Está nos planos do atual presidente da Comlurb, Flávio Lopes, a abertura de concurso para gari, cargo que exige a antiga 4ª série primária e tem remuneração de R$2.795,02 mensais. 

* Luiz Fernando Caldeira

A abertura do concurso Comlurb, para gari da Prefeitura do Rio de Janeiro, está nos planos do novo presidente da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), Flávio Lopes. Cauteloso, ele não precisou quando a seleção poderá ser aberta, já que isso depende das condições financeiras do município, porém destacou que a empresa já faz um levantamento de suas demandas para verificar a necessidade de ampliação e reposição do quadro de pessoal.

Embora não tenha se comprometido com datas, o presidente da Comlurb recomendou que os interessados em ingressar na empresa como gari – cargo que exige o 5º do ensino fundamental (antiga 4ª série primária) e tem remuneração de R$2.795,02 mensais - mantenham os estudos em dia, pois a seleção ocorrerá nesta gestão do prefeito Eduardo Paes.

“Sigam estudando, se preparando, cuidem da saúde, do físico, por que a concorrência será grande”, disse Flávio Lopes, em entrevista à Degrau Cultural.

Na entrevista, que contou também com a participação da diretora de Pessoas, Aline Barros, o presidente da Comlurb destacou que o quadro de pessoal de garis está envelhecido e que existe um grande contingente de funcionários com idade de se aposentar, o que torna indispensável a oxigenação e reposição desse efetivo, que atualmente é de pouco mais de 14 mil garis.

“Se a gente fizer uma conta, não é um número absurdo afirmar que 30% do quadro já está em condições de se aposentar. É um número bem razoável”, disse o presidente da Comlurb.

Flávio Lopes afirmou que irá solicitar, ao prefeito Eduardo Paes, a autorização para a abertura de um concurso Comlurb caso, no próximo relatório sobre as finanças do município, que é feito pelo Tribunal de Contas dos Município do Rio de Janeiro (TCM-Rio), a prefeitura já esteja fora dos limites de gastos de pessoal impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“Se as finanças estiverem enquadradas, se o limite previdenciário permitir e a gente entender a demanda que a cidade vai ter ao voltar da pandemia, aí vamos conversar sobre esse assunto, sim.”

O presidente da Comlurb estimou que o concurso poderá trazer uma oferta próxima a mil vagas de gari, assim como estava programado desde a gestão anterior. No entanto, Flávio Lopes disse que esse quantitativo poderá ser até superior, caso a empresa possa expandir seu campo de atuação.

“A gente tem uma ideia de que a Comlurb possa começar a pegar operações ou prestar serviço em coisas que ela não faz hoje em dia. Por exemplo: limpeza de hospitais. Por que não posso vender serviços para hospitais não só no município, mas também para o Estado? A gente faz limpeza de escola. Por que eu faço limpeza da escola só do município e eu não posso vender esse serviço para escolas do Estado? Por que não posso vender serviços de limpeza para o Fundão (UFRJ)? Por que eu não posso vender serviço de roçada de grama para o Galeão (aeroporto)? Então, a gente está começando a avaliar se faz sentido como empresa a gente prestar esse serviço ou não”, disse.

Veja a seguir a entrevista com o presidente da Comlurb:

 

Degrau Cultural - Quais os principais projetos que o senhor já está implementando ou que pretende implementar frente à sua gestão?

Flávio Lopes - Esse ano, não só na Comlurb, mas na Prefeitura do Rio como um todo, foi um ano de ajuste de contas. Nosso objetivo, especificamente aqui na Comlurb, foi de ajustar o fluxo de caixa da empresa, reestabelecer o nível de serviço para a cidade, que na nossa opinião estava deixando muito a desejar. Fizemos também ajustes em alguns indicadores nossos. O 1746 – atendimento direto ao cidadão – estava com o backlog gigantesco, de quase 50 mil chamadas. Então, nosso trabalho esse ano tem sido de basicamente ajustar as contas, reestabelecer o fluxo de caixa, já que ainda tem um passivo grande de contas a pagar, além de reestabelecer o nível de serviço para a cidade. Isso a gente está conseguindo fazer. Não dá para dizer que está pronto, mas estamos em um caminho bastante interessante. Hoje as nossas contas correntes estão em dia, embora exista ainda um passivo a ser pago do ano passado, da gestão anterior, mas o fluxo de caixa está reestabelecido. A gente está com nível de serviço hoje de entrega, falando pela Comlurb agora, bastante razoável para a cidade. A gente conseguiu aumentar o nível de satisfação, o nível de atendimento no 1746, alguns indicadores operacionais que nós temos, o índice de percepção de limpeza, que é o IPL. Conseguimos trazê-lo para níveis satisfatórios, mas ainda existem desafios. Ao terminar esse projeto de estabelecimento de fluxo de caixa e outros serviços, a ideia é, no momento que nós estamos, conversar com o prefeito e com o secretário de Fazenda, para ver as possibilidades orçamentárias e saber o que a gente consegue fazer, no ano que vem, há mais do que estamos fazendo neste. Então, obviamente, a gente está falando de vários projetos a serem lançados a mais do que temos, e esses projetos envolvem muita mecanização, muito maquinário, tecnologia nova que a gente pretende colocar na cidade.

Há então o interesse de aumentar o quadro de garis e abrir concurso?

Flávio Lopes - Se tudo der certo, a gente pretende aumentar o quadro da Companhia. Ainda não é uma realidade, a gente não pode afirmar que isso vai acontecer, mas esse é um desejo. Queremos começar a olhar para frente. Se o orçamento do ano que vem couber, a gente começa a reestabelecer esse quadro na empresa. Porque a gente vem diminuindo bastante ao longo do tempo, muita gente deixou a Companhia e muita gente morre também. A Comlurb possui um quadro um pouco mais envelhecido, então a gente precisa oxigenar um pouco o restante da empresa.

Na gestão passada, ex-presidentes da Comlurb afirmaram que entre 20% a 30% do quadro de pessoal está em condições de se aposentar. Isso daria, mais ou menos, entre 3.500 a 4.200 garis. É por aí?

Flávio Lopes - É por aí. O número não é tão simples de fazer porque a gente não sabe o tempo de contribuição do funcionário. Sabemos só o tempo que ele tem pela nossa empresa. Ele pode ter tido um emprego antes, aliás a grande maioria teve empregos antes, mas a gente não sabe se ele já está aposentado. Mas, via de regra, se a gente fizer uma conta, não é um número absurdo afirmar que 30% do quadro já está em condições de se aposentar. É um número bem razoável.

E essas aposentadorias já estão acontecendo. Por exemplo, nos últimos anos, houve uma perda significativa de funcionários?

Flávio Lopes - Por aposentadoria, não. Existem algumas, mas foram poucas. Ocorrem mais óbito, pessoas que acabam deixando a cidade, que vão morar no interior e que vão morar em outro estado. Há também quem peça licença não-remunerada para fazer um curso qualquer para sair do país, mas é pontual, não é um volume significativo.   

Há então um interesse do senhor em fazer um concurso público para gari, em 2021, dependendo, obviamente, da questão orçamentária?

Flávio Lopes - Não vou dizer que é um desejo. É uma necessidade de ajuste da nossa companhia à prestação de serviços, que a cidade necessita. E esse ajuste pode passar por aumento de quadro. Não consigo ter certeza se isso vai acontecer, nem se a gente vai conseguir fazer, mas hoje a mensuração do que a gente precisa também não é simples, porque a gente vem de um ambiente pandêmico, onde o nível de demanda na cidade diminuiu bastante. Então, a mensuração do que a gente precisa para entregar para o ano que vem ainda está no meio do caminho. Por exemplo, os eventos de Carnaval e Réveillon foram extremamente aquém do que a cidade normalmente tem. Então, a gente não consegue mensurar o que a gente vai precisar.

Mas para realizar um concurso em 2021 é necessário que o pedido ao prefeito Eduardo Paes seja feito logo, porque o orçamento do município para 2022 deverá ir para a Câmara em setembro ou outubro, correto?

Flávio Lopes - Deve ser em outubro. A gente começou a fazer o orçamento agora, a gente está exatamente na fase de levantar as demandas. Por sinal, eu estava estava conversando na última segunda, dia 9, com a Aline Barros, que é a diretora de RH, e o Luiz Guilherme, que é diretor de operações, justamente sobre a demanda de serviços para o ano que vem, se vai passar ou não pelo aumento de quadro. Então a gente está começando a fazer essas contas.

O prefeito Eduardo Paes, durante sua campanha eleitoral, disse que o concurso para gari da Comlurb seria uma das suas prioridades, tão logo ele conseguisse sanar as finanças da prefeitura e o município saísse do limite de gasto de pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). E, ao que parece, o próximo relatório financeiro do Tribunal de Contas do Município deverá mostrar que o Rio consegui, finalmente, superar esse problema...

Flávio Lopes - Por mais que exista a demanda (de pessoal), se a gente não conseguir ajustar as contas da prefeitura e reestabelecer esse limite previdenciário, não podemos contratar. Então, a gente vai ter que acabar se virando. Mas depende muito do que vai sair de resultado agora nesse último quadrimestre, que deverá ser divulgado em setembro. 

Se as finanças da prefeitura estiverem finalmente ajustadas, o senhor fará o pedido ao prefeito Eduardo Paes?

Flávio Lopes - Sim, claro. Se as finanças estiverem enquadradas, se o limite previdenciário permitir e a gente entender a demanda que a cidade vai ter ao voltar da pandemia, aí vamos conversar sobre esse assunto, sim. Por que que eu digo que é uma dúvida? Porque essa cidade que vai sair pós-pandemia não é exatamente a cidade que entrou na pandemia. Então, a gente vê o centro da cidade e percebe que está muito diferente. A cidade vai se comportar diferente. Então, a gente tem que entender qual a cidade que vamos ter nesse pós-pandemia.

No ano passado, quando o concurso foi anunciado, falou-se em cerca de mil vagas, para suprir a atual carência e realizar futuras reposições em função de aposentadorias. Esse é o quantitativo que o senhor pretende oferecer no próximo concurso?

Flávio Lopes - Se a companhia não inventar nada novo e a cidade sair da pandemia com a necessidade que ela tinha quando entrou, o número pode ser por aí. Agora, o número de variáveis é muito grande. A gente está apresentando uma série de projetos diferentes para o prefeito, que não existia na companhia e que podem demandar gente. Então, se isso tudo for aceito, a gente terá que aumentar o número. Dependendo de como a cidade se caracterizar depois dessa pandemia, a necessidade pode ser outra. Pode ser que a gente não precise de tanta gente para varrição. Pode ser que eu preciso de mais gente para coleta, porque o número de pessoas trabalhando em home office está maior do que a gente tinha. Então, esse estudo é um número. Eu não sei em que momento posso te falar, mas é número coerente para uma realidade que a gente tinha. Mas a gente está justamente estudando esse número. Eu diria que existe a chance dele ser tanto maior quanto menor. Hoje não dá para cravar o número.  

Mas mil vagas é um quantitativo razoável?

Flávio Lopes - Eu diria que até mais. Se tudo acontecer como a gente quer, seriam mais vagas.

E quais são esses projetos que podem fazer com que aumente a necessidade do quadro de pessoal?

Flávio Lopes - A gente tem uma ideia de que a Comlurb possa começar a pegar operações ou prestar serviço em coisas que ela não faz hoje em dia. Por exemplo: limpeza de hospitais. Por que não posso vender serviços para hospitais não só no município, mas também para o Estado? A gente faz limpeza de escola. Por que eu faço limpeza da escola só do município e eu não posso vender esse serviço para escolas do Estado? Por que não posso vender serviços de limpeza para o Fundão (UFRJ)? Por que eu não posso vender serviço de roçada de grama para o Galeão (aeroporto)? Então, a gente está começando a avaliar se faz sentido como empresa a gente prestar esse serviço ou não. Mas ressalto que são projetos que estão sendo estudados, para ver se tem viabilidade, se a gente pode fazer, se faz sentido ou não apresentar ao prefeito. Para fazer tudo isso, se a gente achar que faz sentido, se isso se encaixar na nossa missão, se tiver sentido para a cidade que a empresa ganhe esse corpo, aí a gente vai precisar de mais gente.

O novo plano de cargos e salários dos garis já foi implementado?

Flávio Lopes - Ele foi aprovado na Câmara e agora foi para o acordo sindical. O plano está quase 100% aprovado, mas faltam uns 20% para ser implantado. Grande parte já foi.

Quais benefícios esse novo plano trouxe para os garis?

Flávio Lopes - Ele traz alguns benefícios. Hoje em dia, os garis da nossa empresa não estão sentindo porque toda movimentação de quadro está congelada por decreto federal. Esse plano de cargo traz algumas progressões previstas por tempo de serviço, e daí em diante. Mas nada pode ser mudado nesse momento até dezembro do ano que vem. Então, isso está um pouquinho congelado, mas o plano estabelece adicional por tempo de serviço e progressão técnica dentro da sua própria carreira.

Há mais de uma década não é aberto concurso para a área Administrativa da Comlurb. Existe previsão também de concurso?

Flávio Lopes - Eu vou lhe dizer que a necessidade existe. É óbvio que existe. Há mais de uma década a gente não faz concurso para técnico contábil, técnico de segurança, entre outros cargos. Se a gente ganhar esses projetos, a prioridade é fazer concurso para operação (gari). O concurso para administrativo viria a reboque, mas ele é marginal em quantidade de vagas perto do outro.

O senhor tem uma larga vivência no serviço privado. Com vem aplicando essa experiência para que a Comlurb se torne uma empresa ainda mais eficiente?

Flávio Lopes - Hoje, quem veio de fora da companhia comigo, praticamente só a Aline Barros, que é a nossa diretora de RH. Todo o restante do quadro, principalmente o que trabalha se reportando a mim, é tudo de dentro da companhia. Então, por que isso e qual é a minha tentativa? O primeiro é trazer, por meio de mim e da Aline, um pouco da indignação e senso de urgência da iniciativa privada, com foco em resultado, no serviço, na prestação de serviço, que a Comlurb já tinha naturalmente, mas a gente que vem da iniciativa privada quer dar uma outra velocidade. Também queremos uma pegada de busca por tecnologia, com busca de inovação. Conheça a expressão ‘sapo fervido’? Se você coloca o sapo dentro de uma panela de água e liga o fogo, a água vai esquentar e o sapo morre ali dentro, porque ela vai se adaptando à temperatura.  No entanto, se a água estiver fervendo e você jogar o sapo, ele cairá no chão e vai pular, porque a diferença térmica é muito grande. E qual o sentido dessa expressão? Quando você está muito tempo dentro de uma mesma empresa, de uma mesma atividade, você acaba se acostumando, as coisas viram paisagem, você se acostuma com aquele problema. É normal, é do ser humano. A ideia é trazer um pouquinho dessa coisa de tirar o ‘sapo fervido’, de jogar um pouco de água quente para as pessoas pularem, buscarem soluções. E por outro lado, meu grande objetivo é aproveitar a experiência enorme que tem dentro da companhia. Eu tenho diretores que têm de casa o que eu tenho de idade. Então, não tem como discutir com uma pessoa dessa competência técnica, que tem conhecimento da cidade, que sabe o que precisa ser feito e por aí adiante. A minha cabeça é juntar esses dois mundos: a extrema competência e conhecimento instalado que tem dentro de casa e a experiência absurda que nós temos, com um pouco de indignação que vem de fora. A ideia é puxar esse sarrafo para cima, trazer um pouco de inovação e fazer as pessoas pensarem o seguinte: “Para onde a gente vai?”, “Como é que a gente vai fazer diferente”. É isso que a gente vem tentando fazer aqui.

Aline Barros - A companhia é muito grande e muito descentralizada. Então, um dos nossos esforços é afinar essa comunicação entre as partes. Porque é tão grande, tão descentralizada, que para informação chegar bem redonda na ponta, entre as diretorias, entre as áreas, precisar passar essa bola redonda para o time. Então, no caso da Diretoria de Pessoas, a gente está se aproximando da operação por meio de uma série de iniciativas para entender da turma o que eles precisam da gente, de que maneira a gente pode contribuir e, também, explicar as coisas que a gente precisa. E eu entendo que essa aproximação é que vai levar a gente para o lugar que queremos. A gente vai buscar essa eficiência nos processos. Entendemos que há uma oportunidade de ganho de eficiência gigante, e que, muitas vezes, não se consegue eficiência. Não necessariamente isso esbarra em uma questão física, de hardware, de software, de equipamentos, mas é que, às vezes, as pessoas não se falam. Então, eu acho que esse é um dos grandes desafios que não necessariamente impactam no orçamento em relação a dinheiro, mas impacta em a gente se dedicar para falar mais, estar mais perto. Então, esse é um dos desafios que a gente lá da Gestão de Pessoas está, assim, diariamente falando, porque não é cultural isso. Todo mundo faz muito bem o seu, as pessoas são extremamente dedicadas, conhecem bastante, mas culturalmente as pessoas não se comunicam com frequência. Uma visão do todo, do processo, do início ao fim, é uma coisa que a gente precisa desenvolver aqui dentro.

Continua sendo uma preocupação da Comlurb capacitar os seus funcionários, por meio da universidade corporativa, a UniCom?

Aline Barros - A gente está investindo, primeiro, nos processos atuais e buscar eficiência deles. Porque não dá para dar um outro passo sem esse anterior, ainda é preciso melhorar. A gente tem buscado o pessoal, o time de fora, que fica afastado aqui da sede, para estar mais perto da gente. Então, praticamente, toda sexta-feira no período da manhã e da tarde a gente trabalha com ele algum tema importante. Além disso, tem todo um cronograma da UniCom com outros assuntos, não só o técnico, como o relacionado aos nossos processos também, porque é dessa maneira que a gente conseguirá a eficiência que estamos buscando e que não necessariamente vai impactar em orçamento. As pessoas ficam com essa impressão: “mas a gente não tem dinheiro”, porém nem tudo impacta em dinheiro, né? Às vezes, com esses grupos de estudo, de trabalho, a gente consegue buscar soluções criativas, inovadoras, de uma maneira que as pessoas busquem caminhos diferentes, porque não necessariamente você está perseguindo aqueles, mas conseguir chegar no mesmo lugar que você está.

Flávio Lopes – A prefeitura fez, há alguns anos, um trabalho de formação de líderes carioca. E a gente está chamando esses líderes para fazer acontecer alguns projetos que ficaram paralisados. Eu entendo que capacitação não é só teórica. Você tem que ter conhecimento, ter habilidade e colocá-lo em prática. Então, é o que a gente está tentando fazer nesse momento, com esses projetos: botá-los para acontecer. Tudo que a gente imagina de projeto a gente tenta trazer um líder carioca, de dentro da Comlurb ou de dentro da prefeitura, para participar. A gente está, neste momento, trazendo a Rafaela Bastos, que é presidente da Fundação João Goulart, junto com um ou dois líderes cariocas, para nos ajudar em um projeto de grande aqui dentro. Então, a capacitação ver um pouco daí também.

Quais projetos que a Comlurb está desenvolvendo no sentido de valorizar os funcionários da empresa?

Aline Barros - O Flávio começou há um tempinho com um projeto chamado “Gari de Valor”, onde recebemos aqui no escritório esse time que que fica na operação, que mantém a nossa cidade limpa. Eles vêm para cá, para o escritório, e a gente passa uma tarde juntos. É um bate-papo não estruturado, mas a partir dessa conversa a gente checa se o EPI, tá em boas condições, a gente checa se os equipamentos estão funcionando bem, se as condições de trabalho estão adequadas. Nós trocamos uma ideia com eles, onde ouvimos mais do que falamos. Antes não havia uma rotina deles estarem aqui próximos. Então, um dos projetos do Flávio de reconhecimento é esse: a gente trazer o pessoal para perto. Temos trabalhado perto da operação, participando de algumas ações. É uma maneira de eu aprender, não só do negócio, mas também das rotinas desses funcionários. A partir daí eu vejo como eu posso contribuir com a minha experiência de 24 anos atuando no setor privado. Eu trabalhei dez anos em indústria e 14 anos no mercado imobiliário, eu sou engenheira de formação e atuava na operação. Então, o meu coração é a operação. Eu atuo na área de Gestão de Pessoas, me apaixonei por ela, mas a minha experiência grande é na operação mesmo. Então, piscou, eu estou lá na operação para conhecer o time e para entender quais as dificuldades deles.

Essa proximidade, a comunicação mais próxima com o funcionário da ponta, está trazendo bons resultados para a Comlurb?

Aline Barros - Culturalmente falando, ela ainda não existe. Eu estou tentando começar com esse projeto. Mas eu acho que eles estão entendendo mais, e a gente acaba ganhando engajamento. Porque, às vezes, você não faz o seu melhor, você não entrega da melhor maneira possível, se você não compreende o que está sendo demandado. Eu não acredito nesse modelo de “gera uma demanda”, mas não explica o que está por trás da demanda. Eu prefiro gastar um pouco mais de tempo, orientando, ensinando, desenvolvendo, costurando uma série de acordos, de combinados e criar em muitas mãos uma solução, e não vir com uma solução pronta do mercado em que eu atuava e achar que vai funcionar aqui, entendeu?

Qual a mensagem pode deixar às pessoas que estão há mais de dois, três anos esperando esse tão aguardado concurso para gari? Ele vai sair nessa gestão Eduardo Paes?

Flávio Lopes - Nessa gestão, não tenho dúvida. Não tenho certeza se é no ano que vem, mas nessa gestão não tenho dúvida que faremos o concurso. O que eu posso dizer, já que eu estou aqui dentro, é que a Comlurb é uma empresa fantástica, muito bacana para se trabalhar. É uma empresa onde a turma é feliz trabalhando. Você tem problemas dentro da companhia, mas de forma geral, as pessoas gostam de trabalhar aqui, têm orgulho de vestir a farda laranja. É uma atividade comparada à de um bombeiro, médico ou professor. Não deixem de estudar, até porque a competição para entrar é grande. Sigam estudando, se preparando, cuidem da saúde, do físico, porque a concorrência será grande (Colaboração: José Lucas Brito).

 

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