Sindicato cobra concurso para 2.503 vagas efetivas em cargos dos níveis médio e superior. Mais de 30% do atual quadro de pessoal pode se aposentar.

O governo Lula deu início, na última segunda-feira, dia 11, ao processo de autorização de um primeiro pacote de concursos. O primeiro órgão a obter sinal verde foi o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A expectativa é de que ao longo deste mês outras instituições sejam contempladas, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que quer abrir 2.503 vagas efetivas em cargos dos níveis médio e superior

São grandes as chances de o concurso IBGE receber o sinal verde do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos nesta primeira leva de certames que será autorizada a partir deste mês. Isso porque a titular da pasta, a ministra Esther Dweck, já deu declarações de que o instituto precisa reforçar seu quadro de pessoal com urgência.

"Desde que eu estava aqui (no governo Dilma Rousseff), eu já acompanhava áreas que tinham muita gente em abono de permanência, com risco de aposentadoria, e a reforma da Previdência em 2019 acelerou. Áreas que já estavam com risco muito grande, com 30% da folha podiam se aposentar. IBGE e Banco Central, mas tem outras também", disse.

Sindicato diz que abertura de concurso é urgente

A abertura de concurso IBGE, para cargos efetivos, é uma das reivindicações do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE), que espera que o instituto seja contemplado nesta primeira leva de autorizações por parte do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Em seu site, o sindicato diz que o IBGE pede socorro, já que a instituição trabalha com apenas 60% da sua força de trabalho ideal e que existem muitos servidores com idade para se aposentar.

“Nos últimos 12 anos o instituto perdeu 40% do seu quadro de pessoal efetivo e 25% dos atuais servidores já pode se aposentar. O número insuficiente de servidores efetivos foi um dos principais motivos para a atraso do Censo Demográfico e ameaça todas as pesquisas regulares do IBGE. Não há futuro sem planejamento e não há planejamento sem dados sobre a sociedade e sobre o território”, informa nota que está no site da ASSIBGE.

A falta de pessoal é, na visão do sindicato, um dos principais problemas pelo atraso em diversas pesquisas do IBGE, em especial a do Censo Demográfico. Conforme informado no jornal da ASSIBGE, na operação censitária de 2010, o instituto contava com 7 mil funcionários efetivos. Já no atual, há pouco mais de 4 mil. 

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Ainda segundo o sindicato, o IBGE precisou contratar pessoal temporárias para resolver uma série de gargalos nas áreas técnico, administrativa e de informática, exatamente por não haver pessoal suficiente. A situação é tão grave que há agências onde há apenas um servidor efetivo.

“O último concurso do IBGE foi realizado em 2016 e hoje os trabalhadores temporários (mesmo excluindo o pessoal contratado para o Censo Demográfico) são 60% da força de trabalho do IBGE, atuando em pesquisas contínuas e realizando atividades de supervisores. Atualmente, 80% das agências do IBGE contam apenas com três ou menos servidores efetivos. Em torno de 20% delas contam com apenas um servidor”, informa o jornal da ASSIBGE.

O sindicato dos servidores teme que a falta de pessoal no IBGE possa levar o país a um ‘apagão estatístico’. Por isso, defende a abertura urgente de concurso para contratação de pessoal efetivos.

“Nesse momento em que o Brasil entra em fase de reconstrução política, social e econômica, o atraso do Censo demonstra a impossibilidade de uma produção estatística consistente sem que haja a reconstrução do IBGE e do sistema estatístico nacional. A ASSIBGE-SN reforça a necessidade de concurso público, orçamento e autonomia técnica para o IBGE visando à reconstituição da capacidade técnica e operacional do órgão. Sem essas condições elementares, aumenta o risco do Brasil sofrer um apagão estatístico que afetará o planejamento das políticas públicas e o conhecimento da realidade brasileira”. 

Veja distribuição das vagas solicitadas pelo IBGE

O pedido de concurso IBGE, para 2.503 vagas efetivas, contempla os seguintes cargos:

CARGO

ESCOLARIDADE

VAGAS 

Técnico em informações geográficas e estatísticas

Nível médio

1.488 

Analista de planejamento, gestão e infraestrutura 

Nível superior

1.004 (*)

Tecnologista em informações geográficas e estatísticas

Pesquisador em informações geográficas e estatísticas (**)

11

* Não foi especificado o quantitativo específico para analista e tecnologista.

** Para a carreira de pesquisador, o IBGE costuma exigir, ao menos, titulação de mestrado.

De acordo com a tabela de remuneração dos servidores públicos federais, os ganhos atuais dos servidores do IBGE, incluindo o auxílio-alimentação (R$458) são os seguintes:

* Técnico – R$3.890,87;

* Analista e tecnologista – R$8.213,07;

* Pesquisador - R$10.049,07 (mestrado) ou R$11.326,80 (doutorado)

A partir de 1º de maio, os servidores públicos federais receberão um reajuste 9% sobre o vencimento-base, além de terem o auxílio-alimentação ampliado para R$658. Sendo assim, as remunerações para as três carreiras serão ampliadas. Os novos valores ainda não foram divulgados.

As contratações no IBGE ocorrem pelo regime estatutário, que assegura estabilidade no emprego.

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