correios

Em recente entrevista para o portal de notícias da DEGRAU CULTURAL, o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), José Rivaldo da Silva, declarou que participou de reuniões com representantes da Diretoria Executivo de Brasília, e recebeu informações de que o órgão já planeja lançar um edital este ano, com oferta de até 5 mil vagas para cargos de nível médio e superior. A maior parte dessas vagas, segundo Rivaldo, será para o cargo de carteiro (nível médio).

A reportagem da DEGRAU CULTURAL entrou em contato com a Assessoria de Imprensa dos Correios para confirmar se, realmente, a estatal planeja abrir um concurso este ano, porém, até o momento, não obteve retorno.

Para que o concurso possa vir a ser aberto, é preciso que ele seja aprovado pelo futuro presidente dos Correios, que ainda será definido, e pelo ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que, por sua vez, prometeu que iria se empenhar para fortalecer a estatal:

“A meta é reforçar o papel da empresa na oferta de cidadania como parceira dos programas sociais destinados à população carente e das regiões mais distantes através da sua incomparável capilaridade”, disse Filho, segundo publicação da Agência Brasil.

Outro fator mencionado pelo secretário-geral da Fentect, que favorece a abertura imediata do Concurso Correios é que o Presidente Lula, durante campanha eleitoral, assinou uma “Carta de Compromissos” com o sindicato se comprometendo a tirar a empresa do programa de privatização (algo que aconteceu nos primeiros dias da nova gestão) e a realizar um novo concurso para a estatal.

O objetivo principal ao realizar esse concurso é repor as vacâncias existentes no órgão. Se há pouco mais de dez anos, os Correios contavam com cerca de 128 mil funcionários, a ausência de concursos nesse período e as tentativas do Governo Federal de privatizá-la, fez com que a autarquia perdesse quase 40 mil servidores, contando com pouco mais de 89 mil empregados na ativa.

Quando aconteceu o último Concurso Correios?

Os Correios não repõem o seu quadro de pessoal desde 2011, quando lançou um edital com quase 10 mil oportunidades de trabalho para os cargos de carteiro, atendente comercial, operador de triagem e transbordo, sendo distribuídas entre várias diretorias gerais espalhadas pelos 26 estados do país e no Distrito Federal.

Os candidatos da época foram avaliados por meio de provas objetivas (aplicada para todos os cargos), e avaliação da capacidade física laboral, (somente para carteiro e operador de triagem e transbordo), todas elas sob a organização do Cebraspe.

Depois desse, os Correios não teve mais nenhum concurso público autorizado. O último pedido feito pelo órgão foi registrado em 2016, quando se pretendia preencher 2 mil vagas de carteiro e operador de triagem, com oportunidades abrangendo 11 estados (incluindo o Rio de Janeiro) e o Distrito Federal.  Os Correios chegaram até a iniciar o processo para a contratação da organizadora, mas o concurso acabou não saindo do papel.

 

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