Durante audiência na Câmara, sindicato e equipe da Caixa divergiram sobre o número de contratados na última seleção do banco. Mais de 7 mil servidores deverão ser contratados.
O Concurso da Caixa Econômica Federal de 2014 segue sendo bastante discutido, desta vez, no Poder Legislativo. Na última segunda-feira, 12 de abril, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública, com a presença de sindicalistas e representantes da própria Caixa para discutirem acerca da contratação dos aprovados na última seleção do banco.
Dentre os representantes da Caixa, esteve Louise Magalhães Dias, que é superintendente nacional de Trajetória e Desenvolvimento da estatal. Segundo ela, foram contratados 9.174 candidatos aprovados em 2014, o que representa 30% do total de 32.880 aprovados.
Porém, esses números foram contestados pela presidente da Comissão Independente dos Aprovados, Isabela Freitas, declarou que, em um relatório publicado no site do banco, constam somente 5.880 convocações, incluindo Pessoas com Deficiência (PCDs) e aprovados em ampla concorrência. A superintendente Louise rebateu às críticas acerca dos dados informados por ela:
“Nos últimos dias, convocamos mais de 2 mil pessoas. Em breve, este número também estará disponibilizado em nosso site".
Ainda durante a audiência, os representantes da Caixa enfatizaram que a autorização dada pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) estabelece um limite de 84 mil empregados no banco e atingindo esse limite, o banco não poderia convocar mais excedentes:
"Vamos seguir lutando para que haja contratação efetiva de empregados, por entender o papel estratégico da empresa para um projeto nacional de desenvolvimento", afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos.
Alguns deputados federais, presentes na Comissão, se pronunciaram a respeito do assunto. Os petistas Padre João Siqueira (PT-MG) e Jorge Solla (PT-BA), enfatizaram a importância da Caixa como empresa pública de enorme importância social e econômica para os brasileiros e que por onde diversos direitos trabalhistas são disponibilizados à população.
Na visão de Solla, é fundamental que uma empresa, com atuação em áreas tão estratégicas como Habitação, Saneamento e Infraestrutura, e que viabiliza o pagamento do Bolsa Família, do Seguro-desemprego, e agora, do auxílio-emergencial, permaneça pública.
O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica (Fenae), Sérgio Takemoto, relatou aos parlamentares que a Caixa perdeu, desde 2014, mais de 20 mil empregados, e que as contratações anunciadas mais recentemente não são suficientes para repõem nem 15% desse déficit.
Essas contratações mencionadas por Takemoto foram em meados de março pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em que está prevista a criação de 7.704 novos postos de trabalho ao longo de todo este ano. Dentro desse número, 2.776 postos serão voltados para os aprovados no Concurso de 2014.
TRT aprova contratação de excedentes
Na esfera judicial, os aprovados no concurso Caixa de 2014 tiveram uma importante vitória. Em julgamento realizado no último dia 07, o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (DF/TO) decidiu pela prorrogação a validade do último concurso da Caixa até o trânsito em julgado da ação. Essa decisão favorece a contratação de mais remanescentes.
A última seleção do Concurso Caixa atraiu mais de 1 milhão de inscritos e teve mais de 30 mil aprovados para ocuparem as oportunidades destinadas a cadastro de reserva para as funções de técnico bancário (cargo de nível médio), médico do trabalho e engenheiro (ambos de nível superior). A validade dessa seleção seria de somente um ano, podendo ser prorrogada por mais um ano, porém, o Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal e Tocantins entrou com uma ação civil pública, obrigando a Caixa a manter o concurso válido por tempo indeterminado.




