O dia primeiro de maio lembra à luta constante por melhores condições de trabalho.

Participar de um concurso público é a busca de concretizar um sonho de milhares de cidadãos de ingressar no serviço público e, quem sabe, ter estabilidade empregatícia. Sabemos que, ao sabor dos ventos da economia, a primeira coisa a ser afetada são os empregos. E se a quantidade de pessoas desempregadas cresce, acaba por evidenciar problemas de distribuição de oportunidades para as diversas classes da população. Todos querem trabalhar. Todos precisam trabalhar.

Dizem que trabalhar dignifica o homem. E não estão errados, mas o problema é quando o trabalho não é digno. Essa questão veio à tona em 1º de maio de 1886, quando milhares de trabalhadores de uma indústria na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, paralisaram as atividades e saíram às ruas para protestar e reivindicar por melhores de condições de trabalho, por salários mais condizentes com as funções que desempenhavam e pela redução da jornada de trabalho. Pasmem, antigamente, trabalhava-se 13 horas por dia. Dois dias após a esse levante, houve confrontos entre policias e trabalhadores que seguiam a se manifestar, o que provocou a morte de alguns desses trabalhadores. E no dia 04 de maio do mesmo ano, a explosão de uma bomba contra os policiais, resultou em uma resposta igualmente fatal contra os manifestantes. Milhares deles foram baleados, alguns feridos, outros assassinados.

A história constantemente nos mostra que a falta de diálogo pode levar a situações catastróficas, como essa. Talvez, se policiais e trabalhadores se unissem na mesma causa, o significado do primeiro de maio poderia ser menos doloroso e gerasse tantas discussões. Afinal, as duas classes estavam no mesmo barco.

De qualquer forma, três anos depois, um grupo de operários organizou a Segunda Internacional Socialista, realizada em Paris, capital da França, e decidiram que o dia 1º de maio prestaria homenagens aos mártires operários de Chicago, dando origem a esse feriado mundial.

No Brasil, essa data só se tornou oficial em 1924, quando o então presidente Arthur Bernardes criou o decreto 4.856, estabelecendo o Dia do Trabalho como feriado nacional. Nos anos 1930 e 1940, o chamado “Pai dos Pobres” deu uma nova simbologia à data no Brasil. Ao invés de protestos em prol de melhores condições de trabalho, a data ganhou um viés de celebração pela conquista de direitos trabalhistas durante o governo de Getúlio Vargas, como a criação da Justiça do Trabalho e do Salário Mínimo pago ao trabalhador. Durante a Era Vargas, tais celebrações ocorriam no estádio de futebol São Januário, no Rio de Janeiro.

Todos os anos, o Primeiro de Maio é lembrado com eventos em praças públicas, nos centros das grandes metrópoles, nos sindicatos, enfim, eventos que geram aglomeração de pessoas. Mas enquanto o Coronavírus continuar trabalhando para arruinar a vida da população mundial, as manifestações neste ano deverão ser mais caseiras, como da grande parte da população está desempregada ou perdeu o emprego por conta da Pandemia do Coronavírus. Ou mesmo dos profissionais da saúde, da segurança pública, da imprensa e dos serviços bancários, que merecem as reverências nesse feriado.

Mas falando com a classe de concurseiros, tudo isso que foi descrito nesse texto serve para duas coisas: primeiro, em concursos como o do Tribunal de Justiça do Rio ou do RioPrevidência, questões relacionadas à história dos direitos trabalhistas são muito cobradas nas provas. Não faria o menor sentido um concurso público, destinado justamente a empregar pessoas, não exigir conhecimentos trabalhistas nas avaliações. Segundo, para que tenhas consciência que você, como trabalhador, tem direitos e deve lutar por eles. Basta se inspirar nos operários de Chicago que nem direitos eles tinham e mesmo assim brigaram para adquiri-los.

E antes de conquistar o tão sonhado emprego, não há bandeira de luta mais forte do que a EDUCAÇÃO. Busque o máximo de conhecimento possível, para não somente prestar uma prova de concurso, mas para que o mercado de trabalho te observe e reconheça-o como um profissional capacitado para contribuir para o funcionamento das atividades econômicas e sociais que beneficiem a todos.