Banco Central sinaliza ao Governo Lula que necessita abrir um novo concurso e espera receber a autorização para preencher 245 vagas para três cargos.

Na esperança de abrir um concurso público em 2023, o Banco Central já iniciou as tratativas junto à nova gestão do Governo Federal, sinalizando que necessita receber a autorização para realizar um certame capaz de preencher 245 vagas de trabalho para os cargos de técnico, analista e procurador.

De acordo com a assessoria de imprensa do BC, as conversas entre o órgão e a União só deverão começar após a definição da equipe de trabalho do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos que, a partir de agora, será a responsável por analisar os pedidos e conceder ou não o aval para a abertura de concursos federais.

A instituição bancária esperava receber a autorização para abrir o novo concurso, por parte do então Ministério da Economia, em agosto de 2022. Porém, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional recomendou que o ministério não autorizasse concursos nos 180 dias finais de mandato do Presidente Jair Bolsonaro, o que poderia acarretar no aumento de despesa para a gestão seguinte.

Com isso, caberá ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisar os pedidos e autorizar as próximas seleções. Como o próprio presidente já assinou um decreto retirando diversas estatais do processo de privatização, iniciado na gestão passada do Governo Federal, e sancionou os reajustes salarias para o Poder Legislativo e Judiciário, é bem provável que o Concurso BC seja beneficiado por essa política mais simpática ao serviço público.

Em agosto do ano passado, o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Leonardo Sultani, afirmou em reunião realizada com a direção do Banco Central e do Sindicato Nacional dos Funcionários (Sinal) que está preparando uma lista com vários concursos a serem abertos no início de 2023, e o concurso do Banco Central está entre eles.

Alto índice de aposentadorias até 2025 favorece novo concurso

Um dado que deve ser levado em consideração pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos é o fato do Banco Central possui uma estimativa de que, até 2025, perderá mais de 600 servidores, caso um novo concurso público não seja aberto de imediato. Esses profissionais já apresentam condições para entrarem com o pedido de aposentadoria.

Dados produzidos em 2021 revelam que o Banco Central ainda tem 8,87% do quadro de servidores em condição de aposentar, o que indica 313 funcionários, entre técnicos, analistas e procuradores. Se a ausência de editais persistir nos próximos três anos, a projeção do BC é que esse quantitativo atinja 18%.

Ou seja, enquanto a lei que rege o banco determina um quadro de pessoal composto por 6.470 funcionários, atualmente, o BC só possui 2.927 profissionais na ativa. Veja como está o déficit em cada um dos cargos contemplados no pedido de concurso:

  • Técnico: 429 vacâncias;
  • Analista: 2.477 vacâncias;
  • Procurador: 140 vacâncias.

Mas o fator previdenciário não é a única preocupação do Banco Central frente aos seu quadro de pessoal. É importante considerar que, em média, o BC sofre com o desligamento de 32 servidores por outros motivos, como óbitos e exonerações.

Diante dessa realidade, a instituição bancária anseia por um novo concurso, algo que não acontece desde 2013, ou seja, há praticamente de anos, quando realizou um concurso com 500 vagas para as funções de técnico e analista.

Ganhos podem passar dos R$21 mensais

Do total de vagas solicitadas pelo Banco Central, 15 serão para o cargo de técnico, 200 para analista e 15 de procurador.

A primeira carreira exige do candidato nível médio completo e proporciona remuneração inicial R$7.741,31.

Para disputar às vagas de analista, é preciso ter formação superior em qualquer área, e receberá R$19.655,06. Já os aprovados na função de procurador, que requer bacharelado em Direito e exercício comprovado de dois anos de prática forense, os ganhos chegam a R$21.472,49.

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