pers1Que o Brasil atravessa uma crise todo mundo sabe.  O que não se sabe é se o governo federal está tomando as medidas corretas para superar essa crise. Um dos primeiros pontos anunciados pelo governo, para “economizar” dinheiro, foi o cancelamento de alguns concursos públicos. A ideia é evitar despesas com os novos servidores. Esquece-se, porém, este mesmo governo federal, que alguns desses mesmos servidores são os maiores responsáveis pela arrecadação desse mesmo governo, que tanto precisa de caixa para fazer frente às necessidades. Os exemplos mais claros são os auditores-fiscais da Secretaria da Receita Federal, e os policiais da Polícia federal e da Polícia Rodoviária Federal. A máquina do governo precisa contratar quem opera. Não tem jeito. E a conta, com certeza, está sendo feita equivocadamente. A economia calculada pelo governo federal, com a não contratação desses servidores, é de R$ 1 bilhão no Poder Executivo. Acontece que, de acordo com relatório do Tribunal de Contas da União, as perdas decorrentes dos crimes de fronteira (a serem evitadas pela PF e pela PRF) são da ordem de R$ 100 bilhões anuais. Ou seja, a "economia" bilionária propicia um buraco econômico cem vezes maior, o que dificulta a visualização de um benefício real com essa decisão. Entretanto, esses números também geram uma boa expectativa. De que, mais cedo ou mais tarde, esses concursos terão de acontecer. Entidades sindicais que representam os servidores da Receita e das Polícias Federal e Rodoviária Federal insistem na necessidade dos concursos. A Receita Federal já solicitou 5 mil vagas, sendo 3 mil para analista-tributário e 2 mil para auditor-fiscal, enquanto a PRF quer contratar, no menor espaço de tempo, 3 mil novos policiais em dois concursos. Os sindicalistas apontam, ainda, que outra economia - o fim do pagamento do abono permanência àqueles que já teriam condições de se aposentar, mas que permanecem nos órgãos enquanto não se faz novos concursos - aumentaria ainda mais a carência de pessoal, o que significa que esses concursos são inevitáveis. É só uma questão de tempo. Para eles, as medidas apresentadas pelo governo, para economizar na crise, “são apenas políticas para mostrar para o mercado externo que está fazendo alguma coisa”, do tipo coisas para inglês ver. Ou seja, a suspensão temporária dos concursos é um erro de estratégia.